'Xerifa' da Rocinha : Mulher de traficante Neném coloca silicone nos seios com dinheiro do trafico.

21 de Abril 2011 as 09:48
'Xerifa' da Rocinha : Mulher de traficante Neném
Foto: arquivo internete

Rio - A investigação da Polinter que culminou

com a megaoperação de segunda-feira na

Rocinha descobriu detalhes do esquema

‘empresarial’ utilizado pela quadrilha de

Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem,

para lavar o dinheiro obtido com o tráfico

de drogas. De acordo com a polícia, o

lucro da venda de entorpecentes é dividido

entre as despesas do chefão e o pagamento

de vários subordinados de Nem, que possuem

funções bem definidas. Há suspeita da

participação de contadores de dentro e

fora da favela, que seriam responsáveis

por organizar as finanças do bando.

No mapeamento das atividades irregulares comandadas por Nem, os delegados Rafael Willis e Felipe Curi descobriram o envolvimento de duas empresas do presidente da Associação de Moradores do Bairro Barcelos, Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, e de seu irmão Telmo Oliveira Barros. O esquema inclui centrais de TV a cabo, laboratórios de DVDs piratas e depósitos de cargas roubadas.

“Essas atividades contribuem com o tráfico porque, para funcionarem na favela, têm que pagar taxas para Nem”, explicou Willis.

No esquema montado por Nem para a ‘empresa Rocinha S/A’, ele seria o ‘presidente’. Entre seus ‘funcionários’ há fornecedores de drogas, contadores, gerentes e subgerentes das bocas de fumo, seguranças e ‘laranjas’, que atuariam desde a compra de imóveis para o chefão até como donos de empresas de fachada para lavar o dinheiro. Por pagar tantos ‘empregados’, Nem ficaria com a menor parte do montante arrecadado. investigação contou com apoio do Núcleo de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil, que descobriu R$ 2,2 milhões nas contas bancárias de envolvidos. Só a droga apreendida durante a operação de segunda-feira — 2,6 toneladas de maconha — gerou prejuízo de cerca de R$ 3 milhões, já que boa parte do entorpecente era do tipo hidropônico, mais caro.

Irmãos possuem ligações estreitas com chefão do pó e ‘primeira-dama’

As investigações sobre a quadrilha, que começaram há sete meses, revelam que a ligação de Feijão e Telmo com Nem e sua família iria além da utilização de suas empresas — uma fábrica de gelo e um lava-jato — na lavagem de dinheiro. Os irmãos teriam relacionamento estreito com Danubia de Souza Rangel, mulher do chefão do tráfico, e resolveriam questões pessoais do casal. Da compra de produtos para a casa até a orientação sobre emissão de documentos.

Notas fiscais de eletrodomésticos em nome dos irmãos foram recolhidas pela polícia na casa de Nem e Danubia. Um caminhão da fábrica de gelo foi apreendido na operação.

Telmo é apontado pela polícia como o tesoureiro da associação de moradores do Bairro Barcelos. A polícia vai investigar se a entidade também era usada no esquema de lavagem de dinheiro do tráfico. Nenhuma empresa foi descoberta em nome de Nem ou de sua família.

Nem teria adotado corte moicano e estaria pegando pesado na malhação

Assim como a mulher, o traficante Nem também estaria investindo em mudanças no visual. Há informações de que ele, atualmente, usa um corte de cabelo no estilo moicano, além de pegar pesado na malhação para ficar mais forte.

Na casa dele, na localidade Cachopa, a polícia encontrou frascos de suplementos alimentares e aminoácidos, usados para aumento de massa muscular.

A rotina do traficante mais procurado do Rio também é diferenciada, já que ele teme ser capturado. O bandido usa vários imóveis da comunidade para não manter o mesmo endereço. Até quando vai para a casa da mulher, Danubia, nunca passa a noite inteira. Nem raramente deixaria a comunidade e está sempre acompanhado por seguranças.

A polícia está analisando computadores e DVDs apreendidos na casa do criminoso, que podem levar a mais detalhes da movimentação financeira da quadrilha da Rocinha.

Lucro do pó a serviço da vaidade

Loura de cabelos compridos, corpo invejável e guarda-roupas lotados de peças de grife. A mulher de Nem, Danubia de Souza Rangel, seria a responsável por torrar boa parte do lucro do traficante com sua vaidade. Ela entrou na mira da polícia justamente por ostentar luxos que não poderia bancar: as investigações mostram que a ‘Xerifa’, como ela se intitula, não trabalha e viveria à custa do dinheiro do tráfico. Todos os gastos dela fariam parte da movimentação financeira da quadrilha.

O levantamento da Polinter revela que Danubia usufrui e exibe todo o conforto que a ilegalidade pode lhe dar. Tanto ela quanto a filha de 2 anos, fruto da união com Nem, só usam roupas e sapatos de marcas famosas, comprados pessoalmente pela loura nos shoppings mais caros da cidade.

O monitoramento da polícia aponta que Danubia gastou o dinheiro de Nem com academia de ginástica, próteses de silicone nos seios, implantes de cabelo, unhas de porcelana e diversos tratamentos estéticos. Um deles, um peeling facial, chegou a custar R$ 2 mil. Segundo moradores da Rocinha, a vaidade da primeira-dama não tem limites: ela já teria feito um salão de beleza da favela abrir as portas de madrugada só para pintar as unhas.

Em fotos e vídeos da Internet, a loura aparece em montagens exibindo joias douradas durante passeios de helicóptero e barco. Como o marido, Danubia não possui bens em seu nome. Uma Ecosport que ela ganhou de aniversário estaria em nome de sua mãe. Por isso, todas as pessoas ligadas a Nem estão sob investigação.

Cassetete elétrico era usado para torturar rivais

Entre o material apreendido pela polícia durante a operação de segunda-feira, havia um cassetete elétrico. Segundo policiais, o objeto seria usado pela quadrilha como forma de intimidação e até tortura de desafetos com choques.

Na casa de luxo de Nem, que se destaca entre as demais moradias da Rocinha, foram encontrados eletrodomésticos, TVs de LCD, bebidas importadas e computadores. Todo material apreendido começou a ser periciado ontem.

A polícia investiga ainda a presença na Rocinha de criminosos foragidos de comunidades ocupadas pela polícia, como São Carlos e Macacos.