O refluxo gastroesofágico é um efeito da epidemia de obesidade no mundo. Veja como evitá-lo

O refluxo gastroesofágico é um efeito da epidemia de obesidade no mundo. Veja como evitá-lo

A azia crônica causada pela Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) aflige muitas pessoas e caracteriza-se pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago - cuja mucosa não está preparada para receber substâncias ácidas e irritantes - podendo alcançar também a boca, provocando alterações dentárias ou atingindo a laringe e os pulmões. “Quem sofre com o problema relata azia ou queimação que se origina na boca do estômago, podendo atingir a garganta; dor torácica intensa, que pode ser confundida com a dor da angina e do infarto do miocárdio; tosse seca e doenças pulmonares de repetição como pneumonias, bronquites e asma”, explica o gastroenterologista Silvio Gabor.


O tratamento do problema pode ser clínico ou cirúrgico. “O clínico inclui a administração de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e melhoram a motilidade do esôfago. Paralelamente, o paciente recebe orientação para perder peso, evitar alimentos e bebidas que agravam o quadro, fracionar a dieta, não se deitar logo após as refeições e praticar exercícios físicos que não aumentem a pressão intra-abdominal”, informa o médico. Os medicamentos indicados para tratar a DRGE estão entre os medicamentos mais comumente prescritos, juntamente com antipsicóticos e estatinas. No entanto, o uso a longo prazo dessas drogas, especialmente dos inibidores da bomba de prótons (IBP), pode alterar a absorção de diversos nutrientes pelos pacientes.

Nos últimos anos, o FDA (Food and Drug Administration), órgão regulador americano com atuação semelhante à da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tem emitido diversas advertências sobre esses medicamentos, alegando que o uso prolongado e em altas doses tem sido associado com um risco aumentado de fraturas ósseas e de infecções provocadas pela bactéria Clostridium difficile, que pode ser especialmente perigosa para pacientes idosos.

Em um artigo recente, especialistas recomendam que os idosos utilizem essas drogas pelo menor tempo possível. Outros estudos têm demonstrado que o uso prolongado dos inibidores da bomba de prótons pode reduzir a absorção de importantes nutrientes, vitaminas (como a B12) e minerais, incluindo cálcio e magnésio, além de poder reduzir a eficácia de outros medicamentos para pacientes cardíacos. Se o uso dos inibidores da bomba de prótons por longos prazos acarreta em diversos problemas, o uso por períodos curtos também é problemático, pois estes medicamentos tendem a produzir dependência, dizem os especialistas, levando os pacientes a fazer uso de tal medicamento por muito mais tempo do que o recomendado (algo entre 6-12 semanas).

Fonte: Jornal Meio Norte