Estudantes podem fazer Enem até 60 km de casa

R7 identificou reclamações em São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Recife, Teresina e Pelotas

Estudantes inscritos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) terão que fazer a prova até 60 quilômetros longe de suas casas, o equivalente a duas vezes e meia a distância entre as cidades de São Paulo e Osasco. A maioria dos casos encontrados pelo R7 está na capital paulista, mas há também alunos de outros Estados - como Santa Catarina e Rio de Janeiro - que foram alocados em locais distantes para fazer o exame.

É o caso de Rodrigo Correa Gonçalves, 24. Ele já estuda em uma universidade de São Paulo - faz gestão em tecnologia da informação na Uninove - mas pretende fazer o Enem para obter bolsa do ProUni (Programa Universidade Para Todos) em outra instituição. Morador do bairro Vila Cruzeiro, em Santo Amaro, na zona sul da cidade, ele terá que pegar dois ônibus e enfrentar mais um trecho do caminho de metrô para chegar até o bairro de Itaquera, no final da zona leste, local que o MEC (Ministério da Educação) designou para que ele fizesse o Enem.

Sem trânsito, ele calcula levar duas horas para chegar ao prédio onde fará a prova, que será aplicada no sábado (6) e no domingo (7). O estudante cogitou desistir do Enem pelo problema da distância, mas precisa do benefício da bolsa.

- Estudei muito para isso. Se eu não fizer [o Enem], o único que tem a perder nessa história sou eu. O governo [federal] parece não estar nem aí para a gente, [nos] colocou em qualquer endereço.

Irmãs "viajarão" para fazer o Enem

O caso do jovem é parecido com o das irmãs Julyet (18 anos) e Juliene da Silva Xavier (16). Ambas irão fazer o Enem na faculdade Unibero, campus Pirituba, situada na zona norte da cidade. Entretanto, elas moram em Cidade Tiradentes, bairro da zona leste.

A "viagem" para fazer a prova, de cerca de 50 quilômetros, equivale à distância entre São Paulo e o município de Mogi das Cruzes, em uma consulta ao sistema de mapas do Google. As duas pretendem sair de casa quatro horas antes do início do Enem, marcado para começar às 13h tanto no sábado quanto no domingo.

Julyet, a mais velha, usará os pontos do Enem para tentar vaga no curso de administração em uma universidade federal. Ela explica que irá precisar pegar dois ônibus e passar por duas linhas de trem para chegar ao local de prova.

- Quem almoça às 9h [hora que as irmãs sairão de casa]? A viagem é cansativa, sem contar o nervosismo que isso [o local de prova longe] causa. É natural ficar nervoso quando a gente faz uma prova que pode decidir os próximos quatro anos da sua vida. Fiquei furiosa quando vi o local do exame, pois não conheço a região.

O Ministério da Educação afirma que a maioria das reclamações quanto aos locais de prova distantes estão concentradas na cidade de São Paulo. O grande tamanho do município facilitaria esse tipo de ocorrência. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, "são casos pontuais" os que ocorreram, e eles serão analisados pela pasta. Mas não vai haver possibilidade de mudança dos locais de aplicação do exame.Problemas em outros Estados

O R7 também identificou reclamações quanto aos locais de prova em outras cinco cidades do país: Rio de Janeiro, Belém (Pará), Recife (Pernambuco), Teresina (Piauí) e Pelotas (RS).

Na cidade gaúcha, a estudante Riqueli Pimentel pretende sair até cinco horas antes do início do Enem, às 8h, para não ter risco de errar o local de prova. Pelas suas contas, ela terá que pegar três ônibus para sair do bairro Fragata, onde mora, e chegar até a região de Três Vendas.

A jovem tem 19 anos e estuda ciências biológicas na UFPel (Universidade Federal de Pelotas). Ela vai fazer a prova do Enem para tentar uma vaga no curso de biomedicina em outra universidade federal, situada em Porto Alegre, que desde o início era sua primeira opção de curso.

- Não acredito que entrar em contato com o Ministério da Educação vá alterar o local [onde eu farei o exame], até em função dos dias que faltam para a prova. Já precisei entrar em contato com eles para mudar meu endereço e nada foi resolvido.

O Ministério da Educação afirma que os alunos podem fazer reclamações pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone 0800-616161. Cada um dos casos será respondido, de acordo com a pasta.

Fonte: R7, www.r7.com