Com a presença de prefeitos de várias cidades do Piauí, o deputado estadual Antonio Félix (PPS) fez um discurso bastante incisivo sobre a queda brutal que o Fundo de Participação dos Municípios vem sofrendo constatmente nos últimos meses.
A sessão especial atendeu a um requerimento do próprio parlamentar e foi dedicado ao debate a respeito dos impactos causados pela redução FPM.
Somente em agosto deste ano, os municípios deixaram de receber em agosto pelo menos R$ 645 milhões em repasses da União. É o que aponta levantamento divulgado já no final do mês passado, feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
O volume de recursos transferidos por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) teve redução de 15,25% em relação à quantia de agosto do ano passado - uma queda de R$ 4,2 bilhões para R$ 3,5 bilhões. No acumulado de julho e agosto, a perda chega a R$ 1 bilhão.
Confira a íntegra do discurso feito pelo deputado Antonio Félix (PPS):
Sr. Presidente da Assembleia Legislativa,
Deputado Themístocles Filho, no qual saúdo todos os demais deputados estaduais,
Sr. Presidente da APPM,
Prefeito Francisco Macedo, no aual saúdo todos os prefeitos aqui presentes,
Senhoras e Senhores
Esta mobilização vem ao encontro de diversas manifestações que acontecem não só nesta Casa, mas em todo o Brasil, em razão da situação de verdadeira penúria pela qual passam os Municípios brasileiros, que enfrentam uma demanda de sua comunidade cada vez mais acentuada e têm seus recursos diminuídos por diversas razões.
Senhoras e Senhores, a cada mês, o Prefeito além das inúmeras preocupações que lhe acometem, tem ainda a apreensão com a redução que sofrerá o Fundo de Participação do seu Município.
A crise financeira por que passa a grande maioria dos municípios, não só do meu Piauí, mas de todo o Brasil, vem atingindo proporções de verdadeira catástrofe administrativa.
Muitas prefeituras, estão sendo obrigadas a interromper suas atividades pela absoluta falta de recursos. Os prejuízos para a população são enormes, sobretudo nas pequenas cidades, onde o impacto desta crise é bem mais acentuado, trazendo conseqüências maiores.
As entidades representativas dos municípios têm organizado ações que visam o esclarecimento da opinião pública sobre a situação precária das prefeituras e tentam de todas as formas convencer as lideranças políticas nacionais sobre a necessidade urgente de se buscar uma solução para a grave situação que enfrentam.
Sem poder se proteger, já que não legislam em matéria tributária, os municípios dependem dos seus representantes políticos no legislativo federal para defender os interesses da municipalidade.
A principal fonte de receitas na grande maioria dos municípios, o FPM, vem sofrendo quedas sucessivas das transferências constitucionais aos municípios, causando sérias dificuldades aos administradores sendo que, em alguns casos, a gestão municipal tem se revelado impraticável.
Se, de um lado, a participação da União no bolo tributário federal aumentou significativamente nos últimos anos, de outro, constata-se que as suas atribuições diminuíram, tendo em vista a transferência de responsabilidades para os estados e, sobretudo, para os municípios aumentou significativamente, ou seja, os municípios receberam mais responsabilidades e não contam com a respectiva ajuda financeira.
Tenho que, aqui salientar a falta de definição clara das competências de cada um dos entes federados, conforme prevê o artigo 23 da Constituição Federal, o que obriga os municípios a suprirem as omissões da União e dos estados na prestação de serviços à população.
No caso da maioria dos municípios do nosso estado, a prefeitura é a última, e por que não dizer a única, tentativa que o cidadão tem para recorrer ao seu direito fundamental ou de alguma necessidade básica.
A maioria dos prefeitos aqui presentes passa pela mesma situação todos os dias: “dezenas de pessoas se dirigirem à sua residência, á prefeitura, ás secretarias municipais, em busca de um simples prato de comida para saciar a sua fome ou para a obtenção de um remédio que cure a sua doença”.
Caríssimos prefeitos e prefeitas, o município é efetivamente o executor das políticas sociais do governo. É o ente da federação mais próximo da comunidade e por esse motivo tem de estar preparado para o atendimento das necessidades mais elementares da população.
Assim, garantir condições para que os municípios cumpram com suas responsabilidades junto aos cidadãos é também dever desta Casa. O momento é agora. Não se trata, absolutamente, de retirar recursos da União e sim de viabilizar aos Estados e, principalmente, aos Municípios, a possibilidade de cumprir com a sua importante função social.
Era o que tinha a dizer!
Que Deus nos abençoe!
Muito Obrigado!