Unimed leva 150 pessoas para safári na África mesmo em crise

A empresa busca a valorização do profissional.

No ano passado, já enfrentando uma crise financeira, a antiga diretoria da Unimed Paulistana levou cerca de 150 corretores, executivos e diretores da empresa para um safári na África com hospedagem em hotel 5 estrelas e passeios turísticos, com tudo pago pela operadora. Os antigos diretores da empresa também promoveram festas, jantares luxuosos e mantiveram um camarote exclusivo em uma grande casa de shows.

O Hotel The Palace of The Lost City, que fica na savana africana, foi o destino de 150 convidados da Unimed Paulistana para um jantar de gala. O evento fazia parte de um roteiro da viagem de uma semana para a África do Sul com tudo pago, mesmo com os problemas financeiros da empresa. O hotel é conhecido por ter sido utilizado na locação do filme "Juntos e Misturados", com os atores Drew Barrymore e Adam Sandler.

A viagem foi em agosto de 2014. Os executivos, diretores e vendedores de planos da operadora ficaram em alguns dos melhores hotéis da África. Na Cidade do Cabo, onde passaram 4 noites, a hospedagem foi no hotel 5 estrelas Taj, onde a diária não sai por menos de R$ 948 por pessoa.

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A excursão incluía dois safáris fotográficos na savana africana, onde o grupo ficou hospedado três noites no hotel KWA Maritane, cuja diária mais em conta custa R$ 1 mil. No site da empresa de turismo que fez a viagem para a Unimed Paulistana, um pacote similar a este pode chegar a R$ 15,7 mil por pessoa sem os custos de passagens aéreas.

O gerente de vendas da corretora My Life, Livanio Azevedo Dantas, embarcou com a filha depois de ter conquistado boas metas nas vendas dos planos de saúde da operadora.

"Se eu não me engano foram cerca de 150 pessoas mais ou menos. E foi uma viagem totalmente paga por eles. Não gastei exatamente um tostão! Nada! Zero! Fomos nos melhores hoteis lá, nos melhores restaurantes... Muito luxo? Muito luxo. Muito luxo."

Antes da viagem pra África, Reinaldo Badialli, diretor da corretora Íntegra Vita, já tinha viajado outras três vezes com todas as contas pagas pela Unimed Paulistana. Além disso, ele frequentava um camarote exclusivo mantido pela empresa em uma das maiores casas de shows de São Paulo.

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"Todos eram camarote, comida e bebida à vontade. Só não tinha estacionamento, que eles falaram que era por nossa conta, mas eles falaram que o resto... Eu fui ver o show do Rappa, do César Menotti e Fabiano, do Thiaguinho e do Arnaldo Antunes. E das outras três vezes foi tudo all inclusive, foi nos dois resorts, que tinha um em Punta Cana e Maragogi, e o cruzeiro também que acho que foi em Búzios. E também não pagamos nada".

Além dos camarotes e das viagens, a empresa promovia festas e jantares. Em um deles, no restaurante Figueira Rubayat, um dos mais caros de São Paulo, foram 100 convidados. Um jantar desse porte não sai por menos de R$ 16 mil. Os diretores também fizeram uma festa para pelo menos 600 pessoas em uma das maiores casas noturnas de São Paulo.

O médico Paulo José Leme de Barros, que foi presidente da Unimed Paulistana entre 2009 e o início deste ano, participou da excursão na África. Ele defende que os prêmios eram uma estratégia para aumentar as vendas.

"Nada nunca foi muito luxuoso dentro da empresa, não. Essas viagens que foram feitas são viagens de premiações. Também não vejo nada de luxuoso nesses dois veículos que nós usávamos no sistema de leasing pra fazer representação da empresa. E tem mais: na empresa todo mundo sabia disso. Eu nunca fiz nada escondido da empresa".

A Agência Nacional de Saúde Suplementar impediu a Unimed Paulistana de continuar operando por problemas financeiros no início de setembro deste ano. Desde 2009, funcionários da ANS passaram anos instalados dentro da empresa, avaliando planos de recuperação financeira e apontando falhas contábeis nos balanços de gestão.

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Fonte: Portal Guandu