Companhia estreia Sangue em Teresina

Companhia estreia Sangue em Teresina

Cia. Luzia Amélia encena a coreografia Sangue, na Casa da Cultura. O espaço recebe grupo de capoeira

Até o dia 29 de maio, Teresina abre as espaço para grupos de dança com o Fórum Nacional 1 Minuto para Dança, que tem hoje, na programação a apresentação do espetáculo Sangue, da Cia. Luzia Amélia, a partir das 19h, na sala de dança da Casa da Cultura. Antes, o Grupo de Capoeira Cordão de Ouro vai ministrar o workshop Corpo. O evento oferece ainda palestras, lançamento de livros e residências artísticas na cidade, divididos em três etapas com foco na formação, a produção e as políticas públicas na dança.

Encenado pela Cia. Luzia Amélia Sangue é uma obra aberta, um projeto em execução. Para a coreógrafa é um caminhar, um encontro de histórias e vivências que não se fecham. ?É uma aventura artística?, diz a coreógrafa.

Essa é a primeira vez que o espetáculo é apresentado ao grande público. A montagem consumiu três anos de pesquisa, estreou em maio de 2008 em Salvador e foi montada com recursos do Prêmio Klauss Viana de Dança, do Ministério da Cultura.

Em todos os anos de pesquisa e ensaios, o espetáculo modificou-se conceitual e esteticamente. O elenco inicial com oito bailarinos dá lugar a um grupo enxuto de apenas quatro artistas em cena. As músicas e movimentos também foram se modificando ao longo do trabalho. É nessa transformação que reside o grande diferencial da obra.

Essa capacidade de se reinventar do espetáculo, em grande parte, é reflexo do próprio tema explorado em cena, a identidade piauiense. Um tema extremamente complexo e polêmico, principalmente para a dança contemporânea brasileira. O que nos fazem diferentes do resto do nordeste, do Brasil? Quem melhor define quem somos, que símbolos? O espetáculo não responde essas perguntas de pronto, mas lança um olhar crítico sobre estas questões. E na maioria das vezes, devolve para a platéia estas perguntas, sob uma nova roupagem, sob novos prismas?, comenta Luzia.

Com músicas de Possidônio Queiroz e textos do livro Sangue, de Da Costa e Silva, a obra segue um desenho cênico alternativo e intimista, que traz o espectador para dentro da cena, rompendo a fronteira palco/platéia e propiciando um clima de cumplicidade entre público e intérpretes.

Dirigido por Luzia Amélia e produzido por Jone Clay Macedo, a montagem tem como intérpretes os bailarinos Jean das Neves, Drika Monteiro, Andréia Barreto, Déborah Radassi.

Cordão de Ouro

Fundado em 1º de Setembro de 1967 por Reinaldo Ramos Suassuna (Mestre Suassuna), filiado à Confederação Brasileira de Capoeira, o Cordão de Ouro tem como filosofia, o aprendizado da Capoeira como ferramenta para formar cidadãos dando-lhe identidade cultural, além de proporcionalizar o bem estar físico e mental através de sua prática e reconhecimento por parte da sociedade piauiense. O Grupo é presidido pelo Professor Cezar Barcelar e diretores.

Fonte: Isabel Cardoso, Jornal Meio Norte