Edilson Nascimento

Deputados articulam frente pela igualdade racial

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04/07/2009 - 22h:29

Os deputados estaduais Isaltino Nascimento (PT-PE), José Cândido (PT-SP) e Maria Tereza Lara (PT-MG), vereadores de vários partidos e municípios terão encontro em Brasília, no próximo dia 15, para articular a criação da Frente Parlamentar Nacional pela Promoção da Igualdade Racial. O ministro Edson Santos (Sepir) e o secretário-adjunto Eloi Ferreira de Araújo também participarão do encontro na capital federal.

Os deputados e os vereadores decidiram criar a Frente Parlamentar Nacional pela Promoção da Igualdade Racial durante a II Conapir. A intenção do grupo é a frente trabalhe pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e no projeto de lei de cotas. Ambos tramitam no Congresso.

“Precisamos tornar público o conteúdo do Estatuto da Igualdade Racial e mostrar a importância de sua aprovação para a sociedade, conquistando mais parceiros nesta mobilização” ressaltou Isaltino, que participou da II Conapir, entre os dias 25 e 28 de junho. No encontro, eles trataram da aplicação das políticas de promoção da igualdade racial em estados e municípios brasileiros.



Igualdade Racial


Escrito por Assessoria de Imprensa



http://isaltinopt. com.br/index. php?option= com_frontpage&Itemid=1

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Além das cotas, é preciso um padrão de beleza diferente

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03/07/2009 - 22h:16

Agência Fotosite
Lideranças do movimento negro defendem o termo de ajustamento de conduta firmado entre o MP e a São Paulo Fashion Week, mas defendem a criação de um padrão de beleza brasileiro, considerando a proporção de pessoas afrodescendentes

Por: Gilson Monteiro, Jornal Brasil Atual

Acordo abre espaço para maior participação de negros e índios no maior evento de moda do Brasil e causa polêmica. Termo de Ajustamento de Conduta fechado entre o Ministério Público e os organizadores da São Paulo Fashion Week na semana passada, a partir de agora, pelo menos 10% dos modelos que vierem a passear pelas passarelas deverão ser negros, afrodescendentes ou indígenas.

O objetivo é estimular a igualdade racial entre modelos que desfilam na São Paulo Fashion Week. Para Sandra Mariano, da Coordenação de Entidades Negras, a novidade serve para reforçar o que se busca há muito tempo em termos de igualdade. “A cota é uma medida para que as pessoas se sensibilizem e não precisemos usar dessas armas ou ações para poder falar que o negro tem que estar inserido em qualquer espaço”, declarou.

A proposta já gera polêmica. Diversas grifes já demonstraram descontentamento com a medida. Entre os termos está a obrigação do envio de um documento, em até 30 dias após os desfiles, que comprovará que os termos do acordo foram cumpridos. Se não respeitar qualquer das cláusulas dispostas no termo, os organizadores da São Paulo Fashion Week poderão pagar uma multa de R$ 250 mil.

Novo padrão de beleza

O coordenador da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT, Marcos Benedito, aprova o acordo. “Essa medida do Ministério Público pode contribuir efetivamente para que superemos essa dificuldade”, sustenta. “Obviamente tem de haver um trabalho de conscientização, de reeducação, no sentido de mostrar para a população que o padrão de beleza europeu não serve para o Brasil, a partir do momento em que a população afrodescentente já é maioria e temos de estabelecer um outro padrão de beleza”, lembra.

Segundo Marcos Benedito, pesquisas recentes indicam que a partir de 2010 a população negra será a maioria no Brasil. O estabelecimento de contas para negros em escolas e no trabalho é um dos pontos que ainda causam polêmica.

A proposta consta do projeto de lei que cria o Estatuto da Igualdade Racial e está para ser votado na Câmara dos Deputados. Dentre outras questões, o texto estabelece que filmes e programas de televisão deverão destinar, pelo menos 20% do elenco a atores e figurantes negros.

Fonte: Rede Brasil atual

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Torcida gremista faz gestos racistas contra jogadores do Cruzeiro

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03/07/2009 - 21h:55

Elicarlos e Leonardo Silva foram os alvos da ira dos torcedores

Apesar de toda a campanha contra o racismo feita pela diretoria do Grêmio e também pelos meios de comunicação do país inteiro, alguns torcedores do Grêmio imitaram um macaco (Uh, Uh, Uh) quando o jogador Elicarlos foi para a pista atlética para entrar no segundo tempo da partida. Os gritos racistas também foram escutados quando o zagueiro Leonardo Silva fez cera. – Temos que identificar e expulsar estas pessoas do clube – disse o presidente Duda Kroeff.

Fonte: clicEsportes

http://www.clicrbs.com.br/esportes/rs/noticias/futebol-gremio,2567055,Torcida-gremista-faz-gestos-racistas-contra-jogadores-do-Cruzeiro.html

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Afro Imagem: A heroína Maria Felipa

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03/07/2009 - 21h:51

A Tarde online
A imagem de hoje é uma ilustração que retrata Maria Felipa de autoria de Bruno Aziz. Ela foi feita para o caderno especial A Festa da Bahia que sai encartado na edição de amanhã do jornal A TARDE.

O caderno traz matérias mostrando como a festa está presente no imaginário baiano e também tem dicas pedagógicas para o uso em sala de aula. Um dos textos é sobre a participação feminina na guerra mostrando não apenas as figuras conhecidas de Joana Angélica e Maria Quitéria.

Assinado pela repórter Amélia Vieira, o texto dá destaque à líder Maria Felipa, cuja história começa a ser resgatada. Maria Felipa é conhecida por liderar um grupo de mulheres na Ilha de Itaparica. Elas combateram os portugueses utilizando, principalmente, a inteligência como estratégia.

A heroína,inclusive, dá nome a uma comenda distribuída pela Semur.

Fonte: A Tarde Online - Blog Mundo Afro

http://mundoafro.atarde.com.br/

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Centro atenderá 500 famílias de quilombolas

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01/07/2009 - 22h:04

Oliveira Júnior
Correspondente

JANAÚBA – O território do Quilombo do Gorutuba recebe, a partir deste mês, um importante benefício. Trata-se do acompanhamento efetivo do sistema de assistência social adotado pela prefeitura de Janaúba. Com equipe própria de profissionais, tanto da área de serviço social quanto de saúde, a prefeitura dará suporte às famílias de quilombolas.

Na semana passada foi inaugurado o CRAS – Centro de Referência de Assistência Social – destinado ao território do quilombo. O centro está instalado no distrito de Vila Nova dos Poções. O CRAS Quilombola foi instituído pela parceria entre a prefeitura de Janaúba e o ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

O prefeito José Benedito Nunes Neto,PT, destaca que o objetivo do centro é conceder o atendimento mais qualificado às famílias de comunidades quilombolas remanescentes espalhadas pela região. Cerca de 500 famílias serão atendidas no CRAS, que ficará responsável pelo seu monitoramento e encaminhamento.

- A unidade se soma a outras duas já existentes em Janaúba, que oferecem cursos e oficinas de capacitação, ações de estímulo à inclusão produtiva e ao associativismo, além de atividades para jovens e para a terceira idade, dentre outras – comentou o prefeito.

Fonte: O Norte de Minas

http://www.onorte.net/noticias.php?id=21589

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Ramires revela que já foi vítima de racismo

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01/07/2009 - 22h:02

internet
Volante foi chamado de "macaquito" contra o San Lorenzo em 2008

LANCEPRESS!

A partir da polêmica questão de racismo que envolveu o volante Elicarlos e o atacante Maxi López na última semana, Ramires, de volta ao Cruzeiro, revelou que também já foi vítima de preconceito racial. Foi na partida entre Cruzeiro e San Lorenzo, pela Copa Libertadores do ano passado, em Ipatinga.

- Foi um atacante, mas não lembro o nome. Me chamou de "macaquito" também. Deixei para lá, resolvemos dentro de campo mesmo - afirmou o camisa 8 celeste.

Ramires demonstrou bom humor e completou:

- No jogo, ficamos com o sangue quente. Mas toda vez que eu ia dividir a bola com ele, eu entrava com um pouco mais de força.

A partida em questão foi vencida pela Raposa por 3 a 1. Marcelo Moreno, duas vezes, e Wagner fizeram os gols para o Cruzeiro. Silvera descontou para os argentinos.

Fonte: LanceNet

http://www.lancenet.com.br/cruzeiro/noticias/09-06-30/572541.stm?futebol-ramires-revela-que-ja-foi-vitima-de-racismo

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A necessidade premente da implementação de ações afirmativas face à realidade desfavorável do mercado de trabalho para a raça negra no Brasil

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01/07/2009 - 21h:41

Por Ravênia Márcia de Oliveira Leite

Segundo Bernadette Renauld, “as ações afirmativas se definem como políticas públicas (e privadas) voltadas à concretização do princípio constitucional da igualdade material e à neutralização dos efeitos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de compleição física. Na sua compreensão, a igualdade deixa de ser simplesmente um princípio jurídico a ser respeitado por todos, e passa a ser um objetivo constitucional a ser alcançado pelo Estado e pela sociedade”.

Joaquim B. Barbosa Gomes afirma que as ações afirmativas “impostas ou sugeridas pelo Estado, por seus entes vinculados e até mesmo por entidades puramente privadas, elas visam a combater não somente as manifestações flagrantes de discriminação, mas também a discriminação de fato, de fundo cultural, estrutural, enraizada na sociedade. De cunho pedagógico e não raramente impregnadas de um caráter de exemplaridade, têm como meta, também, o engendramento de transformações culturais e sociais relevantes, aptas a inculcar nos atores sociais a utilidade e a necessidade da observância dos princípios do pluralismo e da diversidade nas mais diversas esferas do convívio humano”.

Continua o ilustre membro do Ministério Público Federal alhures mencionado “por outro lado, constituem, por assim dizer, a mais eloqüente manifestação da moderna idéia de Estado promovente, atuante, eis que de sua concepção, implantação e delimitação jurídica participam todos os órgãos estatais essenciais, aí se incluindo o Poder Judiciário, que ora se apresenta no seu tradicional papel de guardião da integridade do sistema jurídico como um todo e especialmentedos direitos fundamentais, ora como instituição formuladora de políticas tendentes a corrigir as distorções provocadas pela discriminação. Trata-se, em suma, de um mecanismo sócio-jurídico destinado a viabilizar primordialmente a harmonia e a paz social, que são seriamente perturbadas quando um grupo social expressivo se vê à margem do processo produtivo e dos benefícios do progresso, bem como a robustecer o próprio desenvolvimento econômico do país, na medida em que a universalização do acesso à educação e ao mercado de trabalho tem como conseqüência inexorável o crescimento macroeconômico, a ampliação generalizada dos negócios, numa palavra, o crescimento do país como um todo”.

Por fim, arremeta o ilustre membro do parquet federal “nesse sentido, não se deve perder de vista o fato de que a história universal não registra, na era contemporânea, nenhum exemplo de nação que tenha se erguido de uma condição periférica à de potência econômica e política, digna de respeito na cena política internacional, mantendo no plano doméstico uma política de exclusão, aberta ou dissimulada, legal ou meramente informal, em relação a uma parcela expressiva de seu povo. As ações afirmativas constituem, pois, um remédio de razoável eficácia para esses males”.

O “American Apartheid - Massey & Denton” e o “America Unequal - Danziger & Gottschalk” esclarevem que “as ações afirmativas têm como objetivo não apenas coibir a discriminação do presente, mas sobretudo eliminar os efeitos persistentes (psicológicos, culturais e comportamentais) da discriminação do passado, que tendem a se perpetuar. Esses efeitos se revelam na chamada discriminação estrutural, espelhada nas abismais desigualdades sociais entre grupos dominantes e grupos marginalizados. Figura também como meta das ações afirmativas a implantação de uma certa diversidade e de uma maior representatividade dos grupos minoritários nos mais diversos domínios de atividade pública e privada.

Segundo leciona Petrônio Domingues, “em 2001, aconteceu a III Conferência Mundial contra o Racismo, a Xenofobia e as Intolerâncias Correlatas, em Durban, África do Sul. Nesse evento, foi aprovado uma declaração e um plano de ação, sendo o Brasil um de seus signatários. No seu plano de ação, a III Conferência Mundial recomendava, entre outras medidas, que os Estados desenvolvessem ações afirmativas ou medidas de ação positivas, para promoverem o acesso de grupos de indivíduos que são ou podem vir a ser vítimas de discriminação racial”.

A III Conferência Mundial, que foi um marco na luta anti-racista em escala internacional, teve reflexo interno. Assim, após muita pressão do movimento negro brasileiro, o governo lançou o Programa Nacional de Direitos Humanos II, em 2002, que foi um conjunto de medidas apresentadas na perspectiva de promover os direitos da população negra, recomendando “[...] adotar, no âmbito da União, e estimular a adoção, pelos estados e municípios, de medidas de caráter compensatório que visem a eliminação da discriminação racial e a promoção da igualdade de oportunidades, tais como: ampliação do acesso dos/as afrodescendentes às universidades públicas, aos cursos profissionalizantes, às áreas de tecnologia de ponta, aos grupos e empregos públicos, inclusive cargos em comissão, de forma proporcional à sua representação no conjunto da sociedade brasileira”.

Entretanto conforme comprovado pelos estudos do economista Ademir Figueiredo, do DIEESE, as ações afirmativas, no Brasil, ainda não conseguiram reparar um mal histórico sofrido pela raça negra no plano do mercado de trabalho, por exemplo.

Os resultados da pesquisa "Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho" realizada pelo DIEESE para o INSPIR- Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial demonstram uma situação de reiterada desigualdade para os trabalhadores negros, de ambos os sexos, no mercado de trabalho das seis regiões metropolitanas estudadas.

Segundo o DIEESE “a coerência dos resultados em nível nacional revela que a discriminação racial é um fato cotidiano, interferindo em todos os espaços do mercado de trabalho brasileiro. Nenhum outro fato, que não a utilização de critérios discriminatórios baseados na cor dos indivíduos, pode explicar os indicadores sistematicamente desfavoráveis aos trabalhadores negros, seja qual for o aspecto considerado. Mais ainda, os resultados permitem concluir que a discriminação racial sobrepõe-se à discriminação por sexo, combinando-se a esta para constituir o cenário de aguda dificuldade em que vivem as mulheres negras, atingidas por ambas”.

A comparação das taxas de desemprego nas diferentes regiões mostra que, em Salvador, a taxa de desemprego entre os negros é 45% maior que entre os não-negros, apresentando cerca de 8 pontos percentuais de diferença (25,7% entre os negros e 17,7% entre os não-negros). Em São Paulo, ocorre fenômeno semelhante, com uma distância de 40% entre as taxas de desemprego entre as duas raças. Ainda que em proporções elevadas, os menores diferenciais ocorrem no Distrito Federal e em Recife.

No total das regiões, 50% dos desempregados são negros, o que corresponde a 1.479.000 pessoas, em 1998. Em Salvador, os negros são 86,4% dos desempregados e, em Recife e no Distrito Federal, cerca de 68%. Já em Porto Alegre, representam 15,4% do total de desempregados. Em São Paulo os negros desempregados são 650 mil pessoas e representam 40% dos desempregados desta região metropolitana. Nas regiões metropolitanas de São Paulo, Salvador e Porto Alegre, a cor discrimina mais no desemprego que o sexo do trabalhador, ou seja, as taxas de desemprego são maiores entre os homens e mulheres negros que entre as mulheres não-negras. O mesmo efeito discriminatório da cor se verifica na comparação entre as taxas de desemprego entre os homens negros e os não-negros. As maiores diferenças nestas taxas encontram-se em Salvador, onde o desemprego entre os homens negros é 57,9% maior que entre os homens não-negros, e em São Paulo, onde esta diferença é de 51,4%.

Em todas as regiões, as mulheres negras apresentam as maiores taxas de desemprego. No entanto, as diferenças destas taxas entre as mulheres negras e não-negras são consideravelmente menores do que entre os homens, variando do maior patamar, 36,0% de diferença em Salvador, até o menor (6,7%), no Distrito Federal.

O rendimento é o indicador fundamental em relação à qualidade de vida e trabalho. Este parâmetro define, por si, a situação social de um indivíduo ou um grupo e seus diferenciais indicam, de forma concreta, como a riqueza se distribui em uma sociedade.

Os rendimentos dos trabalhadores e trabalhadoras negros são sistematicamente inferiores aos rendimentos dos não-negros, quaisquer que sejam as situações ou os atributos considerados.

Verifica se um conjunto de fatores que reúne desde a entrada precoce no mercado de trabalho, a maior inserção da população negra nos setores menos dinâmicos da economia, a elevada participação em postos de trabalho precários e em atividades não-qualificadas e as dificuldades que cercam as mulheres negras no trabalho.

Em primeiro lugar, é necessário considerar que os patamares de rendimentos da população em geral são baixos. Mas, a desigualdade que caracteriza a situação dos negros mostra-se com bastante clareza quando comparados os rendimentos entre as duas raças, pois os dos negros são, em média, cerca de 60% dos auferidos pelos não-negros.

Tomando como base os homens não-negros, que estão no topo da escala de rendimentos, as diferenças são bastante acentuadas não apenas no que se refere aos homens, mas especialmente às mulheres negras, que apresentam os níveis mais baixos de rendimentos em todas as situações.

A situação apresentada por estes dados revela um aspecto crucial da desigualdade social no Brasil: ela resulta não apenas sobre a injusta distribuição da riqueza gerada e de políticas econômicas que beneficiam grupos privilegiados desta sociedade, em detrimento dos trabalhadores. Está calcada também sobre diferenciações e comportamentos discriminatórios disseminados por todo o país.

Para Mario Theodoro “sessenta por cento dos trabalhadores negros têm rendimento de até dois salários mínimos. Os negros são a maioria nos setores de atividade econômica com maior jornada de trabalho (como emprego doméstico, 60,8%); com uso mais intensivo da força física de trabalho (construção civil, 59,5%) e historicamente menos protegidos pelo sistema previdenciário (setor agrícola, 60,4%). Os negros formam a maioria dos trabalhadores sem carteira assinada (55,3%)”.

Continua o estudioso mencionado, “por outro lado, os negros são minoria no conjunto dos trabalhadores com melhor remuneração e melhor condição de trabalho. Dos empregados com carteira de trabalho assinada, apenas 43,2% são negros. Dentro da administração pública (onde há estabilidade de emprego, entre outras vantagens), os negros também são minoria (41,3%). Menos de um quarto dos empregadores (empresários) são negros”.

“O mercado de trabalho é um dos temas mais caros. A população que mais trabalhou é a que foi mais excluída”, sintetizou o sociólogo João Carlos Nogueira, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O referido sociólogo ligou a situação do mercado de trabalho com a qualificação e formação profissional, segundo ele, há um “círculo vicioso”: “a ausência de maior número de meninos e meninas negras no ensino fundamental diminui o ingresso no ensino técnico”, apontou.

Segundo dados do Dieese, 24,6% dos negros com mais de 15 anos não têm instrução alguma; 42,8% têm o ensino fundamental incompleto. No topo da pirâmide, com ensino superior completo apenas 2,3% dos negros, enquanto entre os não negros o percentual é de 8,8%.

O diretor de cooperação e desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mário Lisboa Theodoro apontou que o mercado de trabalho e a questão racial “são o grande problema do país”. O diretor rememorou que no século passado o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo, no entanto, manteve a estrutura social anterior à modernização da economia. “Que capacidade é essa da nossa sociedade de crescer tanto, mas gerar tanta pobreza?”, indagou.

Na avaliação de Mário Theodoro, os negros foram mantidos excluídos antes e depois da escravidão. “O negro saiu da escravidão para o desemprego, lembrando que após a abolição da escravatura, em 1888, houve substituição da mão de obra negra pela força de trabalho imigrante; e que antes disso a Lei de Terras (1850) manteve as terras com os senhores que ganharam a propriedade quando o país era colônia de Portugal. Os negros quando libertos não tiveram acesso à terra e ficaram sem trabalho”.

Para o diretor do Ipea, os efeitos da escravidão e da abolição são sentidos até hoje em situações cotidianas como a informalidade dos vínculos de emprego que aflige mais aos negros. “Se a história do Brasil fosse uma semana, poderíamos dizer que a escravidão durou de segunda a sexta, cinco sétimos da nossa história”. Para ele, é fundamental tratar a condição do negro no mercado de trabalho. “Enquanto não se discutir a questão racial e o racismo, nós vamos ter um país desigual”.

Conclui o DIEESE, visão a qual aqui se filia, pela concisão e verdade das idéias esposadas, “a justiça social, a igualdade de oportunidades, a cidadania plena, enfim, as condições que ofereçam a todos uma igual distribuição das possibilidades de obter seu sustento e a plena realização de suas capacidades passam, necessariamente, pela construção da igualdade racial no Brasil”.

Referências Bibliográficas:
1. http://glaucocortez.wordpress.com/2009/06/28/negro-trabalha-mais-e-ganha-menos-diz-pesquisa-de-economista-do-dieese/
2. http://www.dieese.org.br/esp/negro.xml
3. http://lpp-uerj.net/olped/documentos/ppcor/0049.pdf
4.http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-24782005000200013&script=sci_arttext&tlng=pt

Revista Jus Vigilantibus, Quarta-feira, 1º de julho de 2009

http://jusvi.com/colunas/40774

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Ministério Público vai apurar denúncia de racismo de conselheiro gremista

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01/07/2009 - 21h:38

Manifestação foi feita com comentários sobre polêmica envolvenda Maxi López e jogador do Cruzeiro.

Da Redação

Porto Alegre - A Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre instaurou inquérito civil para averiguar uma denúncia recebida na manhã desta quarta-feira de que um conselheiro do Grêmio teria proferido termos racistas durante um programa de rádio na última segunda. A manifestação teria como alvo o jogador Elicarlos, do Cruzeiro, que amanhã decide a vaga para a final da Copa Libertadores com o Tricolor.

No depoimento prestado nesta manhã, na sede do Ministério Público, o presidente da Associação Comunitária Rosa Osório Marques – Quilombo Morro Alto, Wilson Marques da Rosa, acompanhado pelo advogado do Movimento Negro Unificado, Onir de Araújo, relatou que, no programa, o conselheiro do Grêmio passou a incentivar que os ouvintes chamassem os negros de "macacos". Ele também disse que os próprios torcedores do Inter chamam-se de "macacos" entre si. Os depoentes revelaram que o conselheiro teria, inclusive, incentivado que quando Elicarlos estivesse com a posse da bola os torcedores o ofendessem.

Conforme Marques, com base nessa introdução de cunho racista, o denunciado teria passado a desferir ataques pouco qualificados às políticas de cotas. Os depoentes afirmaram ao MP que, no mesmo programa, o conselheiro gremista teria incentivado o torcedor tricolor a "se referir à mãe do jogador como se refere à mãe dos juízes". Ele teria insinuado, igualmente, que um negro não ocuparia cargo de dirigente do Grêmio ou do Inter. Wilson Marques frisou que esta não é a primeira vez que o mesmo conselheiro do Grêmio se manifesta nos meios de comunicação de maneira racista.

A promotora de Justiça Míriam Balestro Floriano informou que irá investigar o caso "sob a ótica dos direitos humanos". Para isso, requisitou que a emissora de rádio encaminhe cópia do programa citado, onde será examinada a contextualização dos fatos. Além disso, solicitou a instauração de inquérito policial à Delegacia de Polícia e remessa de cópias à Promotoria de Justiça Criminal. O Grêmio será oficiado para que preste esclarecimentos. Da mesma forma, será encaminhado ofício à Comissão de Ética da OAB/RS para conhecimento acerca das declarações prestadas perante o Ministério Público.

"É preciso investigar-se com precisão qualquer denúncia que atente contra a dignidade da pessoa humana e, ainda, incite a transgressão da almejada paz nos estádios", finalizou Míriam.

Fonte: Diário de Canoas

http://www.diariodecanoas.com.br/site/esportes/internacional,canal-14,ed-101,ct-323,cd-203237.htm

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Jobim defende tranferência de comunidades de Alcântara

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01/07/2009 - 21h:36

Agência Brasil

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu nesta quarta-feira (1º) a ampliação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) em direção às áreas destinadas a comunidades quilombolas. Segundo ele, Alcântara está seriamente vinculado à estratégia de defesa nacional. As declarações do ministro foram feitas durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

“Esta é uma questão internacional e não podemos ser ingênuos. Há outros países interessados em não deixar que o Brasil seja incluído no fechado círculo dos países lançadores de foguetes”, disse o ministro. “Como está, o CLA terá apenas três bases de lançamento. Mas se nossa proposta prevalecer, poderemos aumentar esse número para 15”, completou.

A base de Alcântara, destacou Jobim, tem uma série de vantagens em relação aos principais centros mundiais de lançamento. “É o mais amplo cone de lançamento do planeta. Não há, no mundo, nenhum centro de lançamento com tamanho ângulo de abrangência, e isso implicará, para o país, em um baixíssimo custo para lançamento de foguetes.”

O minsitro lembrou que a área destinada ao CLA era, em 1983, de 62 mil hectares e que, desde 1991, após a apresentação de um relatório antropológico sobre a comunidade quilombola da região, essa área baixou para 8.713 hectares.

“Vamos propor que o CLA aumente em 11.287 hectares, e que os dois mil habitantes da região sejam transferidos para uma área próxima, de 66.713 hectares, onde já existem 1,8 mil habitantes quilombola. Essa é a proposta que tenho defendido junto ao presidente Lula”, disse. “Não podemos perder essa expansão [para 15 bases de lançamento]”, enfatizou.

Para convencer os senadores de que a mudança resultará em benefícios para as comunidades, o ministro apresentou algumas estruturas de assentamento já destinadas a outros quilombolas.

“É uma questão de responsabilidade. O que foi feito pelas Forças Armadas junto a essas comunidades resultou em melhoria de suas condições de vida. A questão, então, é saber qual é o custo benefício. Podemos ter 15 bases no melhor ponto do mundo para lançamento de foguetes”, afirmou.

http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=5&id_noticia=291121

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Jobim defende tranferência de comunidades de Alcântara

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01/07/2009 - 21h:35

Agência Brasil

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu nesta quarta-feira (1º) a ampliação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) em direção às áreas destinadas a comunidades quilombolas. Segundo ele, Alcântara está seriamente vinculado à estratégia de defesa nacional. As declarações do ministro foram feitas durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

“Esta é uma questão internacional e não podemos ser ingênuos. Há outros países interessados em não deixar que o Brasil seja incluído no fechado círculo dos países lançadores de foguetes”, disse o ministro. “Como está, o CLA terá apenas três bases de lançamento. Mas se nossa proposta prevalecer, poderemos aumentar esse número para 15”, completou.

A base de Alcântara, destacou Jobim, tem uma série de vantagens em relação aos principais centros mundiais de lançamento. “É o mais amplo cone de lançamento do planeta. Não há, no mundo, nenhum centro de lançamento com tamanho ângulo de abrangência, e isso implicará, para o país, em um baixíssimo custo para lançamento de foguetes.”

O minsitro lembrou que a área destinada ao CLA era, em 1983, de 62 mil hectares e que, desde 1991, após a apresentação de um relatório antropológico sobre a comunidade quilombola da região, essa área baixou para 8.713 hectares.

“Vamos propor que o CLA aumente em 11.287 hectares, e que os dois mil habitantes da região sejam transferidos para uma área próxima, de 66.713 hectares, onde já existem 1,8 mil habitantes quilombola. Essa é a proposta que tenho defendido junto ao presidente Lula”, disse. “Não podemos perder essa expansão [para 15 bases de lançamento]”, enfatizou.

Para convencer os senadores de que a mudança resultará em benefícios para as comunidades, o ministro apresentou algumas estruturas de assentamento já destinadas a outros quilombolas.

“É uma questão de responsabilidade. O que foi feito pelas Forças Armadas junto a essas comunidades resultou em melhoria de suas condições de vida. A questão, então, é saber qual é o custo benefício. Podemos ter 15 bases no melhor ponto do mundo para lançamento de foguetes”, afirmou.

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