Troca de farpas: Chefe da Globo briga com colunista de TV

Troca de farpas: Chefe da Globo briga com colunista de TV

Número um do Jornalismo da emissora carioca bate de frente com afirmação de diretor geral ao negar foco na classe C

O chefão de jornalismo da Rede Globo, Carlos Henrique Schroder, contestou a colunista de TV Cristiana Padiglione, do jornal O Estado de S.Paulo e negou por meio de comunicado que o troca-troca nos telejornais da emissora tenha sido gerado por crise de audiência.

No final de semana, os leitores do jornal puderam ler carta assinada pelo diretor-geral de jornalismo e esporte da emissora em que ele questionava nota na coluna de Padiglione que divulgara que a troca de Renato Machado por Chico Pinheiro no Bom Dia Brasil tenha sido motivada por crise de audiência e busca por público mais popular.

De acordo com a notícia, a mudança ocorreu por conta do crescimento registrado pela Record. Desde 2003, a emissora aumentou 450% em audiência na faixa da manhã, quando a Globo leva ao ar o Bom Dia Brasil.

Em comunicado, Schroder diz que o matutino da emissora carioca atende a todas as classes e afirma que os dois apresentadores da Globo são "refinados", para negar que haja um foco na busca pela classe C.

- De fato, ele (Renato Machado) é refinado em tudo, da cultura geral às boas maneiras. (...) Contudo, apenas o preconceito pode imaginar que a sofisticação dele o impediu de se comunicar bem; ao contrário, isso sempre o ajudou. Chico Pinheiro é considerado uma substituição natural justamente porque é igualmente refinado.

Mas sua posição é contraria à do diretor geral da Globo, Octavio Florisbal, que em entrevista recente ao UOL afirmou que a emissora promovia e promoveria mudanças com foco no público mais popular.

No comunicado, Schroder ainda enfatiza que a emissora não busca esse público e nega a crise, dizendo que o público da Globo reflete a população. Um levantamento apontado pela Folha de S. Paulo na quarta-feira (22) mostra que o início da crise de audiência dos matutinos na Globo começou em 2003, quando a Record estreou o Fala Brasil, apresentado logo após o São Paulo no Ar, em formato de jornal.

De 2003 até agora a audiência do Fala Brasil pulou de 1,1 ponto em média para 6,1 pontos, ou seja, um crescimento de 450%. Enquanto isso, a Rede Globo manteve a audiência média, mas perdeu 22% de Ibope sobre o número de televisores ligados.

Isso quer dizer que o número de televisores cresceu no período, mas a Globo manteve o mesmo número de telespectadores.

Não foi só a Globo que perdeu. Outras emissoras também foram afetadas pelo crescimento da Record na faixa de horário, como o SBT, que perdeu 25% de sua audiência.

Fonte: R7, www.r7.com