Cresce número de jovens que fazem plástica

As operações plásticas entre adolescentes dispararam em 15 anos

Seios "turbinados", nariz de boneca, barriguinha reta. Objeto de desejo de muitas adolescentes, as operações plásticas nessa faixa etária dispararam em 15 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Em 1994, 5% das intervenções foram em menores de 18 anos. Em 2008, o índice subiu para 15% do total. Mas médicos alertam: o sonho pode virar pesadelo.

Para o presidente regional da SBCP, Sérgio Levy, intervenções em meninas só devem ser feitas em casos de "perda de auto-estima e isolamento social". "Há quem não saia de casa e sofra discriminação. Há também gente que procura por pura estética. Plástica não é aventura e pode deixar resultados eternos", fala. Ele explica que, no caso do silicone, é preciso observar se os seios estão totalmente desenvolvidos. Já a lipoaspiração, diz, só deve ser feita quando a gordura localizada não sai com exercícios nem dieta.

Com 30% dos clientes com menos de 20 anos, o cirurgião Tomaz Nassif conta que recebe pacientes até de 13 anos. "A recuperação do jovem é mais rápida e o metabolismo, melhor. Mas peço para esperarem o desenvolvimento total. Tem gente que quer mudar oito coisas só no rosto e nunca está satisfeita", declara.

A psicóloga Valésia Vilela lembra que as adolescentes são as mais influenciadas pelo atual padrão de beleza. "Mas muitas meninas ficam frustradas e deprimidas com o resultado das plásticas. O ideal é esperar a maturidade da mente e do corpo", afirma.

Cansada de recorrer a sutiã com enchimento, meias e até sacos plásticos, a modelo Afra Farias, 16 anos, decidiu "turbinar" os seios com silicone há um mês. A menina foi incentivada pelo tio, Zé Reinaldo Farias, e teve autorização por escrito da mãe, Antônia Farias. "Vi com naturalidade o desejo dela", conta a mãe.

Escolhi na Internet o busto igual ao de uma atriz

"Coloquei 300ml de silicone e escolhi na Internet o busto igual ao de uma atriz americana", explica Afra qual critério usou na escolha da prótese.

"Amei e agora me sinto feliz. Antes, as roupas não vestiam bem e cheguei a ouvir piadas por causa do busto pequeno", comenta. "Além disso, o trabalho de modelo estava prejudicado porque as fotos não ficavam boas", explica.

"Tenho 1,73 cm e peso 55 kg, mas uma gordurinha me incomoda. Penso em fazer lipo no futuro", fala a modelo.

Fonte: Terra, www.terra.com.br