Piauí é o 2º Estado menos violento do Brasil, diz pesquisa

14 de Dezembro 2011 as 14:53

Piauí é o segundo Estado menos violento do Brasil

Efrém Ribeiro

Da Editoria Geral

O Piauí é o segundo Estado menos violento do Brasil, perdendo apenas para Santa Catarina.

O taxa de homicídio no Piauí em 2010 foi de 13,7 pessoas para cada grupo de 100 mil habitantes, o que deixa o Estado em 26º posição em relação à violência no Piauí.

Em relação à 2000, os homicídios do Piauí no ano passado cresceram 63,1%.

Em 2000, taxa de homicídios no Piauí ficou em 8,2 pessoas para cada 100 mil habitantes, quando o Estado ficou como terceiro menos violento do país.

Santa Catarina é o Estado menos violento do Brasil ficando na 27ª posição. Em 2010, em Santa Catarina a taxa de homicídios ficou em 12,9 pessoas para cada 100 mil habitantes, com um crescimento de 63,1% em relação a 2000, quando a taxa de homicídios ficou de 7,9 pessoas para cada grupo de 100 mil habitantes.

A pesquisa mostra a disseminação da violência destacando o fato que no ano 2000 ainda existiam no país 5

estados com taxas abaixo do que se considera situação epidêmica21: Bahia, Rio Grande do Norte,

Piauí, Santa Catarina e Maranhão. Já em 2010 a totalidade dos estados supera esse patamar. A

menor taxa, a de Santa Catarina, é de 12,9 homicídios em 100 mil habitantes. E esse fenômeno

acontece sem alteração da taxa nacional, que permanece rondando os 26 homicídios em 100 mil

habitantes. Esse fenômeno de disseminação se produz a partir das quedas, bem significativas, de

alguns estados com forte peso demográfico e impacto nas estatísticas nacionais, como São Paulo

e Rio de Janeiro e de aumentos em um maior número de estados, mas de menor peso estatístico.

Teresina é a 20º capital mais violenta do Brasil, com uma taxa de homicídios de 30,8 pessoas para cada 100 mil habitanjtes, um aumento de 38,7% em relação a 2000, quando a taxa era de 22,2 homicídios para cada 100 mil habitantes. Em 2000, Teresina era a 22ª cidade mais violenta do Brasil.

Com a maior queda entre as 27 unidades da federação, o Estado de São Paulo é um dos exemplos da contenção da violência mostrado pelo Mapa da Violência/2011, divulgado na manhã de quarta-feira pelo Instituto Sangari e o Ministério da Justiça. A taxa, entre 1998 e 2008, caiu de 39,7 para 14,9 homicídios por 100 mil habitantes - o Estado, que ocupava o 5º lugar entre os mais violentos, caiu para a 25º posição, perdendo apenas para Santa Catarina e Piauí.

A principal característica do modelo adotado pelo Estado é a continuidade da política de segurança pública. Os investimentos no Estado mais rico do País começaram ainda no final da década de 90 e foram contínuos, tanto em equipamentos e treinamento para a polícia quanto em políticas de prevenção, como o desarmamento. Desde 2000 a violência homicida em São Paulo vem caindo, mas em 2008 chegou ao seu nível mais baixo, atingindo a 25ª posição.

No Sudeste, o Rio também teve uma boa performance na contenção da violência: caiu do 3º Estado mais violento para o 7º lugar. A taxa fluminense recuou de 55,3 para 34 mortes homicídios por 100 mil habitantes. A taxa e Minas Gerais mineira passou de 8,6 para 19,6 homicídios por 100 mil habitantes, um crescimento de 2,26 vezes. Mas o Estado continua na mesma posição, o 23º lugar.

Segundo o Mapa da Violência/2011, a partir de 2003, a taxas médias nacionais das capitais e regiões metropolitanas começam a cair, enquanto as do interior continuam a crescer, mas com um ritmo mais lento. Vários fatores parecem explicar essa reversão: o Plano Nacional de Segurança Pública de 1999 e o Fundo Nacional de Segurança, de janeiro de 2001, canalizando recursos para o aparelhamento dos sistemas de segurança pública das regiões de maior incidência, dificultam a ação da criminalidade organizada, que migra para áreas de menor risco.

Há também, segundo o estudo, um processo de desconcentração econômica, com o aparecimento de polos de crescimento no interior dos Estados, fenômeno que atua como fator impulsor da violência pelo país afora, principalmente na região Nordeste.

Cerca de 1,1 milhão de brasileiros foram assassinados nos últimos 30 anos (de 1980 a 2010) no país, em um processo de disseminação da violência no qual cidades do interior já ditam o ritmo de crescimento dessas taxas. Com o aumento da população nesse período, a taxa de homicídios, que na década de 80 era de 11,7 em cada grupo de 100 mil habitantes, passou para 26,2 em 2010 --um aumento de 124%.

Conforme o mapa, o forte processo de interiorização dos homicídios foi observado a partir do momento em que as taxas passaram a sofrer redução em capitais e regiões metropolitanas, na década passada, mas aumento de ritmo em cidades de interior.

Em 1995, por exemplo, enquanto nas capitais a taxa era de 40,1 homicídios em 100 mil habitantes e, no interior, de 11,7, em 2010 a taxa quase duplica no interior (22,1) e cai nas capitais (33,6).

"Em menos de uma década, se esse ritmo seguir, o interior deverá ultrapassar os grandes centros urbanos", disse Waiselfisz. Em coletiva na USP (Universidade de São Paulo), ele afirmou que os trabalhos foram feitos a partir de informações fornecidas ou disponibilizadas na internet pelos ministérios da Saúde e da Justiça, como certidões de óbito e boletins de ocorrência. O Estado em que os índices de homicídios são mais altos, de acordo com o mapa, é Alagoas, seguido por Espírito Santo, Pará, Pernambuco e Amapá.

O estudo aponta ainda que os 17 Estados que apresentavam as menores taxas de homicídio na virada do século tiveram aumentos significativos nesses índices, enquanto em sete outros Estados as taxas caíram. No ano 2000, os sete maiores tinham uma taxa conjunta de 45,6 homicídios em 100 mil habitantes, e os 17 menores, 15,4.

O número de quase 1,1 milhão de brasileiros assassinados ao longo de três décadas é muito superior, por exemplo, aos 45 mil mortos em 36 anos de guerra civil na Colômbia e praticamente o dobro dos 550 mil assassinatos da guerra civil em Angola.

Os dados foram compilados no mapa, para efeito de compação, e listam ainda conflitos armados como a luta pela independência do Timor Leste --na qual, em 26 anos, 100 mil foram mortos --e a disputa territorial-religiosa entre Israel e Palestina, na qual, em 53 anos (1947-2000), 125 mil foram assassinados.

"Considerando que não temos conflitos étnicos, políticos ou religiosos no Brasil, podemos dizer que se mata muito mais gente aqui do que em outros conflitos armados no mundo", reforçou o coordenador do mapa.