Como saber se seu emprego corre perigo

No Brasil, uma das decisões mais ruidosas foi a demissão de 1.300 funcionários pela Vale

A Microsoft, uma das gigantes do capitalismo mundial, anunciou na semana passada sua primeira demissão em massa - 5.000 pessoas. A cada dia, a crise mundial aumenta a lista das companhias que estão enxugando seu quadro de pessoal. No Brasil, uma das decisões mais ruidosas foi a demissão de 1.300 funcionários pela Vale. Nesse cenário, é claro que as pessoas começam a temer por seus empregos. Mas há diversos sinais para identificar os candidatos mais fortes à demissão, segundo os especialistas.

1) Aqueles que não cumprem as metas: mesmo que a situação de uma empresa se deteriore rapidamente, e uma lista de cortes seja montada às pressas, os gestores já sabem, em linhas gerais, quem são os mais cotados à demissão. "Quem não vem apresentando um desempenho adequado corre os maiores riscos", afirma Olga Colpo, sócia da PricewaterhouseCoopers para a área de organização e gestão da mudança.

2) Aqueles que cumprem a meta, mas com um alto custo: em tempos de competição extrema, a máxima de toda empresa é fazer cada vez mais, com cada vez menos. Isso quer dizer que os gestores têm de ser eficientes. "Os mais valorizados pelas companhias são os que geram ótimos resultados, com o mínimo de custos", diz Adriano Araújo, vice-presidente do Grupo Foco.

3) Os negativistas: em meio à crise, não há nada mais irritante do que alguém do "não", segundo os especialistas - aquele gestor resistente a mudanças; aquele que diz que não é possível fazer o que precisa ser feito. A postura negativista é um passaporte para fora da equipe. "Preste atenção se você está somando ou não", afirma Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos.

4) Os defasados: o trainee tem metade da sua idade, ganha a metade de seu salário e tem o dobro de qualificação, incluindo fluência em idiomas e cursos de especialização em novas áreas de negócios que você nunca considerou seriamente? Cuidado: você está com um pé para fora da empresa.

5) Quem está perdendo influência: a pessoa deixa pouco a pouco de ser convidada para reuniões - estratégicas ou cotidianas. Vê seu orçamento minguar e seus projetos passarem para outros gestores. Sua equipe começa a flertar com outros departamentos. "Quando começa a existir um distanciamento entre a empresa e o executivo, é sinal de que ela está buscando alternativas para seguir sem ele", afirma Adriano Araújo, vice-presidente do Grupo Foco.

6) Quem começa a saber das coisas por último: outro ponto crucial é que o executivo, cada vez mais na geladeira, começa a saber das decisões importantes por terceiros - geralmente, depois que elas são tomadas. "Se você não está sendo comunicado, é porque está fora da linha de decisões. Nesse caso, você se salvaria de uma demissão por sorte", afirma Patrícia Molino, sócia da KPMG para a área de assessoria e gestão de Recursos Humanos.

7) Quem perdeu o foco: ele trabalha até tarde da noite, leva trabalho para casa nos finais de semana, deixa de sair de férias para cumprir prazos. Mas, em vez de ser elogiado, é recebido com frieza pelo gestor. Pode ser um sinal de que todo esse trabalho não é valorizado pela companhia por um motivo simples: ela espera outra coisa, e o executivo perdeu de vista o foco da empresa.

Em resumo, os itens acima passam uma mensagem bastante clara: "atrapalhar é o meio mais rápido de ser demitido", diz Patrícia Molino, sócia da KPMG para a área de assessoria e gestão de Recursos Humanos.

Mas há casos em que bons profissionais acabam pegos de surpresa também. Quando a reestruturação da companhia é profunda e envolve o fechamento de departamentos inteiros, fábricas ou linhas de produtos, é possível que talentosos executivos sejam desligados. Nesse caso, é importante perceber que não foi o seu desempenho pessoal que o colocou nesta situação, mas uma mudança radical da companhia. "O problema pode não ser do profissional, mas da crise que arrastou a economia", afirma Fernanda Medeiros de Campos, sócia-diretora da gestora de recursos humanos Mariaca.

Fonte: Revista Exame, www.exame.com.br