Edilson Nascimento

Cururupu patina no lamaçal, e o povo maranhense padece com a saúde pública

Quinta-Feira, 09 de Fevereiro de 2012 as 19:52
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Cururupu patina no lamaçal, e o povo maranhense padece com a saúde pública Cururupu é uma cidade do MA com mais de 35 mil habitantes... (Foto Blog do Walber)

Por: Walber Silva

Uso o espaço desse blog para tornar público um momento de revolta, tristeza e miséria na saúde pública do nosso país, mas em especial ao estado do Maranhão.

Assim como muitos brasileiros, sou de uma família forte que sempre luta para vencer, graças à matriarca, a base e o alicerce de tudo, a senhora minha vó, dona Raimunda Ferreira. Quem criou treze filhos com toda dificuldade, mas com força, determinação e um grande sonho, sonho esse que se concretizou depois de muita luta.

Nascemos na cidade de Cururupu, no Maranhão, porém nossa famíla é dividida entre Manaus, São Paulo e São Luis. Neste final de ano, passamos por um momento difícil, e estamos superando todos as barreiras que cruzam em nossos caminhos. Na semana do natal, meu avô, de 73 anos, foi levado para o hospital, pelos sintomas suspeitamos de um AVC, para o médico que estava de plantão seria uma crise de labirintite, não nos conformamos com versão do médico. Com dois dias internado em Cururupu , meus tios aqui em São Paulo queriam fretar um avião para levá-lo até a capital São Luis, pois lá há mais "hospitais e recurso". Ficávamos aqui em São Paulo ligando e dando as coordenadas , e só com exames mais detalhado, descobrimos que meu avô foi vítima de um leve AVC, graças a Deus sem nenhuma lesão.

A esposa do meu tio teve uma crise de desmaio dias depois, levada também ao hospital, outro médico falou que não era nada demais, apenas labirintite. Foi encaminhada para São Luis a procura de outros exames. No dia de ano novo, meu pai, de 49 anos, foi acidentado, uma moto vindo em direção contrária bateu em seu joelho. Com muita dor, foi para o hospital e fomos surpreendidos que não tinha uma máquina de Raio-X. Viajei às pressas para São Luis, acompanhar meu pai nesse processo turbulento. Passaram um produto em sua perna, enrolaram com ataduras e foi liberado. À noite, meu pai não suportou as dores e tivemos que mandá-lo urgentimente para a capital do estado.

Todos esses procedimentos falhos e primeiros socorros ocorreram no pobre município de Cururupu, que infelizmente muitos dos meus familiares moram ainda lá.

Cururupu é uma cidade com mais de 35 mil habitantes, de tradição do melhor carnaval da baixada, lendas, encantos e considerado Pólo Ecoturístico das Florestas dos Guarás. Uma cidade boa de se viver se não fosse "desprezada" pelos políticos que a governa. Não há médicos especialista no único hospital, cardiologista, ortopedista e etc.

Sem recurso, sempre passam diagnostico errado e encaminham para a capital, e tudo isso ocorre sem a menor preocupação do administrador hospitalar, e do prefeito da cidade.

Como uma pessoa com sintomas de AVC, crise de desmaio, pode ser diagnosticado com uma labirintite.?

A população não tem mais voz para pedir "socorro". O prefeito José Francisco Pestana caiu do governo o ano passado por desvio de dinheiro público. O vice Júnior Franco (irmão do deputado estadual Alberto Franco, aliado da familia Sarney) assumiu o cargo, mas a população ainda padece.

Há um histórico de má administração em Cururupu, situação grave que não muda, funcionários com salários atrasados por três meses. Para vermos o tamanho da gravidade, a Secretária de Educação foi demitida do cargo, no seu lugar, colocaram a mulher do ex-prefeito que foi tirado do poder à força vítima de desvio de verba pública.

Uma fonte sigilosa que mora na cidade, me confessou que foi procurado por um candidato(a) que tenta se eleger nas eleições deste ano. Segundo a fonte, o candidato(a) prometeu uma grande recompensa se ele conseguisse votos para um deputado na eleição de 2010.

Com bastante dinheiro, ele saiu pelos interiores à procura de votos. O deputado foi eleito e a gratificação prometida foi uma miséria.

Este candidato(a) concorre as eleições deste ano, sem dúvida com manipulação e compra de votos, práticas ilegais e crime que contraria a justiça.

O ortopedista Dr. Milon que cuidou do meu pai em São Luis ficou revoltado quando viu a situação que a perna se encontrava, pois no hospital de Cururupu foi colocado um produto errado que causou queimaduras e bolhas. Milon, conhece muito aquela cidade e fez o comentário: " Realmente, lá não tem jeito".

Mas a minha revolta maior e a explicação de toda a mazela, descuido e negligencia do hospital de Cururupu, foi ver o administrador do hospital, Alcides Tavares, na praia litorânea, em São Luis, rodeado de 15 pessoas, rindo, bebendo comendo e tão pouco preocupado com a situação daquele lugar. Num determinado momento o vocalista da banda cumprimenta o senhor Alcides, e diz que fez a comemoração do seu aniversário na casa de praia no bairro Araçagi. Resta saber e perguntar para o senhor Tavares, para onde vai o dinheiro enviado à saúde.

Entre muitas idas e vindas, acompanhando meu pai e meu avô, vi de perto o sofrimento do povo maranhense, a pobreza nua e crua, pacientes com todos os tipos de doença jogados no chão pelos corredores do hospital Socorrão II, em São Luis.. Confesso que me emocionei muitas vezes. A maioria das pessoas que estavam naquele hospital são dos interiores. Um senhor com as duas pernas enfaixadas jogado no chão, não tinha 25 reais para ir até a capital São Luis para fazer o tratamento da diabetes com antecedência, foi informado pelo médico que o examinava de que perderia uma das pernas. Fui até ele, desejei força, sorte e um aperto de mão, com um olhar triste de quem tinha muitas coisas para dizer, apertou fortemente.

No nosso caso tudo foi resolvido com certa facilidade, porque tenho uma tia que trabalha em hospital e conseguiu agilizar todo procedimento que demora meses. Ficava imaginando a situação daquelas pessoas que não tinham essa oportunidade. Muitas vezes, me sentir impotente em não fazer nada para minimizar o sofrimento dos meus conterrâneos.

Histórias iguais com personagens diferentes. Se percorrermos pelos interiores maranhenses nos deparamos a um contraste social gritante na saúde. O estado com o maior índice de desigualdade do país, se arrasta como pode, sobrevive com as deficiências até o limite.

Se o prefeito não for da "corja Roseana Sarney", é uma carta fora do baralho. É assim a briga na capital entre Roseana e o prefeito João Castelo.

Para o prefeito, Júnior Franco, e o diretor do hospital de Cururupu, Alcides Tavares, só resta a opção de cruzar os braços e saber: para onde vai o dinheiro público destinado a saúde e até quando aquele hospital continuará sem pronto atendimento adequado?

Fonte: Blog do Walber





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