Primeira escola gay do país inaugura sua sede

Primeira escola gay do país inaugura sua sede

Situada em Campinas, Escola Jovem LGBT terá aulas para 54 alunos em quatro cursos

Primeiro colégio brasileiro inteiramente dedicado à cultura gay, a Escola Jovem LGBT, situada em Campinas (interior do Estado), inaugura neste sábado (13) a sua sede.

O evento começa às 8h, no bairro Jardim Nova Europa. Todos os equipamentos e salas de aula já estão prontos, e os professores já começam o dia ensinando os alunos - os cursos são livres e gratuitos.

A primeira turma, de dança, terá aulas das 9h até o meio-dia. Foram aprovados 11 estudantes, sete de Campinas. Todos os outros são do Estado de São Paulo.

No mesmo sábado acontece a aula de Web TV, das 13h às 16h. O curso teve 16 candidatos aprovados. A turma de fanzine, por fim, fecha a inauguração do colégio, com classes a partir das 17h.

São oferecidos quatro cursos - além dos três já mencionados, há uma turma de Canto e Coral, com 17 alunos escolhidos. No total, 54 jovens entre 13 e 29 anos vão estudar no colégio.

Todos terão acompanhamento de uma fonoaudióloga. Os estudantes gravarão um álbum no final do curso, que será divulgado em 2011.

As aulas serão dadas uma vez por semana - às terças, quartas, quintas ou sábados, dependendo do curso. Cada turma dura dez meses, de março até dezembro.

Gays e heteros

A escola é aberta tanto para gays quanto para heteros. Ela é fruto de um contrato entre o Ministério da Cultura, o governo do Estado de São Paulo e uma ONG de apoio à diversidade sexual - o Grupo E-Jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados.

O projeto receberá R$ 60 mil neste ano para suas atividades. Em três anos, prazo que dura o contrato, serão investidos R$ 180 mil.

A escola será um Ponto de Cultura e terá mais atividades, além dos cursos.

Presidente do E-Jovem e um dos diretores da escola, Chesller Moreira - conhecido como a drag queen Lorehn Beauty - afirma que houve muita procura pela escola:

- Estamos com lista de espera de 80 a cem nomes para cada curso. É muito mais do que esperávamos, com gente de outros Estados, como Mato Grosso e Amazonas querendo fazer as aulas.

Um dos diretores, Deco Ribeiro, reflete a importância de o colégio ser um espaço plural:

- Nossa proposta é quebrar o preconceito. Queremos ajudar a mudar uma visão ainda predominante, da cultura heterossexual normativa.

Ribeiro avalia que muitos tabus e padrões de comportamento estão incluídos nessa "norma hetero":

- Por exemplo, dizer que homens não podem usar rosa. Ou que gays não podem servir ao Exército. Tudo isso é herança de um certo conjunto de regras de caráter conservador e heterossexual que queremos quebrar.

Mais informações no site do grupo E-Jovem.

Fonte: R7, www.r7.com