Na zona rural do Crato, os moradores deixam até de dormir para tentar conseguir água, durante a madrugada. Os reservatórios da comunidade de Poço Dantas secaram e as famílias, numa agonia silenciosa, esperam por ajuda.
O sacrifício é o mesmo para as 45 famílias que moram na comunidade, que fica a 25 km de Crato. O problema da falta de água é antigo e se agrava sempre que começa o período de estiagem, um cacimbão secou no mês de setembro, assim como outros poços. O único que ainda tem água é particular, a vazão é pequena e não é suficiente para abastecer os 350 moradores da comunidade.
De acordo com o Serviço de Água e Esgoto do Crato, o problema está no gasto excessivo de água pelos moradores com a irrigação das plantações. Eles afirmam que existe um projeto de expansão da rede de abastecimento para incluir seis distritos. Entre eles, o de Poço Dantas. Os recursos devem ser do Programa de Aceleração do Crescimento e a data de início das obras vai ficar para janeiro ou fevereiro.
O motoqueiro Cícero Cardoso dos Santos, 34 anos, residente na Vila São Bento, em Crato, foi assassinado na tarde de segunda-feira (27) com três tiros de revólver 38 quando se dirigia para sua residência após sair do trabalho numa fábrica de papel.
Cícero foi surpreendido por duas pessoas numa moto não identificada que o esperavam na altura da ponte que dá acesso a vila residia. Cícero Soares trafegava em sua moto Yamaha placa HXF-8677, inscrição do Crato e tombou ao lado da estrada.
Familiares da vítima acreditam em vingança e disseram que os responsáveis pelo crime são moradores da mesma vila onde Cícero residia. No entanto não souberam dizer os verdadeiros motivos do crime, fato que deve ser apurado pela Policia Civil. Testemunhas disseram que os executores do motoqueiro estavam esperando por ele na entrada da ponte e disparam quase a queima-roupa.
Cícero Cardoso dos Santos não tinha passagem pela policia e trabalhava numa fábrica de papel do Crato há muito tempo.
Ambientalistas do Crato assinaram um documento que será entregue ao Governo do Estado, advertindo que, se não for montada uma estrutura de fiscalização, o Parque Ecológico do Fundão, recentemente comprado pelo Governo, será destruído. Com a desocupação da única casa construída na área de 100 hectares, o sítio ficou venerável às invasões. O ofício adverte que o escritório local da Superintendência do Meio Ambiente (Semace), não dispõe de infra-estrutura para uma fiscalização eficiente.
O chefe do escritório da Semace no Crato, João Joça Melo, garantiu, no entanto, que a situação está sob controle. Os carros da Semace vão diariamente ao sítio com a finalidade de fiscalizar, mas admite que o problema só deve ser solucionado quando a área for cercada.
O Sítio Fundão será transformado em área de proteção ambiental pela Procuradoria do Patrimônio e do Meio Ambiente do Estado. O Decreto nº 29.179 de 8 de fevereiro deste ano prevê a criação do Parque Estadual do Sítio Fundão, a ser definida como Unidade de Proteção Integral.
O Fundão está localizado no sopé da Serra do Araripe, a 3km do Crato, e foi, até este ano, uma propriedade privada. Palco de um inestimável valor cultural, a região preserva o único engenho secular movido à tração animal, resquício da ocupação canavieira, e do sobrado de taipa.
A terceira turma do Programa Agente Jovem, do Município do Crato, implantado por meio da Secretaria da Ação Social, começou a realizar estágios nas repartições públicas, desde segunda-feira (13).
Cerca de 200 jovens, de 15 a 17 anos, desde o início do ano vem recebendo formação na área de cidadania, através dos educadores e orientadores do projeto. Segundo a coordenadora do projeto, Maria Dalva Silva Ribeiro, o estágio será realizado de 13 de outubro até 27 de novembro, perfazendo sete semanas.
Ela explica que o estágio é a finalização e aplicação prática dos trabalhos enfocados no projeto. Uma forma de levar aos integrantes os mecanismos de captação dos direitos adquiridos. Uma forma de perceber a construção da cidadania, através do cumprimento dos direitos do cidadão.
Entre as instituições que receberão os alunos estão a Universidade Regional do Cariri (URCA), onde estarão realizando estágios 21 alunos; o Programa de Saúde da Família (PSF), Escolas Municipais e Estaduais, Biblioteca Pública, Secretaria de Ação Social e Conselho Tutelar.
Um incêndio irrompeu, ontem à noite, no sopé da serra do Araripe, considerada área de proteção ambiental, a 200 metros do Clube Recreativo Granjeiro. O fogo começou num depósito de lixo localizado à margem da Avenida Pedro Felício Cavalcanti. Em seguida, queimou uma roça de capim e destruiu palmeiras seculares. Uma equipe do Corpo de Bombeiros esteve no local com o carro-tanque, e conseguiu debelar o fogo que ameaçava se alastrar por toda a área.
No entanto, depois que os bombeiros saíram, o fogo retornou. Felizmente, segundo os moradores, as labaredas não subiram serra acima até a Floresta Nacional do Araripe, que fica a menos de um quilômetro da área incendiada. Nesta época do ano, com a chegada do calor e o prolongamento da estiagem, aumenta a possibilidade de incêndios, principalmente nos sopés de serra que são densamente povoados. O Granjeiro, por exemplo, onde ocorreu o incêndio, é um bairro residencial do Crato que apresenta freqüentes incêndios neste período do ano.
“O mato seco é um barril de pólvora. Uma ponta de cigarro é o suficiente para provocar incêndios de grandes proporções”, adverte o capitão Roberto, comandante da Unidade do Corpo de Bombeiros.
Pela primeira vez os índios Kariri, zona rural do Crato, se reúnem com estudiosos para debater o processo de reconhecimento, bem como a criação de uma entidade que possa defender seus interesses.
O I Encontro dos Índios Kariri foi iniciado na manhã desta quarta-feira (3), no Sítio Poço Dantas, distrito de Monte Alverne, situado na zona rural do município do Crato.
A pequena comunidade com cerca de 50 famílias remanescentes dos índios Kariri, povos considerados desaparecidos, passam primeiramente por um processo de auto-reconhecimento. . O objetivo dos trabalhos iniciais vem contribuir para o resgate da história e agilização do reconhecimento antropológico pela Fundação Nacional do Índios (Funai), além de discutir outras questões pertinentes a essa faixa da população, como: educação indígena, territorialidade e políticas públicas.
Além dos Kariri, vieram os representantes indígenas de São Benedito e está sendo mantidos contatos com índios de Crateús.
Na cidade do Crato já existe uma sala de aula indígena. A Secretaria de Educação do Município mantém a sala de aula indígena com fornecimento de material e pagamento da professora. Os Kariri ainda contam com o apoio da Secretaria de Cultura, Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Casa Lilás, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher Cratense, Rede Educação Cidadã (Recid) e também da Associação Cristã de Base (ACB).