Conheça o homem que dá vida à Galinha Pintadinha no teatro

Conheça o homem que dá vida à Galinha Pintadinha no teatro

Wagner Cavalcante, de 21 anos, se emociona ao falar de crianças com deficiências.

Basta pronunciar "Galinha Pintadinha" para a criançada abrir logo um sorriso no rosto. O sucesso infantil, que surgiu na internet, atualmente lota o teatro e bate recorde de vendas de CDs e DVDs. Mas poucos sabem quem é o homem que dá vida à Galinha Pintadinha nos palcos: Wagner Cavalcante, um carioca de 21 anos e cheio de sonhos. Wagner voltou à Quinta da Boa Vista, na Zona Norte do Rio (mesmo local onde se apresentou durante o Viradão Carioca ,para mais de 5 mil crianças), para falar de seu personagem infantil.

"Fiz um teste com mais de mil pessoas e fiquei surpreso com o resultado. Assim que soube que ia fazer a Galinha, pensei: será que isso vai dar certo? Desde o início achei que seria o sapo. Achei que a galinha seria interpretada por uma menina", diverte-se.

Livre de preconceitos, Wagner tem aprendido muito bem o "galinês", já que até na vida real ele vive cacarejando: "É pó pó pó pra cá, pó pó pó pra lá. Meus amigos pedem para eu repetir isso o tempo todo, e agora ainda me chamam de galinha. Mas para dar vida à Galinha Pintadinha, eu faço um pó pó pó mais fofinho. São mais de mil pó pó pós por espetáculo".

pós dois meses ensaiando sem o figurino, o ator conseguiu dar - com seu jeitinho peculiar - uma graça ao bichinho que antes só tinha visto através de vídeos. "Eu me curvava e ciscava para ficar mais parecido. Quando coloquei o figurino, dei vida à Galinha. Foi mágico. A roupa toda pesa mais ou menos cinco quilos e eu tive que intensificar a malhação e correr mais para aumentar o pique. É engraçado quando a Galinha entra no palco, as crianças vibram e aí começa a gritaria. Algo bem rock "n" roll mesmo", brinca ele, que na vida real não se considera um cara galinha (pegador): "Sou solteiro, bem tranquilo. Faço a linha bom moço".


Conheça o homem que dá vida à Galinha Pintadinha no teatro

Wagner se emociona ao lembrar das crianças com deficiência que roubam a sua atenção no camarim: "Geralmente, não conseguimos tirar fotos com as crianças porque o teatro fica muito cheio, mas às vezes vão crianças bem especiais que a gente faz questão de atender. Uma vez, eu já tinha trocado de roupa após a apresentação e chegou uma menina de cadeira de rodas, que quase não falava. Aí coloquei a fantasia toda novamente e fui falar com ela. Ela chorava e ria ao mesmo tempo, parecia que estava na Disney. Ela me entregou uma cartinha que dizia: "Galinha, amo muito você". Chorei dentro da roupa. Foi emocionante".

Há seis meses em cartaz, o jovem ator, que contracena com mais 13 pessoas, conta que seu público já ultrapassa 30 mil. Apesar de os números da "Galinha Pintadinha" serem bem expressivos (mais de 500 mil visualizações no YouTube, quase 1 milhão de cópias de CDs e DVDs, além dos produtos licenciados), Wagner não gosta do termo "ovos de ouro": "A Galinha é muito mais que isso. Tem todo um significado para as crianças, um resgate de músicas populares, uma historinha, o colorido. Também não sei dizer quanto vale o produto".

Se para muitas crianças a "Galinha Pintadinha" é o hit do momento, para as mamães dos pequenos, ela é um santo remédio. "Muitas mães me param na rua para dizer que seus filhos estão viciados e que só conseguem fazer as coisas ao som da Galinha. O assédio vem de todas as partes", comenta. Ele conta também que durante sua infância, sua inspiração era a Xuxa. "Atualmente, sou mais criança que antes. Gostava muito da Xuxa, minha vida sempre foi brincar de TV. Não tinha nenhum desenho animado que fosse vidrado. Mas hoje em dia, minha Galinha Pintadinha seria o Wagner Moura. Se eu chegar no nível dele como ator, estou satisfeito".

Os criadores da "Galinha Pintadinha", Marcos Luporini e Juliano Prado, aprovam Wagner como o ator principal no musical. "Eles me conheceram durante os ensaios e ficaram muito felizes com o retorno que estamos tendo. Eles têm total carinho por mim".

"Galinha Pintadinha - O Musical", dirigido por Ernesto Piccolo, fica em cartaz no Rio até o início de julho no Teatro das Artes, e depois parte para São Paulo em turnê. "Dia 7 estreamos em Sampa. Também sou apresentador de um programa educativo no canal pago e vou tentando conciliar as coisas. Já estou nessa vida de ator há 13 anos. Quando a galinha acabar, quero um trabalho bem compatível para não entrar em depressão", avisa.

Fonte: Ego, www.ego.com.br