Veja sete mitos e verdades sobre a pílula do dia seguinte

Composto quase que exclusivamente de estrogênio, a pílula do dia seguinte concentra uma porção cavalar do hormônio

Há dez anos a Europa aprovava o uso e a venda livre do contraceptivo Mifegyne, mais conhecido como "pílula do dia seguinte". No Brasil, o medicamento já foi até mesmo distribuído a foliões de Recife em 2008, como forma de prevenir uma gravidez indesejada. Mas, apesar de ter acesso livre (é vendido sem receita), o medicamento ainda gera dúvidas entre as mulheres e, muitas vezes, é usado de forma errada.

Composto quase que exclusivamente de estrogênio, a pílula do dia seguinte concentra uma porção cavalar do hormônio. "Cada pílula tem a mesma quantidade hormonal de 10 anticoncepcionais", compara o ginecologista Marco Aurelio Pinho de Oliveira. Daí ser quase corriqueiro a mulher sentir uma série de efeitos colaterais quando ingere os dois comprimidos da cartela.

Para sanar algumas dúvidas e derrubar alguns mitos que permeia o uso da pílula do dia seguinte, o Terra esclarece as sete principais dúvidas sobre o assunto. Confira.

1) É recomendável que se tome a pílula até 72 horas depois da relação sexual. Depois disso, o feto nasce com deformidades.

Mito. "Em geral, não há riscos para o feto, porque nesse momento não há um embrião formado. Então, não existe contato entre o bebê e o sangue da mãe", explica o ginecologista Claudio Bonduki. Mas isso também não significa que você está segura. Depois de 72 horas, a pílula não causa problemas ao feto, mas também não evita uma gravidez indesejada. É recomendável, então, que ela seja tomada logo após a relação sexual. Quanto mais cedo o primeiro comprimido for ingerido, maior a eficácia do remédio.

2) A pílula é 100% segura

Mito. Vômitos, dores de cabeça, sangramentos, náuseas e irregularidades no ciclo menstrual são alguns dos efeitos colaterais da pílula do dia seguinte. A intensidade e a frequência dos sintomas variam de mulher para mulher. Mas não se engane, o problema maior não está na eficácia contraceptiva, mas sim no fato de ela não prevenir as doenças sexualmente transmissíveis. Portanto, ela jamais deve ser usada como um paliativo para a falta de camisinha.

3) Tomar pílula do dia seguinte no meio da cartela anticoncepcional dobra os efeitos colaterais

Verdade. Não há estudos que comprovem os reais efeitos da pílula do dia seguinte em mulheres que já fazem uso de anticoncepcional - e não há consenso entre especialistas. Mas casos clínicos comprovam que as chances de surgirem efeitos colaterais, como dores de cabeça e náusea, aumentam muito. "Nessa situação a mulher pode ter mais sintomas e em intensidades maiores", comenta Bonduki.

4) Ela é abortiva

Mito. "Se a pílula fosse abortiva, a eficácia dela não cairia com o passar dos dias", argumenta o ginecologista Marco Aurélio Pinho de Oliveira. Segundo o chefe do Ambulatório de Endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, o embrião só se aloja no útero da mulher no terceiro dia após a fertilização. Após as 72 horas em questão, a pílula já quase não tem efeito no organismo da mulher.

5) Tomar a pílula com muita freqüência corta o efeito dela

Verdade. De acordo com o ginecologista Oliveira, quando o uso da pílula do dia seguinte é muito recorrente as "falhas" passam a ser mais próximas também. "Na primeira vez que usa, a mulher tem 5% de chances de engravidar. Se ela toma a pílula de novo em sequência, ela aumenta mais 5% de chances", explica. Mas não se assuste, ela não tem efeito cumulativo. Se por um acidente você teve de tomar a pílula e, alguns meses depois, precisou tomá-la de novo, a eficácia dela permanece a mesma da primeira vez.

6) A descarga hormonal pode danificar útero e ovários

Mito. Composta pelo hormônio estrogênio, a pílula do dia seguinte não traz efeitos orgânicos à mulher. "O único perigo é em mulheres com prediposição à trombose, porque ela pode ter uma trombose vascular", orienta Claudio Bonduki.

7) Quanto mais tarde tomar a pílula, mais chances tenho de engravidar

Verdade. "No primeiro dia a mulher tem 5% de chances de engravidar. No terceiro, o risco sobe para 50%", alerta Marco Aurelio Pinho de Oliveira. Após 72 horas, a eficácia do contraceptivo é quase nulo. "O nome é impróprio, deveria ser chamar pílula das horas seguintes. A mulher tem de tomar o primeiro comprimido o quanto antes", finaliza.

Fonte: Terra, www.terra.com.br