O uso do remédio sibutramina tem restrições

"Espelho, espelho meu. Existe alguém mais magra do que eu?".

 A busca desenfreada pelo corpo perfeito, sarado, enxuto e que se enquadre nos padrões atuais de beleza leva muitas mulheres a buscarem atalhos para chegarem ao "corpo ideal".

O remédio de emagrecer é um desses atalhos. Só que a Sibutramina, atualmente um dos medicamentos mais consumidos pelas brasileiras, tem muitas restrições para o uso, por causa de seus efeitos colaterais.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pede cautela. A Sibutramina age em um neurotransmissor cerebral, a serotonina, que está ligada a sensações de bem-estar e ansiedade. A pessoa que utiliza esse medicamento se sente menos ansiosa e acaba diminuindo a quantidade de alimento ingerido.

De acordo com a endocrinologista Regina Querino, a Sibutramina é um medicamento que deve ser usado com restrições. "Os riscos são em relação ao aumento de pressão arterial e de frequência cardíaca, principalmente naqueles pacientes que já apresentam estas alterações previamente ao uso", disse. Os efeitos colaterais mais recorrentes são dor de cabeça, intestino preso, sudorese, aumento de frequência cardíaca, e aumento leve de pressão arterial.

A atriz Patrícia Oliveira, 25 anos, tomou o medicamento por quatro dias e teve uma resposta negativa à medicação. "Para emagrecer consultei um médico e ele me recomendou a Sibutramina.

Não fiz nenhum exame, tomei uns quatro dias e me senti mal. Fui para o hospital com taquicardia e fraqueza. Lá, o médico suspendeu o medicamento," disse. A estudante Paula Ferreira, 21 anos, também não de adaptou ao remédio. Tomou a medicação após realizar os exames necessários e logo no começo do tratamento sentiu os efeitos colaterais.

"No início ficava agitada, sem fome, às vezes parecia estar meio enjoada. Falei com meu médico, mas ele disse que era normal, e que meu corpo iria se acostumar. Resolvi parar o tratamento por conta própria",disse. Foi realizado um estudo para saber os efeitos negativos que a Sibutramina pode causar nos pacientes.

O SCOUT (Sibutramine Cardiovascular Outcomes), que avaliou 10 mil pacientes durante seis anos, demonstrou aumento do risco cardiovascular nos pacientes tratados com a substância.

O SCOUT indicou que o risco de desenvolver enfermidades cardiovasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e parada cardíaca, aumenta em 16% nos pacientes que utilizaram o medicamento, quando comparados àqueles tratados com placebo. Para emagrecer com saúde é necessário procurar um médico especializado e realizar os exames necessários antes de iniciar qualquer tratamento.

A melhor opção continua sendo a reeducação alimentar e uma rotina de exercícios físicos. "A maneira mais segura de emagrecer é a velha dupla: dieta adequada e atividade física. Por dieta adequada, entenda-se refeições pequenas, até seis por dia, com cardápio variado, privilegiando frutas e verduras", disse a endocrinologista Regina Querino.

ANVISA segue com algumas restrições para a Sibutramina A Agência Nacional de Vigilância Sanitária alerta para os profissionais de saúde sobre o uso de Sibutramina no Brasil. A medicação é usada para auxiliar o emagrecimento. A realização do estudo SCOUT (Sibutramine Cardiovascular Outcomes), demonstrou aumento do risco cardiovascular nos pacientes tratados com a substância.

A partir da análise do estudo, a Anvisa recomenda a contra-indicação do uso de medicamentos à base de Sibutramina para pacientes com perfil semelhante aos incluídos no estudo SCOUT: -Pacientes que apresentem obesidade associada à existência, ou antecedentes pessoais, de doenças cardio e cerebrovasculares.

-Pacientes que apresentem Diabetes Mellitus tipo 2, com sobrepeso ou obesidade e associada a mais um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A Anvisa, por meio da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) fará nova avaliação do estudo, ainda em fevereiro, com o objetivo de investigar os níveis de segurança do medicamento em pacientes com perfis distintos dos já estudados. Essa avaliação poderá levar a Agência a determinar outras medidas restritivas ao uso da substância.

Fonte: Terra