Modelos e famosos ganham menos que mulheres com prostituição

Um menino em início de carreira cobra cerca de R$ 500 em SP

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O aviso de mensagem do celular toca e na conversa que surge na tela, o booker (pessoa responsável por cuidar dos modelos em uma agência) oferece um serviço para o modelo. Mas nada de desfile ou sessão de fotos. A ideia é que o rapaz, de 23 anos, passe uns dias em Buenos Aires acompanhando um empresário rico. Pelo “serviço”, que é fechado para uma semana, ele vai embolsar R$ 4 mil, mais todas as despesas pagas. Ao final da conversa, o modelo pergunta se não tem um trabalho (desta vez de verdade) para ele. A resposta é negativa.

Esse é apenas um dos cenários do book azul, como é chamada a prostituição de modelos e famosos no mundo masculino. É o único nível de “prestação de serviço” em que homens ganham menos do que mulheres. Para se ter uma ideia, pela mesma semana de sexo oferecida ao modelo, uma mulher poderia pedir de R$ 2,5 a 3 mil por dia em viagem.Para um encontro casual aqui pelo Brasil o preço cai bastante. No Rio de Janeiro, meninos cobram de R$ 150 a R$ 400 por hora. Se for um modelo que já tenha desfilado e esteja em uma agência, o preço sobe para R$ 1 mil

.Segundo um dos agenciadores, "uns aceitam até cartão".Já em São Paulo, um menino em início de carreira cobra cerca de R$ 500, e se for um modelo mais badalado o preço varia de R$ 700 a R$ 1,5 mil.“Mas esses preços só valem para o público gay. Meninos que atendem mulheres, em geral socialites, ganham mais”, conta o agenciador que não sabe valores nesse nicho. Só que são bem mais altos.Outro fator que pode influenciar no preço de um modelo é o fato dele já ter posado para a capa de uma revista adolescente.

No universo do book azul, a beleza e jovialidade dos rapazes costuma influenciar mais do que a fama. Tanto que um modelo badalado ganha o mesmo que alguém que já tenha aparecido na mídia.“Modelos badalados, meninos que já tenham aparecido na mídia de alguma forma, que já tenham participado de concurso de beleza. Esses são considerados tops e conseguem R$ 3 mil por um programa de duas horas”, conta o ex-booker de uma agência paulista, alertando ainda que muitos não são gays, mas se submetem aos programas para conseguir trabalho, e é claro, sobreviver.

O cenário é confirmado em parte por Alexandre Piva, ex-booker e atual dono da Piva Assessoria de Imprensa - que cuida da carreira de modelos e de alguns atores. Com 10 anos de experiência no mundo da moda, ele conta que sabia, sim, dos casos envolvendo books rosa e azul, diz que ele está bastante disseminado nas agências, mas que, em geral, os donos das agências não sabem o que acontece ou fazem vista grossa. Ele conta também que é mais comum o sexo em troca de favores e trabalhos do que propriamente por dinheiro.

"As agências têm investidores. Gente que banca a moradia das modelos, coloca dinheiro na empresa. Essa gente ganha alguma coisa em troca", diz ele fazendo um alerta.

"Modelo é uma profissão muito séria. Quem faz programa não pode se dedicar à carreira como os modelos comuns. Começam a aparecer viagens, festas e a maioria dos 'programas' acontecem à noite. Não tem como se dedicar", diz ele acrescentando ainda que de 30 a 40% dos modelos se submetam a esse tipo de atividade.

Conheça a Larissa da vida real! Modelo admite programas e drogasTal qual personagem de Grazi Massafera, em "Verdades Secretas", rapaz de 29 anos diz que submundo acabou com sua carreira.Ele jura que hoje está longe de tudo: das passarelas, das drogas e dos programas. Mas por dois anos e meio esta foi a rotina do ex-modelo de 29 anos, loiro e de olhos verdes. Em troca do anonimato, ele conta que morou na Europa por três anos e, na volta ao Brasil, resolveu investir na carreira de modelo. E entendeu que, para conseguir trabalho, tinha que se envolver nos esquemas de prostituição organizados pelos bookers. Acabou sucumbindo e ficando prisioneiro desta vida, segundo ele, por causa das dívidas e das drogas.

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Como começou seu esquema de prostituição?

Esse tipo de abordagem, com interesse sexual, é muito comum. Principalmente quando veem que o garoto vem do interior. Chamam para jantar, para festas e oferecem trabalho na agência em troca de favores sexuais. Apesar de não ter sido o meu caso, fui abordado assim algumas vezes por gente que cuida dos castings das agências, estilistas.

E topou?

Sim porque o cachê do trabalho era bom. Era assim ou perdia o trabalho.

Qual era o valor do programa?

Pergunta complicada (risos). Geralmente em torno de R$ 700 a R$ 1mil.

Esse valor por hora ou pacote fechado?

Por hora. Quando era a noite inteira, era R$ 3 mil.

Quanto o booker levava por cada programa seu?

Não sei. Mas devia ser uma grana razoável.

Você é gay?

Não sou gay. E muitos meninos que fazem book azul não são. E mesmo que sejam, são pessoas (clientes) pelas quais é difícil ter atração.

Como um cara que não é gay, não tem atração pelo mesmo sexo, consegue fazer sexo assim?

Bom, tem estimulante sexual e a gente usa a imaginação.

Rolava beijo na boca?

Comigo não. Só selinho.

Tinha restrição a mais alguma coisa? Fazia sexo como passivo?

Não tinha nenhum bloqueio. 

Mesmo não sendo gay? Conseguia encarar numa boa?

Sim. Eu pensava na grana.

Ainda faz programa?

Não. Minha vida mudou. Hoje faço faculdade de educação física, tenho um estágio em uma academia.

Quanto ganhava na época em que fazia programas?

De R$ 6 a R$ 10 mil.

E não é tentador ter uma renda assim e deixar tudo para trás?

É tentador, mas ter paz também é. É um mundo muito louco. Tinha problemas de saúde, pessoas querendo me controlar, pessoas loucas, possessivas. Fiquei 2 anos e meio nessa vida. Até cheguei a parar uma época. Mas depois voltei.

Por causa da grana?

Sim. Havia gastado muito com baladas, roupas, drogas e viagens.

O que você consumia?

Ecstasy, LSD, cocaína e DI(composto químico conhecido como DI ou hidrocona e que tem propriedades analgésicas).

O que diria para um menino que quer começar a carreira de modelo?

Tem como ser modelo sem cair nesse mundo. Mas precisa ser forte. Tem que procurar agências sérias e correr de ofertas como essas.

Deixaria um filho seu ser modelo?

Acho que não. Não é uma profissão fácil, e não leva a muito longe na vida.

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Fonte: Com informações: Ego