Governo,Assembleia Legislativa e Tribunal de Justiça nao aplicam Lei do Acesso
Governo, Assembleia e Tribunal de Justiça do Piauí não se prepararam para garantir Lei de Acesso à Informação
O Governo do Piauí não informou, por e-mail, ou em suas Secretarias e na Controladoria Geral não informou qual o número, os locais e os custos das viagens do governador Wilson Martins (PSB). A Assembleia Legislativa não forneceu a informação sobre o valor pago aos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE); e o Tribunal de Justiça não informou o valor dos adicionais e benefícios pagos aos juízes e desembargadores.
Os pedidos de informações foram feitos em seus sites e nas sedes dos três Poderes no primeiro dia de entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação.
O Governo, Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça não tinham formulários para que o cidadão interessado em informações públicas pudessem preencher.
O juiz auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça do Piauí, Vidal de Freitas, afirmou que o presidente da instituição , desembargador Edvaldo Moura, vai realizar reunião no próximo dois dias para implantar mecanismos para a obediência da Lei de Acesso à Informação. Falou que o órgão ainda não tem sala para atender o cidadão e o formulário de solicitação de informações.
“Os mecanismos ainda não está disponíveis, mas isso deve acontecer nos próximos dias”, declarou.
Em seu site, o Tribunal de Justiça vincula a transparência ao link de sua Ouvidoria Geral, onde existia antes da lei, um formulário que pede, nome, endereço, e-mail e CPF do cidadão para que solicite informações ou faça reclamações ou sugestões ao Poder Judiciário.
A assessora de Comunicação do Tribunal de Justiça, Vírginia Fabris, informou que a Ouvidoria Geral recebe muitos pedidos de informações sobre processos e outros assuntos e não pode responder pelas solicitações no mesmo dia.
A Assembleia Legislativa não tem sala ou formulários para fornecer informações e obedecer a Lei de Acesso. Elisaabeth Sá, da Coordenadoria de Informação do parlamento, informou que a instituição está atendendo a lei parcialmente porque em seu sites tem informações sobre seu balancete, mas o presidente da Casa, deputado Themístocles Sampaio Filho (PMDB), está em Brasília e nesta semana vai promover reunião para atender a lei.
“Sabemos que precisamos ter uma sala e formulários, o que não temos e ainda não providenciamos. Vamos colocar no site um link para o da transparência”, falou Elisabeth Sá.
No site da Assembleia Legislativa do Piauí só existe uma forma do internauta falar com a instituição, pela Ouvidoria Geral para fazer reclamações e dar sugestões.
Na terça-feira e na quarta-feira, o site não estava aceitando os cadastros e pedidos de informações pode informa serem inválidos e-mails corretos dos internautas.
Para falar com o governo do Piauí só é possível em seu site de notícias que tem um link Fale Conosco. O pedido de informação foi feito na quarta-feira e não foi dado resposta.
O governo do Piauí não tinha formulários de pedidos de informações e nem sala para o cidadão.
O corregedor geral do Estado, Antonio Filho, disse que ainda não há estrutura no Piauí para atender a lei.
Segundo ele, o Piauí está trabalhando nas adequações necessárias para a Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor em todo o país com objetivo de garantir aos cidadãos brasileiros acesso aos dados oficiais do Executivo, Legislativo e Judiciário.
De acordo com o texto da lei, cada órgão público terá um Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) para garantir a transparência dos dados públicos.
“O Estado precisa de instrumentos para oferecer e receber as informações de forma adequada. Por isso, estamos discutindo de forma conjunta como vamos conseguir organizar essa estrutura. Precisamos regulamentar no âmbito estadual a aplicação total da lei e isso não pode ser feito de uma hora para outra”, disse o procurador geral de Justiça, Kildare Ronne.
“Essa lei é uma novidade no ordenamento jurídico e todos os Estados do país estão aguardando a iniciativa da União em regulamentar e dar o exemplo, para que possamos saber como agir. Há a necessidade de uniformidade de informações”, falou.
O controlador geral do Estado, Antonio Filho, diz ainda que deve ser feita uma proposta de lei estadual com as complementações necessárias à adequação à nova lei. Após aprovada, ele acredita que até o final de 2012 o Piauí esteja completamente preparado para cumprir todas as exigências da nova lei.
“Havia uma cobrança, por exemplo, para que o Piauí tivesse o seu Portal da Transparência. Depois de implantado, ficamos tristes em constatar que o número de acesso ainda é baixo. Agora, há a cobrança com essa nova lei e realmente esperamos que após estarmos completamente adequados, o piauiense acesse mais e cobre mais”, falou Antonio Filho.