Grupo de mulheres produz próteses para pacientes que retiraram a mama

Elas produzem cerca de 50 próteses de diversos tamanhos e devolvem a auto-estima de mulheres mastectomizadas por causa do câncer de mama.

Cinquenta mil brasileiras vão ter diagnóstico de câncer de mama este ano. A luta contra a doença mexe com a auto-estima e com a feminilidade.

Em São Paulo, quem enfrenta esta batalha, ou já enfrentou, ganhou apoio de outras mulheres que enfrentaram o mesmo drama.

A retirada completa da mama por causa de um câncer é um assunto muito delicado e pouco discutido. Algumas pacientes não podem colocar uma prótese de silicone depois da cirurgia. Para ajudá-las, um grupo de senhoras se organiza toda semana.

Boa parte das Integrantes do Viva Melhor conheceu na pele o drama da retirada de um seio. ?Essa semana eu conheci uma pessoa. Ela chegou na Associação usando uma tipóia, eu perguntei se ela tinha machucado o braço e ela disse: ?Não. É para esconder a falta da mama??, relata a secretária do grupo Viva Melhor Ideli Anselmi.

Todas as semanas se reúnem as voluntárias do grupo Viva Melhor que apóia mulheres mastectomizadas, que tiraram a mama por causa do câncer. Elas produzem cerca de 50 próteses de diversos tamanhos.

O grupo já trabalhou com chumbinho, isopor e alpiste. Hoje usam grãos de polietileno, a matéria prima do plástico. Os grãos criam uma textura natural desenhando uma prótese com aparência muito próxima do seio. Algumas marcas de lingerie já desenvolveram sutiãs com uma abertura lateral que permite o encaixe confortável e ajustável da prótese.

Logo depois da retirada da mama a mulher já pode sair do hospital com uma prótese com volume e sem peso que é mostrada no vídeo, esse modelo de manta acrílica não prejudica os pontos. Depois de 15 a 30 dias a mulher pode usar a prótese com peso, encaixada no sutiã. É para ser utilizada todos os dias e não só por uma questão estética, mas para o equilíbrio do corpo.

?É muito importante que ela não tenha tantas dores na coluna, pescoço, ombro. Fica desequilibrada?, explica Ideli Anslemi.

A presidente do grupo teve que tirar a mama direita há 22 anos, quando não se fazia reconstrução. Mas há 14 anos passou a usar próteses que lhe devolveram a auto-estima, fundamental para mulheres que passam por esta perda.

?A prótese é doada. Tem custo zero?, conta a presidente do Viva Melhor Vera Emília Teruel.

?Uma das coisas que é muito forte na nossa Associação é o exemplo. Nós mostramos a elas que passamos por todo esse trecho difícil da vida e, mesmo assim, nós superamos e hoje estamos lá para mostrar que é possível a vida depois do câncer de mama?, diz a conselheira do grupo Viva Melhor Soila Bertola da Silva.

As mulheres que utilizam as próteses produzidas pelo grupo Viva Melhor, falam que elas são muito melhores dos que as produzidas em grande escala. Elas se adaptam melhor, não machucam e ainda têm o carinho, a solidariedade de quem passou por esse problema e dá esse grande exemplo.

Fonte: g1, www.g1.com.br