Recebe alta espanhol que fez transplante de rosto

Recebe alta espanhol que fez transplante de rosto

Homem aparece em público após transplante de rosto na Espanha

"Senti alegria e felicidade". Assim resumiu nesta terça-feira seu estado de ânimo, Rafael, o homem que recebeu o segundo transplante de rosto da Espanha. Ele compareceu hoje ao hospital Virgen del Rocío de Sevilla para mostrar os resultados de sua operação, que terminou 21 de janeiro, após 30 horas de intervenção e a colaboração de 13 departamentos de saúde.

As informações são do jornal El País. O paciente já tem sensibilidade à dor, distingue o calor e o frio, e já faz a barba. Ele ainda tem inchaço no rosto e dificuldade para falar, pois vai recuperar a mobilidade total da língua em três meses. Rafael superou as dificuldades para aparecer na mídia: "Eu quero agradecer a família do doador e a equipe médica." Ele se apresentou com sua mãe, Juana, e sua irmã, Belen, que segurava sua mão durante a coletiva. Também participaram do evento Juan David Padilla Gonzalez, diretor da Unidade de Cirurgia Maxilo Facial, e Dr. Thomas Gomez, Co diretor de Cirurgia Plástica, que mostrou um quadro do antes e depois, e assegurou que dentro de um ano o rosto do paciente estará recuperado.

Depois de sua aparição, Rafael pediu respeito pela sua privacidade: "Agora me deixem em paz." Em agosto de 2009, uma equipe do hospital La Fe de Valência, liderado pelo Dr. Pedro Cavadas, realizou a primeira operação do gênero na Espanha. Nessa ocasião, o destinatário era um homem de 43 anos, que recebeu os tecidos faciais de outro homem de 35 anos, que havia morrido em um acidente de trânsito.

A Organização Nacional de Transplantes deu o aval em junho para as duas primeiras operações desta natureza no país, La Fe de Valência e da Virgen del Rocío de Sevilla, os centros que já tinha pacientes candidatos. Hospital Sevilla já tem outros transplantes desse tipo previstos para os próximos meses, mas não estão confirmados. O processo de transplante de rosto tem duas partes complicadas.

Em primeiro lugar, remover os tecidos que serão transplantados com vasos sangüíneos e terminações nervosas. O segundo adaptá-los para o receptor. Antes disso, há uma etapa preliminar com um alto custo emocional, que a família do doador candidato deve dar permissão para a intervenção. Embora a Espanha seja um dos países com menor taxa de recusa familiar para permitir a extração de órgãos de um corpo para a implantação em outra pessoa, a taxa de resposta negativa é de 17%. Os destinatários não recebem as características faciais de seus doadores porque os tecidos são adaptados à estrutura óssea do receptor. Além dos dois na Espanha, houve apenas sete transplantes de face em todo o mundo: quatro na França, dois nos Estados Unidos, e uma na China.

Fonte: Terra, www.terra.com.br