Vigia diz que homofobia foi motivo de agressão em SP

Vigia diz que homofobia foi motivo de agressão em SP

Para delegado, jovens podem responder por tentativa de homicídio

O segurança de um prédio da Avenida Paulista que presenciou a agressão de cinco jovens ? quatro adolescentes e um maior de idade -, na manhã de domingo (14), prestou depoimento na tarde desta sexta-feira (19) no 5º DP, na Aclimação. Ao sair da delegacia, ele disse que, depois de ajudar a parar o ataque, perguntou aos jovens por que tinham agredido o rapaz. ?Batemos porque ele é veado, foi o que eles me responderam. Aparentemente, foi preconceito?, declarou Rafael Fernandes.

A resposta, segundo ele, foi dada justamente pelo jovem que é maior de idade. Sobre quem iniciou as agressões, com uma lâmpada fluorescente, o segurança, inicialmente, citou que havia sido um dos adolescentes. Posteriormente, disse que não era possível afirmar se foi um dos menores de idade ou o maior que atacou primeiro.

Segundo o vigia, a agressão ?foi de graça?. Ele disse que, se não tivesse ido ajudar o rapaz agredido, ele ?poderia ter morrido?. ?Fiz meu papel como cidadão, apenas isso. Faria de novo, se visse uma agressão gratuita dessas novamente?, afirmou. Ele contou à polícia que, dos cinco jovens, três participaram da agressão efetivamente.

De acordo com o delegado assistente do 5º DP, Renato Felisone, com as imagens flagradas pelo circuito de segurança de um prédio próximo ao local e com o depoimento do segurança, está caracterizada ?uma agressão deliberada?. ?As imagens são claríssimas. O rapaz foi agredido de forma gratuita pelos jovens?, disse o delegado.

Segundo ele, logo após a ocorrência, as provas e depoimentos colhidos foram suficientes para tratar o caso como lesão corporal gravíssima e formação de quadrilha. Com as novas provas, os agressores poderão ser denunciados pelo Ministério Público por tentativa de homicídio.

?Com o rapaz desmaiado no chão, ensanguentado, sem esboçar reação por cinco jovens com um nível sociocultural razoável para entenderem os fatos, se não quiseram matar, assumiram esse risco?, afirmou Felisone. Mais duas testemunhas deverão ser ouvidas na próxima semana. O inquérito deverá ser encaminhado ao Ministério Público na próxima sexta-feira (26).

Fonte: g1, www.g1.com.br