No 2º dia de desfiles na Sapucaí, Portela, Beija-Flor e Unidos da Tijuca são destaques

Noite teve 'Águia Cristo Redentor', pouso de paraquedista e 'máscara viva'. São Clemente, União da Ilha e Imperatriz também desfilaram na Sapucaí

Portela, Beija-Flor e Unidos da Tijuca foram destaques do segundo dia de Grupo Especial do carnaval do Rio, nesta noite de segunda-feira (16).

O dia foi de ostentação e teve como primeiro grande momento o pouso de paraquedistas na avenida, com sinalizadores para anunciar a entrada da Portela.

Mesclando tradição e tecnologia, a escola que no ano passado ficou em terceiro lugar chega com força para brigar pelas primeiras colocações. Com um enredo sobre os 450 anos do Rio, a Portela fez um desfile-ostentação, com "Águia Cristo Redentor" se curvando diante do público e bolas-drones sobrevoando a Sapucaí.



Apesar de problemas em evolução e alegorias, como o de um carro que desfilou com as luzes apagadas e sem chafariz, a azul e branca foi ovacionada pelo público e saiu da Sapucai os gritos de "é campeã".

Já a Beija-Flor voltou às suas características, apostando no luxo e tradição em um desfile de resgate da sua alma africana, marcado pela perfeição técnica e alegorias e fantasias rebuscadas, com uma profusão de máscaras, carrancas, búzios e plumas. O diferencial tecnológico veio na comissão de frente, que exibiu escudos em formato de máscaras, que mudavam de expressão, em movimentos comandados por controle remoto.

A escola procurou não se deixar abater pelo polêmica em torno do patrocínio recebido do país homenageado, a Guiné Equatorial, que é uma ditadura comandada há 35 anos por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.

"A gente pegou um enredo para falar de um país africano, que até então muita gente não conhecia. Nossa questão aqui é carnaval. O regime não nos compete. Cuba era odiada pelo mundo democrático e hoje está sendo abraçada", disse ao G1 o presidente da Beija-Flor, Farid Abraão.

Sem o carnavalesco Paulo Barros (atualmente na Mocidade), a Unidos da Tijuca veio menos impactante, mas sem abrir mão de elementos que se transformaram em marca registrada da escola.

Foi assim com as alegorias humanas, com carros repletos de movimentos coreografados e alas com fantasias criativas e surpreendentes. Um dos destaques foi o carro alien, em homenagem ao artista suíço Hans Rudolf Giger, que trabalhou com Ridley Scott no filme "Alien, o oitavo passageiro", com aliens e imagens do filme em telões.

A ala que retratou o acelerador de partículas tinha componentes fantasiados com luzes de LED de diferentes cores. Com o o enredo “Um conto marcado no tempo – o olhar suíço de Clóvis Bornay", a Tijuca carnavalizou famosos símbolos do país como os relógios, os canivetes, os chocolates e os Alpes, fazendo até "nevar" na forma de espuma de sabão, no carro que tinha ainda pista de patinação no "gelo".

A campeã do carnaval 2015 no Rio de Janeiro será conhecida na quarta-feira (18). A apuração começa a partir das 16h45.

As seis melhores colocadas voltam a Sapucaí no sábado (21) para o desfile das campeãs. A escola que ficar em último lugar será rebaixada para a Série A, o grupo de acesso.

Veja os principais destaques do segundo dia de desfiles do Carnaval 2015 no Rio:

SÃO CLEMENTE


Primeira a desfilar, a escola da Zona Sul fez uma homenagem ao carnavalesco Fernando Pamplona (1926-2013), conhecido por seu trabalho no Salgueiro e pela renovação estética trazida aos desfiles.

Em sua estreia na São Clemente, a carnavalesca Rosa Magalhães apostou num desfile cheio de assombrações, caveiras, mitos do folclore acreano que fascinavam Pamplona, e ícones do carnaval de rua. Indo contra a atual tendência, a escola apostou em uma comissão de frente sem elemento cenográfico, só com componentes vestidos como pássaros, em referência ao Matinta Pereira, personagem do folclore brasileiro.

Já a bateria teve em sua frente Rafaela Gomes, de 16 anos, a mais jovem rainha deste ano no Grupo Especial (leia o relato completo).

PORTELA


Com um enredo sobre os 450 anos do Rio, a Portela fez um desfile-ostentação, com direito a uma "Águia Cristo Redentor" se curvando diante do público e paraquedistas pousando em plena avenida com sinalizadores para anunciar a entrada da escola.

A escola apresentou a Cidade Maravilhosa num estilo surrealista e abusou da tecnologia. A águia-drone do ano passado apareceu de novo na Sapucaí e um carro representando o Maracanã veio escoltado por 3 bolas-drone que sobrevoaram as arquibancadas. A comissão de frente também causou impacto com um enorme telão em forma de relógio derretido da obra de Salvador Dalí. A Tabajara, como é conhecida a bateria, tocou num ritmo frenético e contagiante, que levantou a arquibancada, e trouxe à sua frente, além da rainha Patrícia Nery, o cantor Carlinhos Brown.

Apesar de alguns problemas em evolução e alegorias, como o de um carro que desfilou com as luzes apagadas e sem chafariz, a azul e branca saiu da Sapucai os gritos de "é campeã" (leia o relato completo).

BEIJA-FLOR


A escola de Nilópolis resgatou neste carnaval a exaltação da cultura e a alma africana com um enredo em homenagem à Guiné Equatorial. A Beija-Flor optou mais uma vez pelo luxo e tradição para esquecer o 7º lugar do ano passado e voltar a sonhar com as primeiras colocações.

A escola procurou deixar o polêmico regime político do país homenageado de lado e focou nas belezas do país, apresentando um desfile poderoso, de alegorias e fantasias impactantes e rebuscadas, com uma profusão de máscaras, carrancas, búzios, plumas, palha e sisal. A comissão de frente veio sem elementos cenográficos. Munidos de lanças e escudos, os bailarinos fantasiados de guerreiros formavam uma árvore na avenida. Em formato de máscaras, os escudos causaram impacto ao trazer movimentos de expressões faciais, controlados por controle remoto.

Outro ponto alto foi o samba-enredo, embalado pela voz única e marcante de Neguinho da Beija-Flor, que neste ano completa 40 anos de escola (leia o relato completo).

UNIÃO DA ILHA


Com o enredo "Beleza pura", a União da Ilha propôs uma discussão sobre a vaidade e o culto ao belo, de Cleópatra e Renascimento a selfies e malhação, em um desfile repleto de citações a histórias infantis e desenhos animados, com direito a personagens em versões plus size.

A comissão de frente trouxe a atriz Cacau Protássio fantasiada de Branca de Neve. As alas brincaram com contos de fadas, teorias de filósofos, artes plásticas e moda, lembrando inclusive o "reino dos excluídos", com Betty a feia, Corcunda de Notre Dame, Frankestein, Fantasma da Óperam, Cyrano de Bergerac e o patinho feio. Na ala "desfile de moda", a estilista Edna (do filme "Os incríveis") teve companhia de várias modelos que eram Olívias Palitos.

Apesar do tema beleza, o desfile não foi tão belo assim no quesito evolução: um problema em um dos carros deixou um grande buraco na avenida, o que pode tirar pontos da escola (leia o relato completo).

IMPERATRIZ


O fio condutor do carnavalesco Cahê Rodrigues, que começou como assistente de Joãozinho Trinta ainda adolescente, foi a África de Nelson Mandela, líder da luta contra o apartheid na África do Sul. A escola apostou numa África "pop" com fantasias e alegorias de cores flourescentes, inspiradas na arte africana. Uma das alegorias, que teve Eliza Lucinda e Antonio Pintanga, tinha luzes de neon coloridas.

A Imperatriz usou de menos tecnologias e mais elementos de cena, como acrobatas e esculturas articuladas e de boa qualidade artística nos carros – foi para a avenida com 3.400 integrantes em 32 alas, 6 carros e 3 tripés.

A jornalista Glória Maria também foi destaque, ao lado do jogador Zico, tema da escola no ano passado. A atriz Adriana Lessa também desfilou pela Imperatriz (leia o relato completo).

TIJUCA


A Unidos da Tijuca, atual campeã do carnaval do Rio, encerrou o desfile do Grupo Especial com uma viagem pelos símbolos, personagens e lendas da Suíça. A comissão de carnaval, formada por Mauro Quintaes, Carlos Carvalho, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, mergulhou fundo na pesquisa sobre lendas da Suíça como a da flor edelweiss, do arqueiro Guilherme Tell ou do cão São Bernardo, chamado pelos suíços de Anjo dos Alpes, por salvar pessoas soterradas em avalanches de neve.

O país também foi lembrado pelas suas inovações tecnológicas, das caixinhas de música ao acelerador de partículas atômicas. O carnavalesco Clóvis Bornay, filho de pai suíço e lendário campeão de fantasias de luxo do carnaval carioca, foi a figura escolhida para ser o elo entre o Brasil e o país patrocinador do desfile. A escola entrou com 4.000 componentes distribuídos em 33 alas, 7 carros e 3 tripés. A bateria de mestre Casagrande veio fantasiada de guarda suíça e teve à sua frente Juliana Alves como rainha

Fonte: G1