O forró é um ritmo musical típico do nordeste, isso todos sabem, o que vivo me perguntando é como chegou a um patamar tão torpe? N o início o forró retratava a vida do nordestino, seu cotidiano, suas dores e amores, eram letras consideradas umas verdadeiras poesias, como por exemplo, alusão que Luís Gonzaga faz com a flor de mandacaru de abrocha no período da chuva e paixão natural de uma de uma menina o qual já começa também abrochar o amor em seu coração, na letra ‘’Ela só quer, só pensa em namorar’’. Vários nomes contribuíram para formar essa identidade do forró com a cultura nordestina, dentre eles a Rita de Cássia, Petrúcio Amorim, Dominguinhos, Gonzaguinha e dentre outros.
O que vemos atualmente é uma perca total dessa identidade, o forró tradicional e poético a cada dia perde mais espaço para uma nova modalidade muito mais eletrônica e apelativa, com alusão total a sexualidade e quase sempre deturpando a imagem feminina. Já se criaram vários estereótipos em torno do forró contemporâneo, mulheres seminuas dançando de maneira erótica, cantores usando vocábulos de baixo calão em letras, além da apologia ao consumo de bebidas alcoólicas e a pratica do sexo demasiado.
Na semana passada li uma reportagem sobre o cantor de uma banda famosa, onde ele dizia não gostar de forró, que na verdade seu estilo musical era rock e que só cantava em uma banda de forró por se tratava de sua profissão e que não conseguiria fazer tanto sucesso contando em uma banda de rock, ou seja, se nem o próprio interprete gosta do canta como pode esperar que alguém goste?
De fato é uma situação nada confortável ver a nossa cultura sendo degradada por nós mesmos, e mesmos assim é notório o grande público adepto a essa nova modalidade, sem conteúdo lógico, de forró. Será que não é só o forró que perdeu sua identidade? Será que também estamos perdendo o bom senso? Quem tiver uma opinião, contrária ou não, pode deixar um comentário, serão aceitos todos, se não forem antagônicos as regras do portal.
Daniel Cristovão