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Edilson Nascimento

Copa Ceut de capoeira evidencia cultura corporal e ética

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31/08/2010 - 14h:56

A V Copa Ceut de Capoeira apresenta o II ciclo de palestras que tem como tema “a capoeira no âmbito da cultura corporal e ética. O evento é motivado pelos 10 anos de parceria entre a Associação Cultural de Capoeira Raízes do Brasil e a Faculdade Ceut. O II ciclo de palestras, cursos e jogos acontecerão em diferentes lugares, no período de 6 a 12 de setembro, acompanhe a programação no final dessa notícia. Dentro da programação o mestre Touro procura caminhos através da capoeira, atividade física, esporte e cultura para uma ética corporal e social do capoeirista.

Confira a programação:

Dia 06/09 – abertura no Clube de Jovens Mafrense, às 19h, tendo como ministrantes Mestre Tucano e Mestre Cará;
Dia 07/09 – início dos jogos e comemoração dos 10 anos de Capoeira na Faculdade Ceut no Ginásio da Faculdade Ceut, a parti das 8h, prossegue durante todo o dia e entra pela noite até às 22h;
Dia 8/09 – curso técnico de capoeira com o Mestre Papagaio, no Clube de Jovens Mafrense, às 19h;
Dia 09/09 – curso técnico de capoeira com Papagaio, na Academia Eugênio Fortes da Marechal, às 9h; ainda nesse dia haverá palestra sobre biomecânica e musculação: análise aplicação aos fundamentos da Capoeira, com o Mestre Rui Bandeira, no auditório da Ceut, às 18h; em seguida teremos a palestra sobre a importância da ética nas relações profissionais e pessoais, com o Mestre David Emérito, também no auditório do Ceut, às 20h;
Dia 10/09 – palestra capoeira e práxis pedagógica: as interfaces entre educação formal e saberes cultural, com o Mestre Robson Carlos, às 8h, no setor de esportes da UFPI; depois tem a palestra sobre treinamento de flexibilidade: aspectos metodológico para o desempenho físico, com Mestre Nul Vieira; ainda nesse dia tem aulão em frente ao Bom Preço da Frei Serafim, às 18h;
Dia 11/09 – teremos o batizado e show artístico no auditório do Centro Artesanal, a parti da 14h;
Dia 12/09 – confraternização entre alunos, família, mestres, professores e convidados.

Melhores informações você adquire com o Mestre Touro (86) 8806-1047 / 3081-8220 / 9428-1617 – Lana (Petisquinha) 8841-4093.

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Jornalistas aprovam teses sobre desconstrução do racismo na mídia

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23/08/2010 - 10h:58

Foi aprovada, na semana passada, no 34º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em Porto Alegre (RS), a tese "A mídia contribuindo para uma nação igualitária e o exercício da desconstrução do racismo nos meios de comunicação e no meio sindical", apresentada pelo Núcleo dos Jornalistas Afro-brasileiros, vinculado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors), e subscrita pelas Cojiras. A tese convoca os jornalistas de todo o país a cumprirem o papel de "promotores da igualdade racial no cotidiano das suas redações e como formadores de opinião". O texto também reitera que as resoluções aprovadas nos congressos anteriores referentes à temática racial sejam implementadas e cobra ainda a realização de um censo etnico-racial pela categoria.

A Cojira-Rio, que também subscreveu a tese, fez um adendo durante a aprovação onde acrescentou ser fundamental "garantir o foco na equidade de gênero com recorte racial em todas as ações e atividades relacionadas à promoção da igualdade racial nas relações de trabalho e na produção de conteúdo jornalístico". Em seguida, a Cojira-Rio também apoiou a aprovação de outra tese no campo das relações de gênero, intitulada "Mulheres jornalistas lutam contra a violência de gênero, imagem estereotipada e pela democratização na comunicação" e defendida pelo Núcleo de Mulheres Jornalistas pela Igualdade de Gênero, do Sindjors.

Na manhã desta sexta-feira (20/08), as agências da ONU, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sindicato dos Jornalistas e Cojiras participam da apresentação do Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia, onde prevê, entre outros, a formação de jornalistas nos temas gênero, raça e etnia.

O 34º Congresso Nacional dos Jornalistas, que termina neste sábado, está sendo promovido pela Fenaj e reúne cerca de 400 jornalistas profissionais de todo o país.

Angélica Basthi
De Porto Alegre

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Aniversário da Fundação Palmares é festejado com debates

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23/08/2010 - 10h:52

Dentro das comemorações do aniversário de 22 anos da Fundação Cultural Palmares, instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), foi realizado, nesta quinta-feira (19), em Brasília, um painel de debate sobre o conceito antropológico e político da cultura negra e o papel da instituição na contemporaneidade.

O evento foi realizado na sede da Fundação Palmares e contou com a participação de professores universitários especialistas no tema, que falaram para uma plateia de produtores culturais, artistas e militantes do movimento negro.

Os debates foram coordenados pela chefe de gabinete da Palmares, Eliane Borges da Silva. O presidente da instituição, Zulu Araújo, também compareceu ao encontro. O painel teve o objetivo de aproximar o público da discussão sobre cultura negra, que vem sendo realizada no meio acadêmico brasileiro.

Temas em discussão

Foram abordados assuntos como a construção e reconstrução da identidade cultural dos afro-brasileiros, áreas quilombolas, militância no movimento negro e releituras da história da Diáspora negra no país.

Uma das questões que polemizou o encontro foi sobre a existência, ou não, de um denominador cultural comum que caracterize a cultura negra no Brasil. O professor de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Carlos Eugênio Líbano, acredita que o núcleo das expressões culturais afro-brasileiras é a figura do crioulo – indivíduo nascido no Brasil, de pais negros.

Na visão do professor, foram os crioulos que começaram a construir uma identidade positiva para os negros brasileiros, que, na época do Império, eram vistos apenas como escravos. Ele disse, ainda, que foi este mesmo segmento racial que impulsionou a abolição da escravatura no país, promovendo fugas em massa dos canaviais da região do Rio de Janeiro, inviabilizando a continuidade da exploração do trabalho escravo.

Para o professor de Artes Plásticas da Universidade de Brasília (UNB), Nélson Inocêncio, a cultura negra no Brasil não é homogênea, existem muitas diferenças regionais. Por isso considera um erro a disseminação da ideia de que o samba é a expressão da cultura de todos os afro-brasileiros. Já o professor de Ciências Sociais da UNB, Sales Augusto dos Santos, disse que a discriminação racial é um dos fatores que unifica toda a população negra no país, pois recai sobre todos. Ele foi o mediador dos debates e lançou vários questionamentos para os painelistas responderem.

As comemorações do aniversário da Fundação Cultural Palmares continuam até o dia 22 de agosto, com programação de eventos em vários estados brasileiros.

Informações MinC

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Olodum homenageia os heróis populares da Revolta dos Búzios

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12/08/2010 - 21h:34

O panorama político e social do Brasil escravista e colonial foi marcado profundamente por levantes, rebeliões e revoltas da massa escravas e da plebe livre que lutaram de forma o organizada ou não contra o sistema de opressão reinante naquele momento social e político ocorrido no Brasil a pregar a organização de uma República, onde não houvesse desigualdades econômicas e social e onde pessoas não fossem julgadas de acordo com cor da sua pele.

A Revolta dos Búzios, Revolta dos Alfaiates ou Revolta das Argolinhas, como ficou conhecido o movimento, recebeu estes nomes devido ao fato dos revoltosos usarem um búzio preso à pulseira para facilitar a identificação entre si, por usarem uma argola na orelha com o mesmo fim e também por que alguns dos conspiradores eram alfaiates. presume-se que os búzios seriam usados como moeda na nova república já que os búzios era moeda correntes em muitos lugares da África

Foi formada por pessoas de várias etnias e classes sociais, desde escravos, negros livres, soldados, oficiais militares, sapateiros, carpinas, comerciantes, padres, etc., que aderiram ao Partido da Liberdade.




No dia 12 de agosto de 1798, em dez locais diferentes da cidade do Salvador amanheceram com um manifesto colado em suas paredes, que dizia:

“Está pra chegar o tempo feliz da nossa liberdade; o Tempo em que seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais”.

“Homens, o tempo da liberdade para nossa ressurreição; sim para ressuscitareis do abismo da escravidão, para levantareis a sagrada Bandeira da Liberdade”.

”Ó vós povos que viveis flagelados com pleno poder do indigno coroado esse mesmo Rei que vós criastes; esse mesmo Rei tirano há que se firmar no trono para vos veixar, para vos roubar e para nos maltratar”.

Estes trechos do manifesto bem demonstram o que combatiam e o que queriam os revoltosos.

No dia 23 de agosto, o autor do manifesto, Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga, soldado, negro, foi capturado pelas forças de repressão do governo colonial. Pouco a pouco os revoltosos foram sendo presos, porém todos os intelectuais brancos e detentores do poder econômico foram perdoados; os que foram castigados foram degredados para Fernando de Noronha, ou para a África.

Apenas os negros foram severamente punidos, a fim de servir de exemplo para aqueles que teimassem em sonhar com um Brasil livre, democrático e sem preconceitos.




O que foi a Revolta dos Búzios .

Denominada “Conjuração dos Alfaiates”, “Inconfidência Baiana”, “Conspiração dos Búzios”, Primeira Revolução Brasileira, Sedição de Mulatos, o movimento revolucionário de 1798 na cidade do Salvador foi uma das mais importantes manifestações anti-coloniais no Brasil nos finais do século XVII.

Mas sua importância histórica não fica somente no anticolonialismo; e ainda mais singular nos seus aspectos sociais em sua avançada formulação política. Esse movimento se formou sob a influência da filosofia iluminista. Sua concepção política era a República Moderna, regime no qual todos seriam iguais perante a lei e o poder teria sua origem no povo. Eram idéias colocadas em circulação na Europa ao longo do século XVIII, mas que alcançaram a Bahia via Portugal, com o prestígio das revoluções de 1789 e 1792 na França.

Essas idéias ganharam cor e local na Bahia. Por isso mesmo a concepção de igualdade perante a lei tomou ênfase na igualdade de cor; uma repulsa as discriminações pela cor que então atingiam a Bahia e que não eram agressivas apenas para com os negros.

Era bastante mais extensa, por exemplo: com relação aos mulatos (uma categoria que envolvia os pardos e brancos da terra) essa discriminação proibia o acesso aos cargos da administração e a proporção a patente de oficial nas tropas de linha.

E somente por causa da cor. Ou porque os mulatos eram a classe de gente a mais orgulhosa e inquieta de todo país, como observou o marechal comandante das tropas pagas em 1803.

A idéia de comércio em todos os mares e portos, o movimento de 1794/1798 deu formulação local ao exigir que o porto da cidade do Salvador exercesse o comércio livremente com todos os povos.


OS BOLETINS SEDICIOSOS


O movimento foi publicado na manhã do dia 12 de agosto de 1796 através de 11 boletins sediciosos, papéis manuscritos, com erro de grafia e redação confusa, colocado em pontos centrais da cidade. Desses boletins ainda existem dez no Arquivo do Estado da Bahia, maço 581 da seção Histórica o décimo primeiro foi queimado pelo Coronel Francisco José de Matos Ferreira e Lucena só o conhecemos pelas declarações do seu filho, capitão do Segundo Regimento pago, Antônio José de Matos e Lucena, que assistiu ser deslocado da parede de uma casa e o levou ao pai.

Esses papéis sediciosos, como foram denominados na ocasião, faziam severa denúncia da exploração colonial (latrocínios, furtos com os títulos de impostura, tributos, e direitos que não são elaborados por ordem da Rainha).

Expressavam sentimento de independência (seja exterminado para sempre o péssimo jugo reinável da Europa); queriam igualdade de todos perante a lei (ficando cada sujeito as leis do novo código) e formularam promessas de recompensas para os soldados e oficiais dos regimentos pagos (cada soldado receba de soldo dois tostões cada dia, os oficiais terão aumento de posto e soldo).

Ao tomar conhecimento desses boletins, governador da capitania da Bahia, D. Fernando José de Portugal e Castro (1788 - 1801), mandou que o ouvidor- geral do crime, Desembargador Manuel de Magalhães Pinto Avelar de Barbado, procedesse imediata e rigorosa devassa para identificar.

No dia 16 de agosto foi preso o mulato e solicitador da causa Domingos da Silva Lisboa, em casa de quem foram apreendidos papéis que depois se soube que eram os de maior circulação entre os intelectuais e oficiais militares brasileiros (baianos): o Orador dos Estados Gerais as quadras a liberdade e igualdade. Domingos da Silva Lisboa ainda estava preso quando apareceram duas cartas no Convento dos Carmelitas Descalços. Tinham a mesma letra dos boletins. Deduziram logo que isso inocentava Domingos da Silva Lisboa.

Foi então o próprio governador examinar requerimentos e petições arquivadas na Secretaria do Governo e encontrou semelhanças (não ficaram provadas) entre as letras dos boletins e a dos requerimentos feitos pelo soldado Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga, antigo desertor e conhecido como homem de rezas e orações. D. Fernando ordenou sua prisão. Efetuada, na busca que deram em sua residência encontraram cada manuscrito com o Orador dos Estados Gerais.





A REUNIÃO DO CAMPO DO DIQUE DO TORORÓ

Após a prisão do soldado Luis Gonzaga, ocorreu uma prisão em casa do ourives, Luis Pires. Estiveram presentes o soldado Lucas Dantas do Amorim Torres, o alfaiate João de Deus Nascimento, o aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira, Nicolau de Andrade, José de Freitas Sacado (Sa Couto). E decidiram consultar o comerciante - mascate Pedro Leão de Aguiar Pantoja sobre a conveniência de uma reunião no Campo do Dique do Desterro na noite de 25. Não encontraram, que era irmão do Tenente Hermogenes Francisco Pentoja, mas assim mesmo, João de Deus, Lucas Dantas e Santos Lira fizeram convites para a reunião a diversas pessoas.

Três dos convidados denunciaram a reunião, foram o cabelereiro Joaquim José de Santa Anna, o ferereiro Ferreiro Joaquim José da Veiga e o soldado Joaquim José Siqueira. Em seguida as denúncias, o governador Coronel Alexandre Theotonio de Souza e determinou ao Desembargador Francisco Sabino Álvares da Costa Pinto que realizasse devassa para descobrir os responsáveis pela pretendida sedição. A reunião do Dique ao compareceram 14 pessoas. Luis Pires, Lucas Dantas e João de Deus esperavam que fossem muitos...

AS DEVASSAS E CONDENAÇÕES

O inquérito do Desembargador Costa Pinto desenvolveu se paralelo ao Desembargador Avelar de Barbelo. E foram realizados dezenas de prisões, dentre as quais as dos Tenentes Hermogenes Francisco de Aguiar Pantoja (5 de janeiro de 1799) e José Gomes de Oliveira Borges (26 de agosto de 1798); do professor de latim Francisco Muniz Barreto de Aragão (20 de dezembro de 1798), do cirurgião e médico Cipriano José Barata de Almeida (19 de setembro de 1798), ao todo 311 escravos, seis soldados da tropa paga, cinco alfaiates, três oficiais militares, dois ourives, um pequeno negociantes, um bordador, um pedreiro, carapina, um professor e um cirurgião tal foi a composição realmente processados.

Em dezembro de 1798 chegou de Lisboa enérgica Ordem Regia. Ordenava imediata conclusão das devassas e severas punições para os culpados. Ainda assim, novamente em sete de novembro de 1799 o tribunal da redação decidiu condenar à morte, pela forca os soldados Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga e Lucas Dantas do Amorim Torres, os alfaiates João de Deus do Nascimento, o aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira e o ourives Luis Pires último fugitivo jamais localizado.


O advogado José Barbosa de Oliveira apresentou sucessivos e inúteis embargos, nos quais analisava as acusações e contestava que houvesse cometido crime de Lesa Majestade. Mas esses soldados e alfaiates tinham sido os escolhidos pelos desembargadores Avelar de Barbosa e Costa Pinto, como responsáveis pela sedição intentada e suas condenações valeriam como terror político para os escravos. Os ex-escravos e os soldados e artesões da cidade de Salvador, ao mesmo tempo desautorizando investigações capazes de revelar pessoas importantes, oficiais militares, intelectuais, comerciantes e proprietários de engenhos, homens bons da cidade do Salvador e Recôncavo (no caso, Santo Amaro, São Francisco do Conde e Cachoeira). Santos Lira, Lucas Dantas, Luís Gonzaga e João de Deus (nesta ordem), foram enforcados e esquartejados no dia 8 de novembro de 1799 na praça da Piedade. Frei José Monte Carmelo, que os acompanhou da capela dos jesuítas até a forca, deixou relato dos últimos dias desses mártires brasileiros.

AS INFLUÊNCIAS IDEOLÓGICAS

Existem duas questões a serem considerados nesse movimento de 1794/1798: a influência dos iluministas e pensadores políticos franceses e dos acontecimentos da Revolução Francesa. Foi o professor de gramática latina em Rio das Contas, Francisco Muniz Barreto de Aragão, quem trouxe de Lisboa o Orador dos Estados Gerais em 1792; o Doutor Antonio Alvares de Figueredo lhe emprestou As Ruinas, e um moço pernambucano, chamado José Porphirio lhe deu uma cópia das quadras a igualdade e liberdade. Essas quadras ensinavam:

Igualdade e liberdade
No sacrifício da razão
Ao lado da sua justiça
Preenchem o meu coração


Esses foram os principais documentos que circulavam na Bahia no período de 1794/1798 quando existiu um grupo, até hoje não de todo identificado, que realizava reuniões fora do centro da cidade e discutia um Governo Democrático para a Bahia.

Suas conversas chegaram aos soldados e aos artesões, todos esses homens de cor e filhos de escravos. Borges de Barros (os confederados do partido da liberdade) Afonso Rui (a primeira Revolução Social Brasileira) divulgaram a suposição de uma organização maçônica, denominada cavalheiro da luz, nesse grupo, seriam maçons agrupados pelo Francês Antonio René Larcher, capitão da marinha francesa e o comandante do La Preneuse, que esteve na Bahia de Todos os Santos de 30 de novembro de 1792 a 2 de janeiro de 1797.

Mas, a não ser a passagem de Larcher pela cidade do Salvador, nada disso está provado. É somente possível afirmar que a influência ideológica nesse movimento de 1796/1798 foi a Revolução Francesa, acrescentando se: chegou a Bahia via Lisboa.

Mas as Consignas de Liberdade, igualdade e fraternidade; as concepções de Governo Democrático Republicano essas foram adaptadas as condições locais.

E é por isso que encontramos nos documentos de 1798 repetidas exigências de igualdade sem distinção de cor.













“A REVOLTA DOS BÚZIOS”


O Olodum tem o orgulho de apresentar o 1º documento escrito da saga da liberdade empreendida pelo negro neste país, o texto no verso deste documento foi escrito pelos negros que participaram da Revolução dos Alfaiates, mais conhecida pelo nome de Revolta dos Búzios, de 12 a 25 de agosto de 1798.

Influenciados pelos ideais da Revolução Francesa, os negros e mestiços de Salvador sonharam em criar uma sociedade, justa, igualitária e com liberdade para todos. Ousaram escrever um projeto de Brasil diferente deste que hoje vivemos e espalharam um “aviso” pelas ruas da cidade mais precisamente no Centro Histórico, enviaram para o governador geral da época. A tradução para o português atual é a seguinte:

“Aviso ao povo bahianense, que está para chegar o tempo feliz da nossa liberdade, tempo em que todos seremos irmãos, tempo em que todos seremos iguais e fazem parte do partido novo”.

O Olodum foi ao Arquivo Público da Bahia e revirou tudo, encontrou as cópias desse documento nos autos de condenação dos que foram enforcados na Praça da Piedade em 1798.

Estamos devolvendo ao povo da Bahia, como presente legado da nossa história, o primeiro planfeto do movimento negro brasileiro, o primeiro texto político-social brasileiro a propor a República como forma de governo, a primeira ação social a questionar os salários diferenciados devido a cor da pele, aos cabelos, a origem racial.

Em 2010 o sonho continua valendo, sendo conduzido pelos descendentes diretos da Revolta dos Búzios, queremos um outro Brasil, sem fome, com casa para morar, com escola digna para todos, com salários dignos, com direitos humanos sendo respeitados, com terras para plantar, venha junte-se aos filhos da liberdade, 212 anos depois o ideal continua....


Olodum, o Bloco comunidade
31 anos de consciência Negra.
Os cavaleiros da luz.
Os filhos do Sol.
Os filhos do mar.
Os filhos do fogo.
Os filhos do ventos

Heróis e Heroinas da Revolta dos Búzios

Estes personagens não desfilaram nas páginas da nossa história oficial, mas estão presentes na memória coletiva do seu povo.


João de Deus do Nascimento, homem pardo, livre, casado, 27 anos, natural da Vila de Cachoeira, cabo de esquadra do segundo regimento de milícia desta praça, alfaiate, preso em 25 de agosto de 1798.

Luís Gonzaga das Virgens, pardo, livre, solteiro, 36 anos, natural da Cidade de Salvador - BA, soldado granadeiro do primeiro regimento da linha desta praça, preso em 24 de agosto de 1798.

Luiza Francisca D’Araújo, parda, livre, casada com João de Deus, presa em 26 de agosto de 1798 e solta em 05 de setembro do mesmo ano.

Lucrécia Maria Quent, criada, forra, natural desta cidade, presa em 15 de setembro de 1798 e solta em 26 de setembro do mesmo ano.

Ana Romana Lopes, parda, forra, natural desta cidade, presa em 15 de setembro de 1798 e solta em 20 de setembro do mesmo ano.

Inácio Pires, pardo, natural desta cidade, preso em 04 de outubro de 1798.

Antônio Simões da Cunha, pardo, livre natural desta Cidade, casado, pedreiro, preso em 10 de setembro de 1798.

Lucas Dantas de Amorim Torres, negro, liberto, solteiro, 24 anos natural desta cidade, soldado do regimento de artilharia e marceneiro.

Manoel Faustino dos Santos Lira, pardo, forro, solteiro, 18 anos, alfaiate e marceneiro, natural de Santos Amaro da Purificação.

Fontes:

Livro :O dia em que o povo ganhou

Autor: Joel Rufino dos Santos

Apostila do Olodum 1985 – Curso afro brasileiro –

Autor: Godi

História da Bahia

Autor: Professor Luis Henrique Dias.










A Revolta dos Búzios

Branca de Neve

Nos bairros afetados
da nossa cidade
só faltam coragem
se abre prá mim que eu não sei
nos fale a verdade

foi o Pelourinho e a preguiça
também Piedade
é a Revolta dos Búzios
não é o fim do mundo
tenham bondade
negros sejam voces
meu Deus nos valei

Uma democracia sem pancadaria
sobre uma data marcante
são os escravos ambos estão cansados
é siginificante

Soldados, carpinas, pedreiros, sapateiros
os negros comerciantes
que mil setecentos e noventa e oito
tão castigante

Entre dezesseis , vinte e cinco de agosto
Olodum relembrante
se faz presente uma nova república
mudança importante

Pelourinho Cultura Africanizada

Germano Meneghel


Para obter um reinado
é preciso lutar
com esforço e dinamismo
o Olodum vem saudar

Foi um ato marcante
que aconteceu em Salvador
foi a Revolta dos Búzios
João de Deus , Maciel e Pelô

Nasce uma nova era
Um novo poder de criar
Alfaiates, Argolas, Búzios
Olodum relembrar

Cultura africanizada
Olodum Pelourinho
Bahia, Salvador
Revolta dos Búzios
no Brasil

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Militante do movimento negro: Pouco ousado, Lula não foi até o fim contra racismo

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21/06/2010 - 11h:49

ClickPB
Folha Online


No dia 8 de outubro, uma comissão escolhida pelo Parlamento norueguês apontará qual dos 237 indicados receberá o Prêmio Nobel da paz deste ano. Entre eles, o militante do movimento negro Abdias Nascimento, 96. A indicação ao Nobel é o mais novo item no currículo deste pintor, dramaturgo, escritor, poeta e fundador do Teatro Experimental do Negro em 1944.

Ex-senador pelo PDT (suplente, assumiu duas vezes a vaga de Darcy Ribeiro), Abdias não crê que será o escolhido: "Não acredito em vitória porque depende de uma mobilização muito grande de pessoas importantes para sensibilizar aquele povo de Oslo. E eu não tenho isso".

Recém-recuperado de problemas de saúde, ele mantém o bom humor e o apetite: "Como feijoada, mocotó, picanha. Muita pimenta. No almoço e no jantar."

Adbias recebeu a Folha na sede do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros, fundado por ele.

Folha - O Supremo Tribunal Federal decide sobre a constitucionalidade das cotas raciais. O sr. é a favor das cotas?
Abdias Nascimento - Claro. Já que houve restrições é importante que haja também leis que assegurem valores como ingressar na universidade. Em 1946, na Constituinte, eu já falava dessas coisas, de como criar uma forma de ajudar, auxiliar os descendentes de africanos no Brasil.
É preciso dar apoio material objetivo aos afrodescendentes... A abolição não aboliu as restrições econômicas. Aboliu e daí? O que aconteceu? Não aconteceu nada que favorecesse realmente o descendente africano.

Os críticos defendem cotas sociais ou de renda, que beneficiem não só os negros, mas todos os mais pobres.
Os outros não tiveram esse tipo de entrave. Por que é preciso especificamente esse tipo de reparação? A injustiça em cima dos africanos e descendentes continuou mesmo depois da abolição.
A sociedade brasileira nasceu sob o signo do racismo e continua racista até agora.

Então o Estado deve intervir?
São necessárias leis de apoio bem claras. Não foi na lei que se inscreveu que o negro era escravo? Estava lá escrito. Havia políticos defendendo isso no Parlamento.
Não há nada de mais que sejam escritas nas leis do país uma série de garantias para que os negros possam cursar a faculdade, que o negro possa entrar nesta ou naquela carreira, no serviço público. Dos mais de dez ministros do STF só há um negro. Tinha de ter o mesmo número de negros e brancos. Isto é o que seria a Justiça no país.

Há quem diga que o Brasil é miscigenado, e por isso não faria sentido enxergar divisão racial aqui.
Isto é a cretinice brasileira, a falta de caráter, a sem-vergonhice brasileira. Isso vem de longe. Este discurso é para ajudar o Brasil a continuar racista. A continuar a ter a cobertura moral para o racismo. Eles querem até isto.

O sr. acha que o tema racial deveria ser levado à pauta nas eleições? Por quem?
Quem poderia fazer isso, mas não gosta das coisas não convencionais, é a Marina [Silva (PV)]. Mas ela não vai nada além das coisas que são aceitáveis. Estive com ela no Senado e vi que tem caráter para levantar a discussão. Mas falta alguma coisa.

Ela é melhor candidata na sua opinião?
Sem dúvida nenhuma. Tem qualidades e preparo. É de classe humilde, apesar de ter aprendido a ler muito depois de adulta, tem qualidade. Uma das primeiras solidariedades que tive no Senado foi a dela. Todo mundo sabe das minhas posições em defesa da minha raça. E ela não teve medo em vir me abraçar e se colocar à disposição para a ajuda que ela pudesse dar. Não recebi dos outros nenhum apoio.

Como analisa os dois mandatos do governo Lula?
Teve atos que favoreceram os mais humildes, mas foi uma coisa medrosa, não enfrentando os tabus brasileiros. O Lula, sendo humilde, não se negou a dar as mãos às classes humildes, desprestigiadas. Mas foi pouco ousado no geral. Não chegou ao fim das consequências. Nomeou o [Gilberto] Gil ministro, mas tinha de colocar um lutador, um defensor da causa negra. Não teve coragem de colocar um negro aguerrido na linha de frente.

Obama é criticado por muitos por não fazer um discurso constante de reafirmação de sua cor. Concorda com esse tipo de crítica?
Não. Isso é coisa secundária. A função dele é delicada e ele tem que falar para os dois lados que votaram nele. Tem de falar para toda a nação, composta de gente de várias raças, várias misturas. Está certo. Não precisa estar a todo instante reafirmando sua origem. Está na cara.
Ele falou que o Lula é o cara, mas ele também é o cara. Não precisa ficar lembrando a todo momento que tem estas e estas origens.

Fonte: ClickPB

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Negro pode falar em raça. Branco não pode

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21/06/2010 - 11h:34


-A +A
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Há uns bons três anos, ao comentar o episódio de dois gêmeos idênticos que foram considerados como branco e negro pelo sistema de cotas, a revista Veja rendeu-se vilmente ao politicamente correto e titulou com gosto na capa:

É mais uma prova de que
RAÇA NÃO EXISTE

Veja sofismava. Se os responsáveis pelo sistema de cotas se enganaram, isto nada tem a ver com a existência ou não de raça. Se afirmo que preto é branco e branco é preto, isto nada tem a ver com a existência ou não do preto ou do branco. Se raça não existe – comentei na época - vamos então parar de falar em dálmatas, buldogs, bassets, beagles, dobermanns, filas, chihuahuas, chowchows, cockers, malteses, pequineses, pitbulls, poodles, yorkshires, São Bernardos, rottweilers. Nem nas mais de 400 raças caninas.

Tampouco se fale mais, quando se trata de cavalos, em raças árabe, crioula, Holsteiner, manga larga, puros sangues ingleses, espanhóis e lusitanos, lipizzaners, appaloosa e quartos de milha, percherons, paint horses, campolinas, favacho, JB, Bela Cruz. Nem nas mais de 100 outras raças conhecidas.

Abominável racismo falar em bois zebu, Aberdeen-Angus, Nelore, Hereford, Limousine, Brahman, Gir, Guzerá, holandês, charolês. Ou em ovinos merino, Texel, Île-de-France, Suffolk, Hampshire Down, Poli Dorset, Corriedale, Ideal, Laucane, Bordaleira. Tenha também respeito pelos galináceos. Elimine de seu vocabulário palavras como Legorne, D’Angola, Cochinchina, Hamburguesa, Brahma e Plymouth.

Ou alguém pretende que raça só exista no reino animal? Quando surge o Homo sapiens, este ser excelso, tocado pela graça divina, raça deixa de existir?

Um ano depois, o politicamente correto voltou a atacar. Desta vez, através do livro Humanidade sem Raças, do doutor em genética humana Sérgio Pena, editado pela Publifolha. O autor defende a tese de que as raças e o racismo são uma invenção recente na história da humanidade. E o conceito de "raças humanas" surgiu e ganhou força com base em interesses de determinados grupos humanos, que necessitavam de justificativas para a dominação sobre outros grupos.

Houve muito negro que não gostou. O livro chegou em momento inoportuno. Em décadas passadas, os movimentos negros haviam concluído que raça não existia. Depois do estabelecimento de cotas para universidades, voltou a existir. Segundo um projeto do senador Paulo Paim, a condição de negro deve inclusive constar em documento. Quando se trata de ganhar no tapetão, o conceito de raça é muito conveniente. Dr. Pena, na introdução de seu livro, dizia:

“Parece existir uma noção generalizada de que o conceito de raças humanas e sua indesejável conseqüência, o racismo, são tão velhos como a humanidade. Há mesmo quem pense neles como parte essencial da "natureza humana". Isso não é verdade. Pelo contrário, as raças e o racismo são uma invenção recente na história da humanidade”.

Por defender a existência óbvia de raças, tenho sido condenado como racista. Tanto por negros como por judeus. Já fui inclusive processado por sete entidades indígenas por crime de racismo. Por ter afirmado que os índios não conseguiram escapar de uma cultura ágrafa e que os antropólogos queriam conservá-los como animais em museus intemporais para contemplação dos homens do futuro. Bem entendido, os indigenistas não levaram nada e tiveram de retirar seu cavalinho da chuva. Mas, em suma, hoje passou a ser apodada como racista toda pessoa que acredita na existência de raças.

Neste sentido, até a Bíblia é racista, pois fala continuamente em raças. O que nega cabalmente a convicção do Dr. Pena, de que raças e racismo sejam uma invenção recente na história da humanidade”.

Na Folha de São Paulo, leio curiosa entrevista com o militante do movimento negro Abdias do Nascimento, cujo nome está sendo lançado para prêmio Nobel da Paz. Que emplaque não me espantaria. O Nobel da Paz é a última esperança de posteridade dos vigaristas. Os ingênuos noruegueses já concederam o galardão a terroristas e escroques, desde Yasser Arafat, Rigoberta Menchu, madre Teresa de Calcutá e Tenzin Gyatso, humildemente conhecido como Oceano de Sabedoria.

Não, um Nobel para o líder negro racista não me surpreenderia. O que me surpreende é vê-lo negar o óbvio, sem que o entrevistador nada objete. Diz o repórter:

- Há quem diga que o Brasil é miscigenado, e por isso não faria sentido enxergar divisão racial aqui.

Responde o líder negro:

- Isto é a cretinice brasileira, a falta de caráter, a sem-vergonhice brasileira. Isso vem de longe. Este discurso é para ajudar o Brasil a continuar racista. A continuar a ter a cobertura moral para o racismo. Eles querem até isto.

Refugiando-se no insulto, sem apresentar argumento algum, Nascimento nega cabalmente a existência do mulato. Ora, segundo o IBGE, a população negra do Brasil, em 99, era de apenas 5,4%. Se forem acrescidos os 39,9% do contingente de mulatos, o Brasil estaria perto de ser definido como um país majoritariamente negro, como aliás é hoje considerado por muitos americanos e europeus. Nascimento está sendo cúmplice da classificação ianque, que só consegue ver pretos e brancos em sua sociedade e nega a miscigenização.

Esta é mesma filosofia do Supremo Apedeuta que, mal foi eleito, saiu arrotando urbi et orbi que o Brasil era a segunda nação negra do mundo, depois da Nigéria. Até mesmo uma pessoa aparentemente culta, como Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, prestou-se a corroborar o sofisma safado: "como declarou o presidente Lula, o estreitamento das relações com a África constitui para o Brasil uma obrigação políica, moral e histórica. Com 76 milhões de afrodescendentes, somos a segunda maior nação negra do mundo, atrás da Nigéria, e o governo está empenhado em refletir essa circunstância". Ao colocar todos afrodescendentes no mesmo saco dos negros, o ministro demonstra que, nos círculos do poder, mesmo homens cultos se dobram à bajulação. Abdias do Nascimento não ficaria atrás de tais sumidades.

Mas o mais surpreendente vem adiante, quando o macróbio ativista afirma, na mesma Folha de São Paulo que publicou o livro do Dr. Sérgio Pena, que negava peremptoriamente a existência de raça. O repórter pergunta se Marina Silva seria a melhor candidata.

- Sem dúvida nenhuma. Tem qualidades e preparo. É de classe humilde, apesar de ter aprendido a ler muito depois de adulta, tem qualidade. Uma das primeiras solidariedades que tive no Senado foi a dela. Todo mundo sabe das minhas posições em defesa da minha raça. E ela não teve medo em vir me abraçar e se colocar à disposição para a ajuda que ela pudesse dar. Não recebi dos outros nenhum apoio.

Em defesa de minha raça? Quer dizer então que raça existe? Onde estão os ativistas negros que consideram racista quem acredita em raça? Se morena Marina apoiou Abdias, ao que tudo indica participa de sua Weltanschauung.

Será morena Marina - a candidata negra, como se apresenta - racista? Ou será que líder negro pode falar de raça sem ser pichado como racista? Estará proibido apenas aos brancos falar de raças


Por Janer Cristaldo
Cristaldo é jornalista, escritor e tradutor e vive em São Paulo

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O negro é retratado em exposição

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21/06/2010 - 11h:22

O Norte.net
Michelle Tondineli
Repórter

Domingo será o último dia da exposição do artista plástico Telêmaco Uga. O vendedor de Cafezinho retrata o dia-a-dia dos negros baianos e a única coisa comum a todos, o cafezinho. De acordo com Telêmaco, estudar jornalismo e estar trabalhando há 10 anos com arte é apenas o começo da transmissão de sentimentos.

- Trabalho com cinegrafia e fazia isso em Salvador. Eu fiz uma exposição em São Romão e o pessoal do centro cultural viu e gostou. Daí surgiu a oportunidade para expor aqui. Esta exposição retrata o vendedor de cafezinho. Em busca de inclusão social, ele vendia com uma caixinha. Isso era costume na Bahia. Eu fiz um quadro e o meu professor de artes na Bahia sugeriu que eu fizesse uma série - diz.

Telêmaco destaca a rotina do rapaz do cafezinho.

- Ele faz uma troca com as pessoas, a do acarajé, troca o cigarro, jogando bola, e tem o concurso do carrinho mais bonito, da diferença de um com o outro. É um pessoal humilde, do subúrbio, pobre, é um folclore. Independente da classe social, todos tomam um cafezinho, é o que fica presente na vida - afirma.

O artista diz que gosta de explorar várias cores. No processo de criação, primeiro ele faz a imagem no papel para depois colocá-la no quadro.

- Esta exposição tem 13 quadros, entre eles xilogravura, papel artesanal de folha de banana, tecido de jeans e quadros - diz.

O vendedor de cafezinho, segundo Telêmaco Uga, é especial porque sempre promove a amizade e um bom relacionamento com as pessoas.

- Acredito que o meu trabalho está enriquecendo a cidade, porque quero que as pessoas reflitam sobre o dia-a-dia. As pessoas falam muito, mas não agem nada. Trabalho com artesanato, cerâmica e papel machê, mas não dá para viver só disso, temos que ter outras funções. Em meus quadros quero passar uma mensagem e não apenas decoração. Os turistas gostam da imagem do negro retratada nos quadros. Um quadro significativo foi dos negros sendo ferrados como se ferra gado, e o barão apenas olhando. O que interessa é fazer uma arte e seguir o nosso caminho de uma maneira diferente - afirma.

No 2º semestre, Telêmaco pretende expor a série que retrata o comportamento humano, com cerca de 20 quadros.

- É uma exposição de pintura moderna. Em cima do comportamento humano, o cidadão se incluiu oficialmente. Se observarmos, nós vivemos na 3ª pessoa, e quimicamente. Deus que faz tudo e o ser humano precisa se enxergar mais. A mulher que ele estupra e engravida joga o feto no esgoto, é bem meu estilo. Uma pintura moderna. É oposto em termo de traços. Eu defino o meu estilo figurativo, me preocupo em colocar a tinta na tela e definir os meus traços no momento. Tem quadro que pinto em duas horas, tem quadro que demoro meses. Depende muito. Sempre fui muito irresponsável, então não tive o costume de catalogar meus trabalhos, mas vendi muito para turistas europeus e para as galerias locais - finaliza.

Outras informações telemacouga@yahoo.com.br ou (38) 9971-3258.

Fonte: O Norte.net

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Restaurante na Cidade do Cabo derruba muro entre negros e brancos

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21/06/2010 - 11h:10

Mzoli's era um açougue que virou churrascaria. Fica no meio de uma favela a 15 km do centro da cidade e recebe pessoas de todas as raças

Por Adilson Barros Direto da Cidade do Cabo, África do Sul

Um lugar na África do Sul onde pessoas de todas as cores, raças, religiões e classes sociais se reúnem para comer, beber, celebrar. Parece uma utopia pinçada dos discursos de Nelson Mandela durante sua militância contra o Apartheid, política de segregação racial que separou negros e brancos durante quase 40 anos. Mas esse lugar existe. Trata-se de um restaurante que fica na comunidade de Gugulethu, a 15 km do centro da Cidade do Cabo: o Mzolis's.

Quando foi inaugurado, em 2003, o local era um pequeno açougue na favela, que atendia aos moradores locais. Seu dono, Mzoli Ngcawuzele, conseguiu uma pequena linha de crédito com um banco estatal e resolveu ganhar a vida vendendo carne. Aos poucos, Mzoli começou a assar a carne no local. Agora, as pessoas poderiam escolher o pedaço que queriam e comer ali mesmo o braai (uma espécie de churrasco sul-africano).

O movimento aumentou tanto que o dono comprou um imóvel que ficava ao lado. Turistas, de todas as cores, começaram a frequentar o local e os sul-africanos descendentes de ingleses ou holandeses, que jamais haviam pisado numa township (como são chamadas as favelas na África do Sul), também passaram a comer no Mzoli's.

Hoje, o estabelecimento é um amplo, mas bem simples restaurante, com bar, música ao vivo e telões. À noite, virada balada. Com a Copa do Mundo, o local fica abarrotado de pessoas assistindo aos jogos. Há um telão e várias televisões espalhadas pelo amplo salão. Os garçons orientam, mas é o próprio cliente quem vai à cozinha, escolhe a carne e entrega para um funcionário assar. Quem espera por um lugar com alguma sofisticação, pode esquecer. A carne é servida em grandes bacias e se come com as mãos: não há talheres à disposição.

- Esse lugar é maravilhoso. É uma parte da cultura sul-africana que é bastante interessante de se conhecer. As pessoas são alegres, gostam de cantar, conversar. É realmente bastante agradável - conta uma turista americana.

Para os locais, Mzolis é motivo de orgulho. Para eles é prova que o Apartheid, embora tenha acabado oficialmente apenas há 20 anos, está sendo vencido.

- Quando eu era jovem, isso jamais seria possível. Brancos e negros num mesmo restaurante é algo que jamais poderíamos imaginar. É motivo de muita alegria e orgulho para nós – conta um dos clientes do local, que é negro e mora em Guguletho.

Mzoli Ngcawuzele, embora tenha se tornando um empresário bem sucedido, segue morando na comunidade.

- O restaurante é um lugar onde as pessoas querem estar. Não importa cor ou raça.


Fonte: Globo.com

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Estatuto da Igualdade Racial é alvo de críticas do movimento negro

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21/06/2010 - 11h:03

Foram retirados do texto diversos pontos da proposta original que tramitava há 6 anos

Marcus Wagner

O Estatuto de Igualdade Racial aprovado no dia 16, desagradou a muitos militantes dos direitos dos negros. A retirada de alguns itens da proposta original, que tramitava há quase 7 anos no Congresso Nacional foi o motivo de inúmeras reclamações. A advogada Rosa Maria de Lima, fundadora do MOCABTE, Movimento de Cultura Afro-Brasileira de Teresópolis, definiu o resultado como uma grande perda: “Para o movimento negro organizado representa um retrocesso demonstrando que os escravocratas que ainda estão no poder tem toda força do mundo. Não consideramos uma derrota, mas não é um avanço. Depois de ver tudo que aconteceu, verifico que, de 1888 até agora, nada praticamente mudou, mas não nos esmorece. Consideramos um retrocesso para poder a luta continuar” declarou.

Segunda Rosa Maria, os pontos básicos e principais são as terras quilombolas, as cotas e as ações afirmativas de um modo em geral. Ela se queixa que quando se fala em cotas para negros que abrangem a questão da educação sempre é negado. Ela afirma que a educação para os negros é um problema: “Eu tomei dinheiro emprestado, eu vendi carro, só não me prostituí para ver meus filhos formados em curso superior. As cotas eram tudo o que queríamos. Os políticos que negaram são de origem de famílias escravocratas. Tuma e Sarney fizeram todo um trabalho para dizer ‘não’, nos negar o que é importante. Na África do Sul, os negros estão se emancipando economicamente através da educação, eles ascendem. Lá e aqui ainda não foram resolvidos os problemas do Apartheid e da escravidão”.

A advogada acredita que se houvesse mais senadores e deputados negros, o texto seria aprovado sem alterações: “Os pobres e os negros precisam ascender. Nossa luta é pela igualdade real. Precisamos trocar presídios por escolas e faculdades”, declarou.

Fonte: O Diário de Teresópolis

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Abdias: Se pudessem, colocavam o negro de novo na escravidão

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20/06/2010 - 19h:45

Ana Cláudia Barros

Defensor fervoroso do sistema de cotas raciais em universidades públicas, o ex-senador e deputado federal, Abdias do Nascimento, 96 anos, um dos líderes negros de maior expressão no país, considerou "uma coisa lamentável" as alterações no texto original do projeto de lei que institui o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado nesta quarta-feira (16), no Senado.

Um dos pontos mais criticados foi, justamente, a retirada do trecho que falava sobre a regulamentação da reserva de vagas para a população negra na educação. O estatuto, que tramitou no Congresso durante sete anos, entra em vigor após a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

-As cotas são absolutamente importantes. São um passo adiante da degradação que o negro tem sofrido durante tantos séculos.

Confira a entrevista

Terra Magazine - O Senado aprovou ontem projeto de lei que institui o Estatuto da Igualdade Racial. O texto original sofreu alterações, como a retirada do trecho que previa cotas para negros na educação e a criação de uma política de saúde pública para negros. O que o senhor achou das mudanças?
Abdias do Nascimento - Uma coisa lamentável, porque se há uma população que necessita de um apoio específico em todos os sentidos, em todos os níveis das atividades nacionais são os negros. São os únicos que foram escravos. As pessoas falam que não precisa de uma proteção, mas ninguém foi escravo aqui, a não ser os africanos.

Então, na avaliação do senhor, as mudanças foram lamentáveis.
É claro. Lamentável, porque é uma injustiça a mais. Uma injustiça que se repete.

O relator do texto, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), substituiu o termo "raça" por "etnia", alegando que não existe outra raça além da humana.
Isso é aquela história brasileira de adoçar as coisas. Adoçam o racismo específico contra os africanos e descendentes. Isso mostra, mais uma vez, o gérmen... A alma do Brasil que manda é essa. É contra os africanos, contra os negros. Acho lamentável. Mostra que o Brasil continua o mesmo desde a escravidão. Mostra que, na verdade, ninguém queria que o negro fosse liberto. Mostra que, se pudessem, colocavam, outra vez, a escravidão.

O senhor ainda considera que a Abolição da Escravatura no Brasil não passa de uma mentira cívica e que ainda há um hiato entre negros e brancos no país?
É isso aí: uma mentira cívica. Uma "bela" mentira cívica. E ainda existe um hiato entre negros e brancos. Há dois "Brasis": um dos brancos e outro dos negros. Sem dúvida nenhuma.

O autor da proposta, senador Paulo Paim (PT-RS), afirmou que o estatuto está longe do ideal, mas que a aprovação foi uma vitória? O senhor concorda?
Não concordo, porque é a continuidade do racismo, da discriminação, do desprezo pela herança africana. Essas leis, esses disfarces para não chamar o Brasil de racista continuam. Desculpe, mas isso é odioso e, no meu entender, vai realçar a separação, a diferença e a possibilidade dos negros terem uma integração perfeita.

Especialmento sobre o trecho que fala das cotas, que foi suprimido do texto original. O que o senhor acha sobre isso?
As cotas são absolutamente importantes. São um passo adiante da degradação que o negro tem sofrido durante tantos séculos.

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