Edilson Nascimento

Pesquisa indica que há 99,3% de preconceito no ambiente escolar

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18/06/2009 - 12h:14

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São Paulo - Pesquisa realizada em 501 escolas públicas de todo o país, baseada em entrevistas com mais de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, revelou que 99,3% dessas pessoas demonstram algum tipo de preconceito etnorracial, socioeconômico, com relação a portadores de necessidades especiais, gênero, geração, orientação sexual ou territorial. O estudo, divulgado hoje (17), em São Paulo, e pioneiro no Brasil, foi realizado com o objetivo de dar subsídios para a criação de ações que transformem a escola em um ambiente de promoção da diversidade e do respeito às diferenças.

De acordo com a pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 96,5% dos entrevistados têm preconceito com relação a portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito etnorracial, 93,5% de gênero, 91% de geração, 87,5% socioeconômico, 87,3% com relação à orientação sexual e 75,95% têm preconceito territorial.

Segundo o coordenador do trabalho, José Afonso Mazzon, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), a pesquisa conclui que as escolas são ambientes onde o preconceito é bastante disseminado entre todos os atores. “Não existe alguém que tenha preconceito em relação a uma área e não tenha em relação a outra. A maior parte das pessoas tem de três a cinco áreas de preconceito. O fato de todo indivíduo ser preconceituoso é generalizada e preocupante”, disse.

Com relação à intensidade do preconceito, o estudo avaliou que 38,2% têm mais preconceito com relação ao gênero e que isso parte do homem com relação à mulher. Com relação à geração (idade), 37,9% têm preconceito principalmente com relação aos idosos. A intensidade da atitude preconceituosa chega a 32,4% quando se trata de portadores de necessidades especiais e fica em 26,1% com relação à orientação sexual, 25,1% quando se trata de diferença socioeconômica, 22,9% etnorracial e 20,65% territorial.

O estudo indica ainda que 99,9% dos entrevistados desejam manter distância de algum grupo social. Os deficientes mentais são os que sofrem maior preconceito com 98,9% das pessoas com algum nível de distância social, seguido pelos homossexuais com 98,9%, ciganos (97,3%), deficientes físicos (96,2%), índios (95,3%), pobres (94,9%), moradores da periferia ou de favelas (94,6%), moradores da área rural (91,1%) e negros (90,9%).

De acordo com o diretor de Estudos e Acompanhamentos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação (MEC), Daniel Chimenez, o resultado desse estudo será analisado detalhadamente uma vez que o MEC já demonstrou preocupação com o tema e com a necessidade de melhorar o ambiente escolar e de ampliar ações de respeito à diversidade.

“No MEC já existem iniciativas nesse sentido [de respeito à diversidade], o que precisa é melhorar, aprofundar, alargar esse tipo de abordagem, talvez até para a criação de um possível curso de ambiente escolar que reflita todas essas temáticas em uma abordagem integrada”, disse.

Fonte: Agência Brasil

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/17/materia.2009-06-17.8057908621/view

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amanda - 03.08.2009 - 16:07

isso e uma bosta porra caralho

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Estudantes negros são as maiores vítimas de agressões nas escolas públicas, diz pesquisa

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18/06/2009 - 12h:12

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São Paulo - Negros, pobres e homossexuais estão entre as principais vítimas de bullying(prática discriminatória de um grupo de alunos contra um determinado colega, que se caracteriza por agressões físicas, acusações injustas e humilhações) nas escolas públicas, segundo a Pesquisa sobre Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgada hoje (17) em São Paulo.

Segundo a pesquisa, o grau de conhecimento de práticas de bullying chega a 19% contra alunos negros, 18,2% contra pobres, 17,4% contra homossexuais. Em seguida, 10,9% estiveram nessa situação por ser mulher e 10,4% por morarem na periferia ou em favelas.

O estudo também mostrou que os professores, funcionários, idosos, pessoas com algum tipo de deficiência física ou mental, idosos, índios e ciganos também foram vítimas de agressão nas escolas pesquisadas.

De acordo com o coordenador do trabalho, o professor José Afonso Mazzon, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), a pesquisa revelou que 30% das diferenças observadas na Prova Brasil entre as escolas pesquisadas foram explicadas por níveis de preconceito e discriminação.

“Nas escolas onde se observou o maior conhecimento de práticas de bullying envolvendo professores e funcionários, as avaliações na Prova Brasil foram as menores, assim como nas escolas onde os alunos apresentaram maior nível de preconceito”, afirmou.

A pesquisa ouviu cerca de 10,5% dos 18.599 alunos, pais, diretores, professores e funcionários de 501 escolas públicas do país, entre outubro e novembro do ano passado. Ainda de acordo com os dados, 5,3% dos entrevistados presenciaram os professores sofrendo agressões e 4,9% viram os funcionários das escolas.

Fonte: Agência Brasil

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/17/materia.2009-06-17.1440335067/view

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Modelos negras fazem protesto por cotas no SP Fashion Week

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18/06/2009 - 12h:08

A polêmica das cotas, que primeiramente levantou bandeira para vagas nas universidades, agora também está nas passarela. Nesta quarta-feira (17), a associação franciscana Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes) organizou um desfile-manifesto no parque Ibirapuera, onde o São Paulo Fashion Week é realizado. A passarela, montada debaixo da marquise do MAM (Museu de Arte Moderna), contou apenas com modelos negras e provou que não é por falta de beleza afrodescentes que as marcas deixarão de "colorir" seu casting, quase sempre monocromático, já que os modelos brancos são a maioria.

Aliás, não vai ser apenas uma questão de escolha, mas de obrigação também. Conforme um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado há menos de um mês entre o Ministério Público e a organização do SPFW, 10% dos modelos de cada desfile devem ser negros, afrodescendentes ou indígenas.

O inquérito se baseou em reportagens da Folha de S.Paulo feitas em janeiro de 2008. Dos 344 modelos que desfilaram naquela temporada, apenas oito (2,3% do total) eram negros, conforme contagem feita pelo jornal. A Educafro também quer fiscalizar o cumprimento da "cota". Pediu dois convites por desfile à SPFW, para poder contar o número de negros - o que nem mesmo a Promotoria planejou fazer. Caso a quantidade de 10% por desfile não seja atingida, a organização da pode ser multada em R$ 250 mil. Até 30 dias após o fim da temporada, o evento terá de elaborar uma relação completa dos modelos que desfilaram, apontando o nome dos "que se inserem no critério", como diz o TAC. É possível, porém, justificar o descumprimento: o Ministério Público aceita, por exemplo, que a alguns temas de desfiles não cabe a participação de negros. Apesar da nova lei, neste primeiro dia de evento, é ainda pouco perceptível essa miscegenação nos desfiles.

Cachê menor

O agente Helder Dias, da HD, agência especializada em modelos negros do país disse em uma matéria para a Folha de S.Paulo que o cachê das modelos negras é menor, isso quando pagam alguma quantia. Dias conta que, em média, as modelos brancas costumam ganhar R$1.500, já negras R$ 400,00. É o caso da modelo Juliana Nepomuceno, 18, que apesar do currículo internacional, vai ganhar esse valor para desfilar para a grife Ronaldo Fraga, na SPFW.

"A maioria das modelos negras não ganham nada. Nesses nove anos de HDA eu só ouço isso, que as modelos não têm perfil e quando desfilam é para divulgar e dar visibilidade, não tem cachê. Quando tem cachê, demora cinco meses para receber", diz.´

Fonte: Gazeta Online

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/06/101212-modelos+negras+fazem+protesto+por+cotas+no+sp+fashion+week.html

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Modelo negra vai ganhar menos da metade do cachê médio da SPFW, diz agente

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18/06/2009 - 12h:07

Apesar de ter acabado de chegar da Ásia, onde realizou vários trabalhos, a modelo Juliana Nepomuceno, 18, vai ganhar apenas R$ 400 para desfilar para o estilista Ronaldo Fraga na SPFW (São Paulo Fashion Week). É o que afirma o agente Helder Dias, da HDA, agência brasileira especializada em modelos negros.

Dias conta que, em média, as modelos brancas costumam ganhar R$1.500 para realizarem o mesmo trabalho. O pagamento de menor valor é feito para "new face" [modelo em início de carreira], o que não é o caso de Nepomuceno, de acordo com o empresário.

"A maioria das modelos negras não ganham nada. Nesses nove anos de HDA eu só ouço isso, que as modelos não têm perfil e quando desfilam é para divulgar e dar visibilidade, não tem cachê. Quando tem cachê, demora cinco meses para receber", diz.

Segundo o empresário, a modelo passou três anos fora do Brasil e trabalhou em diversos países. Mesmo tendo voltado com um material profissional, ela só fechou um desfile, que foi confirmado na última sexta-feira.

Em relação a política das cotas para que modelos negros desfilem na SPFW, Dias acredita que, como o mercado da moda não está dando essa oportunidade espontaneamente, a lei irá incentivar a discussão da inclusão de negros, pardos e índios nos desfiles brasileiros.

"Trabalhar com modelos negros é uma paixão, mas se fosse depender de moda para minha agência estar há nove anos no mercado, ela já tinha fechado no primeiro ano", declara.

Fonte: Folha Onilne

http://www1.folha.uol.com.br/folha/podcasts/ult10065u582389.shtm

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Militante Negro avalia cidadania em Cubatão e Botucatu

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17/06/2009 - 23h:53

Com 51,7% dos seus habitantes auto-declarados pretos e pardos, Cubatão - que tem uma população estimada hoje em 120 mil habitantes - é a cidade com maioria de população negra mais importante do Estado, em número de habitantes, orçamento e importância econômica.

Os dados fazem parte de um Estudo elaborado pelo professor Marcelo Paixão, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com base no Censo do IBGE 2000.

Este ano, o Governo Federal convocou a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que se realiza em Brasília de 25 a 28 deste mês, com a presença estimada de 1.500 delegados. A Conferência será aberta pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e terá a presença de ministros de Estado e delegações estrangeiras.

Por se constituir numa ação de Estado e não de Governo, foi replicada por todos os Estados, inclusive por S. Paulo, onde o governador José Serra, por decreto, convocou a Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial, que acontece na próxima semana – de 10 a 12/06, no Largo de S. Francisco, precedida de Conferências Municipais e Regionais. Na Semana passada, aconteceu a Conferência Regional, em Santos.

ENQUANTO ISSO

Em Cubatão, a prefeita Márcia Rosa, que já declarou ser favorável a ações afirmativas, simplesmente ignorou a Conferência, bem como demonstra não ter políticas públicas para tratar do grave tema do racismo e dos efeitos dos quase 400 anos de escravismo no país.

Aliás, já disse e repito: MR não tem Programa de Política Pública para coisa algum. Elegeu-se com Declarações genéricas de boas intenções e segue produzindo factóides, sem dar resposta aos problemas fundamentais com os quais a cidade se defronta há décadas.

O interessante é que a cidade até adotou cotas no serviço público, fruto da iniciativa da ex-vereadora Rozimeri de França Abreu. É a única na Baixada que tem algum tipo de ação afirmativa para a população auto-declarada afro-brasileira.

No Brasil, de acordo com a última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio, do IBGE, os negros correspondem a 49,7% da população – cerca de 92 milhões de brasileiros, que aparecem em desvantagem em todos os indicadores sócio-econômicos.

BOTUCATU

Como consultor de Políticas Públicas de Valorização da Diversidade, com experiência de ter sido Consultor da Unesco e coordenado o primeiro Programa de Ações Afirmativas no Brasil, no âmbito do Ministério da Educação, fui convidado e contratado para ajudar a fazer a Conferência Municipal de Igualdade Racial, de Botucatu, cidade a 225 Km de S. Paulo.

A Conferência foi aberta pelo próprio prefeito João Cury, do PSDB. Acima, a foto no qual estão ativistas e o vice-prefeito Antonio Luiz Caldas Jr., à minha direita).

A cidade, com uma população de 121 mil habitantes – igual a de Cubatão – e um orçamento previsto para 2009 de R$ 173.215.247,00 – sete vezes menor que o de Cubatão, que este ano é de R$ 801.827.000,00 (Oitocentos e hum milhões e oitococentos e vinte e sete mil).

Basta uma volta pelas ruas para se constatar as diferenças. Ruas limpas e bem cuidadas, serviços públicos funcionando, cidade com jeito de cidade. O PIB percapita é de R$ 18.668. Em Cubatão, nosso PIB é de R$ 45.120,10, de acordo com a Fundação Seade.

CIDADE NEGRA

Em Cubatão, de uma população de 107.124 habitantes, segundo o Censo do IBGE 2000, 55.406 se auto-declararam negros – pretos e pardos -, 47,9% de brancos, 0,2% de amarelos e 0,2% de indígenas.

Em São Paulo , só existem mais seis cidades com percentual de população negra maior - Nantes, Itaoca, Iporanga, Santopolis do Aguapeí, Sandovalina e Euclides da Cunha Paulista – todas cidades pequenas do interior e com pouca importância econômica.

Na Baixada, depois de Cubatão, Guarujá aparece com maior percentual de negros (45,3%) contra 54,1% de brancos, 0,3% de amarelos e 0,3% de indígenas. Santos tem apenas 20,9% de negros, 78% de brancos, 0,9% de amarelos e 0,2% de indígenas. Segundo o IBGE, em 2.000 a Baixada tinha uma população de 1.468.492 habitantes.

Nos nove municípios da região metropolitana (Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente) os negros correspondem a 34,7%; 64,4% são brancos, 0,5% de amarelos e 0,4% indígenas.

DESVANTAGEM

Mesmo contando com um parque industrial com indústrias de ponta, os trabalhadores negros de Cubatão ocupam a base da pirâmide social, com um rendimento médio mensal, que de acordo com o Estudo era de R$ 231,51 contra R$ 304,38 dos brancos – 31,5% menos.

A maior defasagem de renda média per capita entre negros e brancos, porém, acontece em Santos, onde negros tem uma renda 115,5% menor que os brancos: ganham R$ 378,76 enquanto a renda média per capita de um trabalhador branco chegava, segundo o Estudo a R$ 816,20.

A desvantagem também é grande no acesso à Educação. A taxa de analfabetismo para os negros em Cubatão é de 9,2% contra 6,7% dos brancos. Os negros correspondem a 59,8% do total da população analfabeta, contra 39,05 dos brancos.

Nos indicadores da pobreza e da indigência, os negros correspondem a 55,1% da população que vive nessa condição, contra 43,6% dos brancos. Entre os que vivem abaixo da linha de indigência 10,8% são negros, contra 6,8% de brancos.

ONDE ESTÁ O PROGRAMA DE GOVERNO

Os Programas de Governo, embora sejam por natureza universais, devem contemplar demandas nas áreas da Saúde, Educação, geração de trabalho e renda, direitos humanos, que são específicas para a população marcada pela exclusão social agravada pela herança de quase 400 anos de escravismo e de mais 121 anos de racismo pós-abolição.

O Brasil pratica o pior tipo de racismo do mundo, o racismo "invisível", que também chamo de racismo cordial, porque ninguém assume que o pratica. Seus efeitos, porém, são muito concretos e aparecem nos indicadores.

A discriminação racial é elemento estruturante da desigualdade social brasileira, e isso aparece com muita nitidez, em Cubatão, onde a população negra é majoritária.

É hora da população negra de Cubatão despertar para cobrar seus direitos, a começar pela exigência do Feriado em 20 de Novembro, uma Secretaria de Ações Afirmativas e Promoção da Igualdade, ou seja: políticas públicas para melhorar a qualidade de vida do povo em geral, incluindo, a população negra que tem demandas históricas específicas.

Fonte:
http://dojival.blogspot.com

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África do Sul relembra episódio que precipitou o fim do Apartheid

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17/06/2009 - 23h:52

A África do Sul comemorou nesta terça-feira o aniversário de 33 anos do evento conhecido como o "Levante de Soweto", considerado o início do fim do regime do Apartheid no país.

O regime segregacionista sul-africano terminou apenas em 1991, mas as sementes da sua ruína foram lançadas em 16 de junho de 1976, quando um grupo de estudantes negros se rebelou contra a ordem do governo que tornou obrigatório o ensino do africâner, o idioma de grande parte da classe dominante branca, e organizou uma manifestação ilegal no bairro de Soweto, em Johanesburgo.

Calcula-se que mais de 500 estudantes tenham morrido quando a polícia abriu fogo contra eles. A imagem de Hector Piterson, ferido mortalmente aos 13 anos, correu mundo.

No local do assassinato de Piterson, hoje existe um museu com o seu nome, e nesta terça-feira ele foi palco de uma série de eventos para lembrar a data, conhecida hoje como "Dia da Juventude".

"A nossa África do Sul começou a nascer naquele dia", diz Thabo Kubu, um dos organizadores do evento.

Resistência

Revoltados com a violência policial, os protestos se espalharam rapidamente por todo o país e levaram ao aumento da resistência negra. Milhares foram presos ou exilados.

"A repressão aumentou muito depois de 1976, mas não tínhamos medo, porque sabíamos que estávamos certos. Fui exilado em Angola, escutava que o mundo todo nos apoiava e isso nos dava muita força para seguir lutando", diz Kubu.

O estudante Emmanuel Bulala, de 17 anos, diz que sua geração colhe os frutos do passado já que pode "celebrar ao invés de lutar". "Hoje estamos em uma boa situação, a noção de viver em paz com os outros, de harmonia entre as raças, faz parte do caráter sul-africano", diz ele. Do outro lado da cidade, o branco e ex-militar John Gansh, relembra, bebendo em um restaurante português, os acontecimentos de 33 anos atrás, hoje transformados em um feriado nacional. "Eu era um garoto de 16 anos, me recordo que eram tempos difíceis e acho que a polícia só revidou a violência. Entrei no Exército naquele ano e fui combater a guerrilha na fronteira do que hoje é a Namíbia, onde vivi muitas situações de combate com negros", diz.

"País melhor""Mas nunca fui racista. Mesmo durante o Apartheid, tinha amigos negros. Acredito que a África do Sul é um país melhor hoje por ser democrática, embora tenha problemas sérios como corrupção e violência."

Gansh afirma que não gosta do tratamento dado, no país e no mundo, ao ex-prisioneiro político Nelson Mandela. "Ele deveria ter sido executado. Foi responsável pela morte de pessoas, não é um herói", diz. O analista político Joseph Oesi afirma que a questão racial "só será completamente resolvida no país em duas ou três gerações". "O país, como nós, os negros, o enxergamos, ainda é muito novo." Mas muitos, como Kubu e o jovem Bulala, se dizem satisfeitos com este novo país e a forma como vem lidando com a questão da integração racial. "No meio do conflito, não nos perdemos, mas conseguimos nos encontrar. E o que vejo hoje é um povo que não permitiu que o rancor fizesse parte de sua identidade nacional", diz Kubu.

Fonte: BBC Brasil

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Juan pede pelo fim do racismo no mundo

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17/06/2009 - 23h:32

Gazetaweb
Na África do Sul, zagueiro da seleção aproveita feriado para discutir a questão racial

Pretória (África do Sul) - Feriado na África do Sul, a data do dia 16 junho marca o “Massacre de Soweto”, que faz 33 anos nesta terça-feira. Em 1976, quando vigorava o Apartheid, sistema de segregação racial entre negros e brancos, crianças e estudantes negros foram mortos por policiais brancos do governo durante uma manifestação contra medidas opressoras adotadas nas escolas sul-africanas.

Aproveitando a ocasião, o zagueiro Juan, que se concentra com a seleção em Pretória, deu o seu recado ao mundo e pediu o fim do preconceito racial.

"A gente só pede uma comunicação melhor entre as raças. Quem vai ganhar é o mundo", afirma Juan.

Fonte: Jornal dos Esportes

http://jsports.uol.com.br/portal/processa.php?modulo=montasecao&secao=7&materia=85669

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Cota para negros mobiliza a SPFW

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17/06/2009 - 23h:23

Temporada do verão 2009/10 começa hoje; associação franciscana planeja protesto com modelos afrodescendentes

Para a estilista Clô Orozco, agências não oferecem opções de modelos, que deveriam ser procurados em escolas da periferia

GUSTAVO FIORATTI
DA REPORTAGEM LOCAL

Habitualmente afastada dos problemas sociais, a moda brasileira -quem diria- se tornou nos últimos dias o palco de uma batalha contra a discriminação dos negros no país. As cenas principais dessa disputa deverão ser travadas na SPFW (São Paulo Fashion Week), cujos desfiles da temporada verão 2009/10 começam hoje.

Conforme um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado há menos de um mês entre o Ministério Público e a organização do evento, 10% dos modelos de cada desfile devem ser negros, afrodescendentes ou indígenas.

O inquérito se baseou em reportagens da Folha feitas em janeiro de 2008. Dos 344 modelos que desfilaram naquela temporada, apenas oito (2,3% do total) eram negros, conforme contagem feita pelo jornal.

Quem vai colocar mais lenha na fogueira é a associação franciscana Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), que está organizando um desfile-manifesto no parque Ibirapuera, onde a semana de moda é realizada.

A manifestação prevê uma passarela só com modelos negros, embaixo da marquise do parque, ao lado do MAM (Museu de Arte Moderna).

A associação também quer fiscalizar o cumprimento da "cota". Pediu dois convites por desfile à SPFW, para poder contar o número de negros -o que nem mesmo a Promotoria planejou fazer.

Relatório final
Caso a quantidade de 10% por desfile não seja atingida, a organização da SPFW pode ser multada em R$ 250 mil. Até 30 dias após o fim da temporada, o evento terá de elaborar uma relação completa dos modelos que desfilaram, apontando o nome dos "que se inserem no critério", como diz o TAC. É possível justificar o descumprimento: o Ministério Público aceita, por exemplo, que a alguns temas de desfiles não cabe a participação de negros.

A diretora de casting Roberta Marzolla, responsável pela seleção de modelos de Alexandre Herchcovitch, André Lima, Ronaldo Fraga e Wilson Ranieri, acredita que a medida será respeitada. "Acho que as marcas vão cumprir a cota", afirma. Segundo Marzolla, quatro negras participarão do desfile de Herchcovitch, que tem um casting com 30 modelos. Para o desfile de Ronaldo Fraga, cinco negros e uma indígena passaram pelo teste, que prevê um time de quase 40 modelos. Os desfiles da SPFW já revelaram belas modelos negras, como Gracie Carvalho e Ana Bela. Agora, é possível que a "cota" mostre ao público mais algumas new faces, como a baiana Indira Carvalho (da agência 40 Graus), a paraibana Ismênia (da EG Models) e a paulista Jaine (da Way Model).

Mundinho da Oscar Freire
Marzolla diz que percebeu uma "movimentação" nas agências. "Elas traziam poucas negras e agora estão apresentando mais possibilidades de testes", constata. Duas das principais agências de modelos do país, a Ford e a Way, dizem, porém, que não se preocuparam em aumentar o número de negros em seus castings depois do acordo da SPFW com o Ministério Público. "Já temos negros. Sempre tivemos", diz o diretor da Ford Models, Marco Aurélio Rey.

"Estamos sempre em busca de mais modelos, independentemente da raça. Não fomos atrás de mais negros", afirma o diretor da Way Model, Anderson Baumgartner. Para ele, as negras são pouco numerosas em desfiles porque não têm o biotipo desejado pelos estilistas. "Elas são mais gostosonas; muitas têm um bumbum um pouco maior", justifica.

O estilista e empresário Alberto Hiar, da Cavalera, tem outra explicação para o baixo índice de negros na SPFW. "Os afrodescendentes não estão nos restaurantes e nos lugares onde os olheiros estão. Você vê uma quantidade muito pequena deles na Oscar Freire", diz.

Para a estilista Clô Orozco, é antiga a "despreocupação" das agências em apresentar modelos negros. "Eu dependo do que eles [os agentes] me trazem", diz. "Acho que deveriam ir para lugares diferentes, por exemplo, a colégios da periferia."
"O problema é que o mundinho da moda está restrito à Oscar Freire", desfere Hélder Dias Araújo, dono da HDA Models, agência só de negros, que até agora não conseguiu emplacar nenhum de seus modelos nesta edição do evento.

Fonte: Folha de S. Paulo


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1706200908.htm

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A cota de sucesso da turma do ProUni

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17/06/2009 - 23h:20

Os pobres que entraram nas universidades privadas deram uma aula aos demófobos do andar de cima

A DEMOFOBIA pedagógica perdeu mais uma para a teimosa insubordinação dos jovens pobres e negros. Ao longo dos últimos anos o elitismo convencional ensinou que, se um sistema de cotas levasse estudantes negros para as universidades públicas, eles não seriam capazes de acompanhar as aulas e acabariam fugindo das escolas. Lorota. Cinco anos de vigência das cotas na UFRJ e na Federal da Bahia ensinaram que os cotistas conseguem um desempenho médio equivalente ao dos demais estudantes, com menor taxa de evasão. Quando Nosso Guia criou o ProUni, abrindo o sistema de bolsas em faculdades privadas para jovens de baixa renda (põe baixa nisso, 1,5 salário mínimo per capita de renda familiar para a bolsa integral), com cotas para negros, foi acusado de nivelar por baixo o acesso ao ensino superior. De novo, especulou-se que os pobres, por serem pobres, teriam dificuldade para se manter nas escolas.

Os repórteres Denise Menchen e Antonio Gois contaram que, pela segunda vez em dois anos, o desempenho dos bolsistas do ProUni ficou acima da média dos demais estudantes que prestaram o Provão. Em 2004, os beneficiados foram cerca de 130 mil jovens que dificilmente chegariam ao ensino superior (45% dos bolsistas do ProUni são afrodescendentes, ou descendentes de escravos, para quem não gosta da expressão). O DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino foram ao Supremo Tribunal Federal, arguindo a inconstitucionalidade dos mecanismos do ProUni. Sustentam que a preferência pelos estudantes pobres e as cotas para negros (igualmente pobres) ofendiam a noção segundo a qual todos são iguais perante a lei. O caso ainda não foi julgado pelo tribunal, mas já foi relatado pelo ministro Carlos Ayres Britto, em voto memorável. Ele lembrou um trecho da Oração aos Moços de Rui Barbosa: "Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".

A "Oração aos Moços" é de 1921, quando Rui já prevalecera com sua contribuição abolicionista. A discussão em torno do sistema de acesso dos afrodescendentes às universidades teve a virtude de chamar a atenção para o passado e para a esplêndida produção historiográfica sobre a situação do negro brasileiro no final do século 19. Acaba de sair um livro exemplar dessa qualidade, é "O jogo da Dissimulação - Abolição e Cidadania Negra no Brasil", da professora Wlamyra de Albuquerque, da Federal da Bahia. Ela mostra o que foi o peso da cor. Dezesseis negros africanos que chegaram à Bahia em 1877 para comerciar foram deportados, apesar de serem súditos britânicos. Negros ingleses negros eram, e o Brasil não seria o lugar deles.

A professora Albuquerque transcreve em seu livro uma carta de escravos libertos endereçada a Rui Barbosa em 1889, um ano depois da Abolição. Nela havia um pleito, que demorou para começar a ser atendido, mas que o DEM e os donos de faculdades ainda lutam para derrubar:
"Nossos filhos jazem imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guiá-los por meio da instrução".

A comissão pedia o cumprimento de uma lei de 1871 que prometia educação para os libertos. Mais de cem anos depois, iniciativas como o ProUni mostraram não só que isso era possível mas que, surgindo a oportunidade, a garotada faria bonito.

Fonte: Folha de S. Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1706200904.htm

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Bola da Copa das Confederações homenageia África do Sul

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16/06/2009 - 23h:45

Globo Esporte
A 'Kopanya" está à venda no Brasil em três modelos: bola oficial por R$ 399,99, réplica por R$ 49,90 e a mini-bola por R$ 39,90

Com design diferenciado, a Adidas homenageia o país-sede do torneio com as cores vibrantes da bandeira nacional da África do Sul. A Kopanya, que tem o significado de unir, é construída por quatorze gomos que utilizam tecnologia Thermal Bounded, ligação térmica em que os gomos da bola são colados, ao invés de costurados.

GLOBOESPORTE.COM
Johanesburgo, África do Sul

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