Ejacular para dentro: fórmula do prazer usada por homens é perigosa

Prática pode levar ao fechamento da uretra

Praticada por alguns homens durante a masturbação ou mesmo na relação com a parceira, a técnica de “ejacular para dentro” é tida como uma forma de potencializar o orgasmo masculino e proporcionar um prazer muito grande e diferenciado.

Ela consiste em bloquear o canal da uretra no momento da ejaculação, obrigando o esperma a retornar e ser direcionado à bexiga, ao invés de ser expelido. O site SOS Solteiros publicou um texto sobre o assunto e descreve a sensação: “Posso jurar que senti um arrepio interno, que foi até minha cabeça e que de tão forte me fez fechar os olhos”, relata o autor.

A prática é altamente desaconselhada por especialistas da área da saúde. Isso porque a “injaculação”, como é mais conhecida, é perigosa e capaz de provocar danos irreversíveis no corpo do homem, podendo levar a sangramento interno e até infertilidade.

O nome correto do quadro é ejaculação retrógrada. Para realizá-la, o homem primeiro localiza o períneo, que é a região entre o escroto e o ânus. Quando estiver perto do orgasmo, pressiona-o com os dedos indicador e médio.

Ao fazer isso, ele bloqueia a uretra, que é uma espécie de tubo por onde passa o esperma, impedindo que o líquido siga em frente. Assim, tem um orgasmo “seco”, sem ejaculação. O sêmen, então, retorna à bexiga e, posteriormente, será expelido junto com a urina.

Segundo o urologista Wagner Raiter José, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, explica que a uretra é um órgão muito sensível e revestido internamente por uma mucosa que protege a passagem do esperma e da urina. Ao comprimir a região, pode ocorrer um machucado interno, com possível sangramento e formação de cicatriz. O problema maior, segundo o urologista, é que essa cicatrização pode continuar acontecendo até que o canal se feche por completo.

O fechamento da uretra impede a passagem de urina e esperma, podendo acarretar consequências graves, que vão desde infecções (de urina, próstata, testículos e rins) até infertilidade e, em alguns casos raros, evoluir para câncer.

Ainda segundo o artigo publicado no site SOS Solteiros, ao realizar a técnica, o esperma teria dois possíveis destinos: retornar à bexiga ou cair na corrente sanguínea, sendo que, no segundo caso, o corpo se beneficiaria das ricas vitaminas, minerais e proteínas contidas no líquido.

Dr. Wagner desmente esse dado. “Isso não existe. A circulação sanguínea não tem contato nenhum com o sêmen, inclusive como forma de proteger o líquido seminal contra possíveis contaminações por toxinas presentes no sangue, provenientes da ingestão de álcool, drogas, etc. Isso atrapalharia o material genético, podendo resultar em filhos com deficiências ou infertilidade”, esclarece o especialista. “Além disso, se entrasse em contato com o esperma, o sangue poderia desenvolver anticorpos contra o líquido, levando também à infertilidade”, completa.

O que ocorre, de fato, é a volta do esperma à bexiga, esclarece o médico. Ainda assim, o processo é prejudicial, já que, de acordo com ele, a entrada deste órgão se fecha no momento da ejaculação. “O homem estaria forçando o líquido a voltar por uma parte que está fechada. É antinatural”, critica.

Por fim, o profissional comenta que o prazer é relativo e não depende da ejaculação. “Orgasmo e ejaculação são coisas separadas. O prazer é uma sensação cerebral, que ocorre pela liberação de uma série de neurotransmissores, não necessariamente tem a ver com a ejaculação. Inclusive, é possível ter orgasmo sem ejacular”, lembra. “Depende de como o homem está na relação e da disposição a ter um grande orgasmo”, defende.


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Fonte: Com informações do Bolsa de Mulher