Consciência pode continuar após a morte, sugere maior estudo do gênero até hoje

Consciência pode continuar após a morte, sugere maior estudo do gênero até hoje


 

O que acontece depois que a gente morre?

Para tentar responder a esta pergunta espinhosa, pesquisadores da Universidade de Southampton realizaram o maior estudo sobre experiência quase-morte até hoje. A pesquisa, que começou em 2008, envolveu mais de 2.000 vítimas de ataques cardíacos em 15 hospitais, nos EUA, no Reino Unido e na Áustria.

Entre os 360 pacientes que foram reanimados por médicos após morrerem e tiveram condições de dar entrevistas, 39% demonstraram algum tipo de consciência sobre o período em que estava clinicamente mortos. Entre esses, 46% conseguiram lembrar o que sentiram ou viram. Apenas 2% conseguiram relatar com precisão o que aconteceu enquanto estavam mortos.

Um dos "ressuscitados" conseguiu relatar exatamente o que aconteceu após sua morte clínica: ao contar o que viu "após morrer", o homem de 57 anos descreveu com precisão a periodicidade dos bipes das máquinas do hospital e toda a sequência dos acontecimentos em um período de três minutos depois de sua morte.

De acordo com os pesquisadores, os relatos sugerem que, mesmo após a parada cardíaca, o cérebro do paciente continuou funcionando de forma parcial.

Tigres, plantas e explosões de luz

"O cérebro geralmente para de funcionar após 20 ou 30 segundos depois que o coração para", disse Sam Parnia, professor da Stony Brook University e um dos autores do estudo, em comunicado escrito. Segundo o pesquisador, o estudo indica que, ao contrário do que acreditamos, a morte não tem um marco específico no tempo, e pode ser um processo longo e reversível.

A pesquisa, que foi publicada na revista científica Resuscitation, aponta que os temas mais recorrentes das lembranças "pós-morte" envolviam sensação de medo, animais e plantas, luzes brilhantes, cenas de perseguição, família e sensação de déja-vu.

"Eu caí em um poço de águas profundas, e eu odeio nadar. Foi horrível", disse um dos pacientes. "Senti como se eu soubesse o que as pessoas iriam fazer antes que elas o fizessem", relatou outro. Um dos entrevistados afirmou ter visto leões e tigres.

Muitas vezes esse tipo de memória está associada a alucinações ou ilusões. Mas, segundo Parnia, a precisão de alguns relatos indica que, embora não se possa ter certeza sobre a autenticidade de todos os depoimentos, é necessário prosseguir com esse tipo de pesquisa sem preconceito.

Fonte: Brasil Post