Rio: Menino que teve perna quebrada quer ser jogador

Pai quebrou a perna do menino na tentativa de salvá-lo de ser soterrado na casa em que moravam

Se recuperando na casa da avó, Pedro de Andrade teve a perna quebrada pelo próprio pai, na tentativa de salvá-lo de ser soterrado na casa em que moravam, no Morro do Espanhol, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. Agora, o menino, de 15 anos, espera ficar bom para realizar seu maior sonho: ser jogador de futebol.

?Vou ser melhor do que o Ronaldinho Gaúcho?, avisa ele, que, ano passado, recebeu um convite de um olheiro para jogar numa escolinha de futebol. Mesmo sabendo do sonho, seu pai, Magno Jesus de Andrade, não abriu mão de sacrificar a perna do filho, ao ouvir que ele estava preso.

?A perna dele ficou presa mesmo. A minha sogra se juntou a mim, puxamos, fizemos força e tivemos que quebrar a perna para tirar. Ele falou: ?pai, vai embora. Salva todo mundo e me deixa aqui?. Eu falei que não, ele podia ficar sem perna, você não joga mais bola, mas ninguém vai ficar aqui. Depois de uns cinco minutos conseguimos tirar ele?, lembra Magno.

Pedro, que fraturou a tíbia, está sem dormir há 10 dias. ?Só veio imagens tristes na cabeça. Pensei que ia morrer e, por isso, falei para meu pai ir embora. A dor de quebrar a perna foi o de menos?, diz o adolescente.

Pai relembra momento do deslizamento

A casa em que eles viviam foi condenada pela Defesa Civil. Magno vivia no local há mais de 20 anos com a mulher e os três filhos. ?A pessoa tem que vir e olhar o que aconteceu para acreditar. Foi uma coisa muito difícil. Desespero total. Mora aqui há 37 anos e nunca vi isso. Nunca mais vou esquecer. Passei o terror, consegui salvar meus filhos e minha mulher e perdi amigos?, conta ele.

Segundo Magno, foi a mulher dele que, preocupada com os deslizamentos próximos à casa da família, reuniu todos no primeiro andar da casa. ?Ela começou a fazer um escarcéu, depois que caiu uma barreira do lado, e começou todo mundo a correr. Ninguém sabia para onde ir porque estava tudo escuro, um breu. Saímos correndo?, lembra.

Fonte: g1, www.g1.com.br