Lutador vence câncer, retirada de intestino e quimio e volta ao MMA

Lutador vence câncer, retirada de intestino e quimio e volta ao MMA

Polêmico chorou muitas vezes

Armando Coelho de Souza, 38, superou o câncer, tratamento de quimioterapia e cirurgia na qual retirou cerca de trinta centímetros do intestino para retornar à arena de MMA (artes marciais mistas), hoje, no Circuito Talent, em Osasco, em São Paulo.

Não fosse um apelido de pouco apelo para quem frequenta as grades do MMA, Coelho poderia muito bem substituir seu apelido de "Polêmico", por medir pouco as palavras, pelo de "Chorão".

"O médico me chamou e disse, "ô polêmico, você vai ter que tirar um pedaço do intestino e não vai mais poder lutar"", lembra o lutador.

Nem sei o que deu mais impacto na hora, ou se foi a combinação das [informações], mas comecei a chorar."

Nos meses seguintes, ao encontrar crianças com câncer em estágio terminal durante o tratamento pós-operatório e a quimioterapia, Polêmico chorou muitas vezes.

"Você vê uma criança de sete, oito anos, em vez de estar brincando, pulando muro ou na lanchonete com amigos, chegando no hospital carregada por não conseguir andar [por causa do câncer]. Faz você pensar", reflete ele.

Polêmico superou o choque e passou a ver essas crianças com frequência.

"Me curei. Mas eu volto para o hospital com meus [três] filhos doar brinquedos para essas crianças com câncer", diz Polêmico. "É preciso você passar por esse tipo de coisa para valorizar o que tem..."

Com quatro vitórias e três derrotas e com 38 anos de idade, Polêmico sabe que o principal evento de MMA do planeta, o UFC, está distante.

"Me realizo ao ver meu amigo Viscardi Andrade no UFC. Sempre disse que ele ia chegar lá", elogia o lutador.

"Mas não nego, fazer uma luta no UFC, mesmo que fosse a primeira de qualquer programação seria realizar meu grande sonho. Mas não sei..."

Mas, após o susto com o câncer, Polêmico diz que seu maior prêmio é estar vivo.

"Não há nada como ver o meu filho [de oito anos] cantando na escola durante a festa do Dia dos Pais", filosofa Polêmico. "Eu... Até chorei..."

Fonte: Folha