É o que costumamos chamar de "prato cheio", o relatório de inspeção que o Conselho Nacional do Ministério Público Federal no estado do Piauí. Menos pela qualidade do conteúdo e mais pelo estardalhaço com que esse mesmo conteúdo está causando. A questão é: qual a utilidade deste tipo de informação para a melhoria dos serviços prestados pelas Instituições e,principalmente, que medidas, em caso de irregularidades, o CNMP vai, de fato, adotar.
O documento , disponibilizado no site do Conselho é digno de tablóides. Num determinado trecho, expõe o teor da denúncia feita pelo então procurador regional eleitoral, Marco Túlio Caminha,sobre as ligações partidárias dos promotores de Justiça. A sintese parece reproduzir até mesmo as palavras que teriam sido utilizadas pelo procurador: "embora todo o incansável trabalho realizado no Estado do Piauí
visando a combater os abusos e violações às leis eleitorais,reconhecido em todo o Estado, nada mais foi tão desagradável e estressante do que conviver com todas estas dificuldades enfrentadas no relacionamento com o Ministério Público Estadual no ponto relativo às indicações para o exercício das funções eleitorais"
É preciso esclarecer que, o mesmo relatório traz a medida já adotada por Caminha, de comunicar o fato ao procurador geral de Justiça e pedir providências. O procurador fez o que tinha que fazer. O Conselho ainda vai ficar devendo.
Apesar da gravidade da denúncia - afinal, os promotores eleitorais são os fiscais do processo eleitoral, representantes do Ministério Público Eleitoral nas comarcas, o Plenário anunciou a concessão de um prazo de 30 dias para receber ma lista dos nomes dos promotores filiados. E como já se viu anteriormente, as decisões do Conselho costumam levar o tempo suficiente para fazer a opinião pública considerar que, no fundo, tudo acaba numa grande pizza.
Talvez por isso, a divulgação de relatórios como este pareça ser a punição maior imposta pelos conselheiros. E , neste caso, desencadeando, senão uma crise, um mal estar entre o Ministério Público Federal e o Estadual num momento em que as duas instituições trabalham juntas na fiscalização do
pleito de 2010.
Outros itens do relatório expõem as instituições de maneira até irresponsável. Tanto que, o próprio Conselho tratou de desmentir a notícia publicada em seu site, de que o Plenário teria autorizado uma correição no MPF do Piauí. A notícia foi republicada uma hora depois de veiculada. E uma nota explicativa justificou a confusão.
É elogiável a transparência de informações sobre as ações dos Conselhos fiscalizadores. Transparência é , sem dúvida, uma conquista do estado democrático e serve para derrubar as inexplicáveis barreiras existentes entre os poderes, sobretudo o Judiciário e os cidadãos, a quem devem servir. Mas ela não pode ser utilizada como arma de combate para esconder a fragilidade ou mesmo a inexistência de medidas reais de controle interno.Medidas que possam modificar práticas comuns, denunciadas exaustivamente e que estão entranhadas nos órgãos públicos brasileiros.
O que o CNMP parece estar fazendo é,tão somente, jogando para a platéia. E nós, jornalistas, adoramos! Mas como toda boa fofoca, esta se dissipa em pouco tempo. E as irregularidades, pelo jeito, seguem em frente.