De Chapolin a He-Man, goleiro vive super-heróis em campo

De Chapolin a He-Man, goleiro vive super-heróis em campo

Goleiro vira celebridade e evoca mais de 40 cartoons; conheça

Pablo Aurrecochea era apenas um bom e discreto goleiro do Club Guaraní, do Paraguai, até o início de 2010. Foi quando resolveu atender aos pedidos de Noelia, sua mulher. "Os arqueiros uruguaios só usam cores escuras, principalmente pretas. Ela disse: por que não usar cores mais vivas? Aí pensei em botar alguns super-heróis. Agora já são mais de 40", conta em entrevista exclusiva um dos principais personagens do futebol paraguaio nesse momento. De quebra, adversário do Cruzeiro na fase de grupos da Copa Libertadores, que se inicia nesta quarta-feira.

No Club Guaraní, Aurrecochea provocou risos quando apareceu no vestiário e disse aos amigos que vestiria um uniforme todo rosa, com imagem da Pantera Cor de Rosa, diante do Rubio Ñu. A ideia foi colocada em prática e transformou o autor em celebridade. Jornais da Espanha, de Portugal e da Argentina, por exemplo, já foram atrás de Vasco, como ele é chamado, para saber mais sobre as vestimentas exóticas. "No México, ficaram enojados quando usei um uniforme do Chapolin. Perguntaram quem é esse palhaço", conta ele, se divertindo com toda a repercussão.

Em pouco mais de um ano, Vasco Aurrecochea já vestiu uniformes com mais de 40 personagens diferentes. Krusty (palhaço dos Simpsons), Super-Homem, Batman, Garfield, Homem-Aranha, He-Man, Hulk, Chapolin e Mickey são alguns dos cartoons que o goleiro conta já ter utilizado. Nunca repetiu nenhum. Em seus planos para os próximos jogos estão o Pica-Pau e o Pato Donald, conta ele depois de pedir a ajuda da mulher Noelia para se lembrar dos nomes.

Entre os goleiros de todo o mundo, há uma discussão teórica sobre qual a melhor maneira de enfrentar atacantes: seria melhor vestir uniformes discretos, para tentar passar despercebido e surpreender? Ou coloridos, para tirar o foco? Vasco acredita que esteja do lado certo. "desconcentra os atacantes. Prefiro as cores vivas e o que faço é único no mundo", crê.

Aurrecochea conta que é parado por torcedores de todos os times. Querem lhe sugerir algo novo, um personagem diferente. "Os jogadores sempre me pedem para trocar. Até juiz já me pediu, mas disse que era para o sobrinho", se diverte Vasco. Apesar da repercussão positiva e engraçada, a moda já colocou o goleiro do Guaraní em apuros.

Em duelo contra o Cerro Porteño, Aurrecochea optou por uma camisa alvinegra, cores do rival Olímpia. Apesar de o uniforme conter ainda a imagem do Mickey Mouse, o goleiro gerou revolta nas arquibancadas. Foi atingido por uma pedrada na cabeça e deu início a uma discussão polêmica no futebol paraguaio. O Cerro acabaria punido.

Apesar da irreverência, o uruguaio de 30 anos, nascido em Artigas (bem próximo ao Rio Grande do Sul), é respeitadíssimo no futebol do Paraguai, onde desembarcou em 2004 para defender o modesto Tacuary. É visto como um líder e seguro arqueiro. "Ele tem total liberdade para escolher sua indumentária. O clube não tem nada a ver com isso", declarou recentemente Atilio Chávez, gerente esportivo do Guaraní.

A coisa funciona de forma simples: na semana anterior aos jogos, ele se reúne com Noelia, sua mulher, e define os personagens. O patrocinador envia três modelos diferentes para não haver problema. Por enquanto, os torcedores paraguaios não conseguem comprar os uniformes que Pablo Aurrecochea usa. Ainda assim, a moda peculiar já fez dele um personagem de repercussão mundial.











Fonte: Terra, www.terra.com.br