Barulho dos blocos e trios elétricos pode prejudicar a audição

Mas o excesso de barulho gerado pelas aparelhagens de som e pelos instrumentos de percussão pode afetar a audição.

A poucos dias do Carnaval, blocos e trios elétricos já arrastam foliões em várias cidades Brasil afora. No Piauí, a folia inicia uma semana antes com o Corso. Mas o excesso de barulho gerado pelas aparelhagens de som e pelos instrumentos de percussão pode afetar a audição.

Especialistas da área de saúde alertam que o barulho pode afetar não só os músicos e percussionistas para os males causados e aparelhagens de som, que pode prejudicar a audição dos foliões e também dos músicos e percussionistas que garantem o sucesso da festa. O melhor é colocar protetor nos ouvidos.

Mas usar ou não protetores virou polêmica depois que a cantora Claudia Leitte apareceu com esses acessórios durante ensaio técnico da escola Mocidade Independente de Padre Miguel – ela será a rainha de bateria – no Sambódromo do Rio. “Aproveitadora”, “frescura” e “amadorismo” foram alguns dos adjetivos usados por seus críticos por ela querer se proteger do som da bateria.

A fonoaudióloga Isabela Carvalho explica que sons acima de 85 decibéis podem provocar lesões irreversíveis na cóclea (órgão da audição). “Para efeito de comparação, uma turbina de avião emite sons de 110 decibéis, enquanto que perto da bateria de uma escola de samba esse volume pode alcançar 130 decibéis. O indivíduo deve evitar a exposição a sons dessa intensidade”, alerta a especialista.

Para se ter uma ideia, quem brinca a 50 metros de um trio elétrico está exposto a um ruído de 96 decibéis, e quem fica logo atrás do trio enfrenta um barulho ainda maior, que pode chegar a 120 decibéis.

Em ambientes fechados a poluição sonora também é prejudicial, seja pelo batuque das baterias ou até pelo alto volume nas caixas de som, em clubes ou quadras de escola de samba.

Conheça as consequências da exposição ao barulho intenso

A grande intensidade de som pode ocasionar sensação de pressão nos ouvidos, zumbido e dificuldades para ouvir, no próprio dia ou no dia posterior à folia. E o que é pior, os efeitos podem ir mais além, como explica a fonoaudióloga.

"Mesmo que a pressão no ouvido ou zumbido desapareça logo após a exposição a sons elevados, as células auditivas já podem ter sido lesionadas. Os problemas de audição poderão aparecer com o passar do tempo", explica.

A perda de audição conhecida pela sigla PAINPSE (Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados) tem efeito cumulativo e é resultado da exposição prolongada a ruídos altos, no decorrer da vida.

Por isso, a especialista alerta: "Os ouvidos são sensíveis ao excesso de barulho, tanto na intensidade, quanto no tempo de exposição. As lesões são irreversíveis, já que o organismo não consegue produzir novas células auditivas saudáveis".

Para quem quer se esbaldar no Sambódromo, em blocos, bailes e trios elétricos, a fonoaudióloga recomenda uma distância mínima de 10 metros da fonte do barulho, além do uso de protetores auriculares, que diminuem o impacto do som alto nos ouvidos.

Os ritmistas também devem usar a proteção. "O atenuador diminui o som, permitindo que se escute a música e o batuque em um volume aceitável para os ouvidos", explica a fonoaudióloga.

Há vários modelos de protetores de ouvido e diminuem o som que entra pelos ouvidos em até 25 decibéis.

A exposição prolongada ao som alto, por anos seguidos, pode levar a diversos graus de surdez, ao longo dos anos, de acordo com a sensibilidade de cada pessoa. Por isso, cuide de sua audição para poder brincar com alegria, ouvindo os sons da folia por muitos e muitos carnavais.

Fonte: Jornal Meio Norte