Saiba 8 motivos que podem fazer a mulher sentir dor durante o sexo

Dispareunia significa dor em qualquer momento da relação sexual

Dispareunia. A palavra até parece um palavrão, mas representa algo simples: dor em qualquer momento da relação sexual. A condição afeta as mulheres e, geralmente, os ginecologistas são os primeiros a ouvir as queixas.

"Às vezes, ela não sentia nada e, depois de um tempo, passa a ter dor no sexo. A dispareunia afeta de forma importante a qualidade de vida, gera ansiedade e depressão, compromete a atividade sexual e prejudica os relacionamentos", afirma Telma Regina Mariotto Zakka, ginecologista responsável pelo ambulatório de Dor Abdominal, Pélvica e Perineal do Centro Interdisciplinar da Dor do H               C-FMUSP e membro da SBED (Sociedade Brasileira para Estudo da Dor).

Telma e Neila Speck, ginecologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), reúnem, abaixo, oito motivos que podem ser a causa das dores sexuais das mulheres:

 (Crédito: Getty Images)
(Crédito: Getty Images)


1 Endometriose

Uma das causas mais comuns de dor na hora do sexo é a endometriose. A doença se caracteriza pela presença de tecido endometrial fora do útero, em regiões como atrás do útero, no fundo de saco vaginal, tubas uterinas e até nas alças intestinais.  Os sacos de endometriose sangram e essa aderência na cavidade abdominal pode provocar dor, principalmente se a penetração for profunda e atingir a região do fundo da vagina.Os principais sintomas da endometriose são as cólicas menstruais dolorosas e sangramento em excesso. "A mulher tem cólica a ponto de desmaiar e até chega a vomitar durante a menstrução... Também descobrimos a endometriose quando a mulher está tentando engravidar há muito tempo e não consegue", explica Neila. O tratamento da doença depende de cada caso e varia se a endometriose está em estágio inicial ou avançado. "Talvez a mulher tenha que passar por uma cirurgia para fazer a retirada dos focos de endometriose e aí fazer o tratamento hormonal com anticoncepcional", diz.

2 Vulvodínia

De difícil diagnóstico, a doença provoca uma dor ou queimação excruciante na região vulvar na hora do sexo ou no simples toque na região. A mulher pode sentir uma dor na região da entrada da vagina, o que faz com que ela não consiga ter relações sexuais. "Tem mulheres que não conseguem nem usar calcinha ou calça jeans por sentirem dor. Várias não conseguem ter relação de jeito nenhum, tampouco fazer uso de absorvente interno, não é só pela contratura da região, mas pelo ardor e dor", explica Telma. A doença pode surgir por conta de algum fungo ou infecção de difícil tratamento e o fator emocional pode piorá-la. "A mulher fica mais ansiosa ou se ela tiver passado por uma situação estressante pode piorar. O exame clinico não identifica nada", fala Neila. O tratamento é complicado e muda de caso a caso, mas, muitas vezes, a mulher precisará de calmante, sedativo e antidepressivos. "Ela também poderá precisar de medicamentos específicos para dor, como cremes anestésicos", completa Telma.

3 Vaginismo

O vaginismo nada mais é do que uma contração involuntária na região perineal, que faz com que ocorra um estreitamento no canal vaginal, tornando a penetração muito dolorida. A mulher não consegue controlar essa contração e sofre até na hora do exame ginecológico com o médico. Normalmente, as mulheres com essa contração têm um histórico emocional de abuso e de violência física ou desenvolvem o vaginismo por alguma questão emocional. O tratamento não é medicamentoso, mas sim, psicológico e fisioterápico. "Existem algumas terapias sexuais que ajudam a aprender a controlar a musculatura perineal, mas nós também encaminhamos o caso para um psicólogo ou psiquiatra", explica Neila.

4 Atrofia vaginal

Causada pela menopausa, essa atrofia causa desconforto na relação. Com a menopausa, ocorre um afinamento da mucosa vaginal e o sexo pode provocar fissuras, que deixam a região machucada e com uma sensação de ardência. O tratamento também varia de caso a caso, mas pode precisar de reposição hormonal e até lasers que estimulam o colágeno e rejuvenescem o canal vaginal.

5 Síndrome do Intestino Irritável

Outro motivo que pode levar a mulher a ter dor no sexo é ser portadora da Síndrome do Intestino Irritável, distúrbio intestinal que causa dor na barriga, gases, diarreia e constipação. A dor no sexo aconteceria, pois a doença provoca distensão abdominal, alteração do ritmo intestinal e constipação. "Essa obstrução das fezes pode fazer com o que sexo seja doloroso para a mulher. Esse diagnóstico é mais difícil de ser feito, pois muitos médicos não associam essa síndrome a sentir dor na hora de manter a relação", explica Telma. A síndrome não tem cura, mas alguns tratamentos paliativos, como mudança na alimentação e auxílio de terapia cognitivo-comportamental ajudam a deixar a doença estabilizada.

6 Candidíase

Considerado um problema temporário, a candidíase é uma infecção na vagina ocasionada por fungos, que causa um corrimento espesso e uma irritação local. Ela não é persistente e acontece só em determinado período, mas enquanto está com essa inflamação, a mulher fica com dor na hora da relação sexual. O ideal é que ela vá buscar um ginecologista para fazer o tratamento de forma adequada e não se automedique.

7 Vulvovaginites

A inflamação na parte externa da vagina, a vulva, pode ser causada por uma bactéria ou fungo protozoário e deixa a região dolorida, por conta da ardência e coceira. A mucosa fica sensível, pois, por conta das coceiras, criam-se algumas fissuras e assaduras. Aí se a mulher faz sexo com essa doença, sente dor por causa da inflamação. O ideal é buscar o tratamento para, só então, retomar a vida sexual.

8 Herpes

O herpes genital é uma doença sexualmente transmissível (DST) transmitida por vírus e que ataca a mucosa da região genital. "A doença pode provocar uma neuropatia (dor nos nervos) na região vulvar e resultar em dor na hora do sexo", explica Telma. O ginecologista poderá prescrever a medicação adequada para o tratamento que, normalmente, envolve remédio via oral, banho de assento e pomadas locais.




Fonte: UOL