Morre aos 55 anos a cantora e ativista LGBTT, Claudia Wonder

Morre aos 55 anos a cantora e ativista LGBTT, Claudia Wonder

Morreu aos 55 anos, às 4h30 desta sexta-feira (26)

Morreu aos 55 anos, às 4h30 desta sexta-feira (26), a performer, cantora e uma das maiores ativistas dos direitos LGBT no Brasil, Claudia Wonder. Nascido Marco Antônio Abrão, ela estava internada há quase dois meses no Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS, na Vila Mariana, por conta de uma criptococose, doença causada por um tipo de fungo.

Amiga de Claudia, Irina Bacci, disse que a família ainda não tem informações do velório: "a gente está escolhendo um lugar para enterrá-la. Ainda não temos o horário do enterro e onde o corpo será velado", afirmou.

Em 2009, a cantora lançou o filme Meu Amigo Claudia. "Ela estava muito feliz com a divulgação do longa e continuava seu trabalho no Centro de Refência da Diversidade. Sua morte é muito triste", lamentou Irina, amiga de Claudia há seis anos.

Vida e carreira

Marco Antonio Abrão não demorou para descobrir sua transexualidade. Ainda na adolescência, começou a frequentar a noite gay e a se inserir no contexto transgênero, sendo contemporânea dos grandes nomes do travestismo paulistano, como Andréia de Maio, Thelma Lipp, Brenda Lee, entre outras.

Claudia Wonder era performer, cantora/compositora, atriz, escritora e ícone do underground e comunidade LGBTT brasileira. Começou sua carreira artística fazendo shows em boates e logo estreou no teatro e no cinema. Ainda adolescente contracenou com grandes nomes nacionais, entre eles, Tarcísio Meira e Raul Cortez.

Um de seus feitos foi ter conseguido em plena Ditadura Militar fazer shows e frequentar as páginas culturais de jornais e revistas. Ao participar de três bandas de punk - Novas Flores do Mal, Jardim das Delícias e Truque Sujo -, ela também influenciou toda uma geração.

Além disso, a performer inovou com seus espetáculos. Com o famoso Vômito do Mito, ela chocou o público ao ficar nua, usando apenas uma máscara diabólica em uma banheira de groselha e a espirrar o líquido no público dizendo que era sangue com HIV, numa tentativa de provocar as massas que tinham preconceito com os portadores do vírus e não procuravam se informar das formas de contágio.

No final da década de 80 mudou-se para a Europa e lá ficou durante onze anos, onde trabalhou em shows e depois como empresária na área da estética. Era formada como cabeleireira e maquiadora.

De volta ao Brasil, Claud retomou a carreira artística, participou de duas coletâneas musicais.

Fonte: Terra, www.terra.com.br