Faxineira de 66 anos aprende a ler para ajudar o neto na escola

Maria das Mercês e Felipe chamoram atenção do poder público

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A faxineira Maria das Mercês Silva, 66 anos, nunca frequentou uma escola quando criança por que seu pai nunca deixou, pra ele mulher tinha que ficar em casa aprendendo a cuidar dos filhos e dos afazeres domésticos. Sem saber ler e escrever, Maria cresceu, casou, cruzou o país, virou mãe, separou e tornou-se avó.

Depois de ter passado por diversas coisas na vida, ela diz que nasceu de novo, exatamente há dois anos, quando, incentivada pelo neto, passou a frequentar a escola pela primeira vez.

Mãe de nove filhos e com a família toda em São Paulo, a pernambucana mora em Curitiba (PR) e não perde uma única aula. Ela participa de todas as atividades propostas pelos professores da Escola Municipal Rachel Mader Gonçalves.

O principal estímulo de Maria vem do neto Felipe Alexandre Feitosa dos Santos, 10 anos, que vive com a avó desde que tinha 1 ano e 6 meses. Sem contato com os pais desde então, o menino sempre foi incentivado a estudar pela avó. O incentivo foi invertido quando Felipe passou a pedir ajuda nas tarefas escolares e, como resposta, ouvia o choro de Maria.

“Eu chorava porque eu não conseguia ajuda -lo nas tarefas”, lembra.

“Vovó, vamos para a escola. Vai ser bom para você. Você vai aprender e vai me ensinar”, passou a dizer o neto.

Enquanto Maria está em aula, Felipe aguarda em uma sala de acolhimento, onde brinca e desenvolve atividades educativas. “Ela já melhorou muito. Reconhece palavras, escreve e já sabe ler. Eu costumo corrigir as lições dela, mas eu quero que um dia ela corrija as minhas”, diz o neto que sonha em ser advogado.

A história de Maria das Mercês e Felipe chamou inclusive a atenção do poder público. Felipe tornou-se um herói mirim do projeto Kids of Curitiba, que retrata o perfil de crianças vencedoras e com histórias de superação no perfil da Prefeitura de Curitiba no Facebook.

Com o avanço notável na escola, Maria se orgulha em dizer que agora não tem mais medo de andar de ônibus. Antes, quando não sabia ler, era um desafio impossível. “Eu estou muito feliz. Estou igual a uma criança. Sabe quando a pessoa está cega e começa a enxergar? É isso que está acontecendo comigo hoje. Aprendendo a ler e a escrever, eu nasci de novo”, diz a faxineira que sonha continuar os estudos para ser professora.

Fonte: Com informações do Razões para acreditar