Esportes de luta dividem-se entre “boom” e dificuldades no Piauí

Esportes de luta dividem-se entre “boom” e dificuldades no Piauí

Lutadores piauienses focam nas vitórias para superar os próprios limites e as dificuldades vivenciadas pelas artes marciais. No Piauí, cresce o número de praticantes de esportes de lutas

É praticamente impossível ficar alheio à “onda” de crescimento que as artes marciais representam, hoje, no mundo do esporte, no Brasil e no mundo. É difícil até mesmo escolher parâmetros que sirvam de base de comparação para ilustrar o excelente momento vivido sobretudo pelo MMA (Mixed Martial Arts, ou artes marciais mistas) no país. O número de entusiastas vem aumentando, e o de praticantes também.

No Piauí não é diferente. O estado que já conta com um representante dono de diversas vitórias no badalado Ultimate Fighting Championship (UFC), Francisco “Massaranduba” Trinaldo, que busca novos nomes. Na capital e no interior do estado surgem lutadores que perseguem o sucesso e só pensam nas vitórias. Conversamos com três deles.

Treinando juntos em uma academia do centro norte de Teresina, eles enfrentam as dificuldades e procuram superar os próprios limites.

O primeiro deles é Luís Felipe “Buda”, que busca no fundamento do Boxe e do muay thai aprimorar sua competitividade como atleta. Ele ressalta o significado do esporte e reafirma que tudo é feito de forma profissional.

“Muita gente acha violento, mas não é bem assim. Lá em cima (no octógono) são duas pessoas preparadas para aquilo. É um esporte que está crescendo muito, e que só traz benefícios. Os fundamentos de jiu-jítsu, boxe e muay thai são essenciais para quem quer praticar esse tipo de atividade”, explica o atleta, que compete na categoria dos 60 kg.

E como não poderia deixar de ser, Buda também é um torcedor dos mais empolgados. Ele demonstra estar ansioso pela luta do brasileiro José Aldo, que no dia 25 de outubro defenderá o título dos pesos pena no UFC diante do americano Chad Mendes, no UFC Rio. “Hoje o Brasil está muito bem representado. Temos a luta do José Aldo, e torço para que o cinturão continue com o nosso representante”, disse Buda.

Já Ronney Menezes começou na musculação e passou depois para as artes marciais. Praticante de Boxe e Sandá (também conhecido como boxe chinês), o atleta de 26 anos conta com cinco lutas oficiais em eventos. Ronney também fala sobre as vantagens de abraçar as artes marciais como um estilo de vida.

“Qualquer esporte que traga disciplina e autocontrole é benéfico. E vale lembrar que não tem nada a ver com agressividade. O ato de praticar uma arte marcial condiciona o corpo todo, reeducando o praticante para que ele possa ser um atleta”, conta.

Manoel Maranhão, de 24 anos, possui 14 lutas e 10 vitórias, na categoria até 66 kg. É adepto dos estilos jiu-jítsu e boxe. “Gosto não só pela disciplina e dedicação que esse tipo de esporte cobra dos atletas, mas também pelo fato de que nós somos uma família. Pretendo um dia poder viver do esporte”, conta.

Mulheres consolidam presença no muay thai

Já é fato conhecido que o público feminino escolheu o muay thai como a arte marcial preferida. A mania se espalhou e hoje as academias e centros de treinamento precisam se adequar à tamanha demanda. Luana Coutinho é um desses exemplos. Militar do Corpo de Bombeiros, ela procurava por uma atividade que lhe permitisse aprimorar sua capacidade física, aumentando o rendimento no trabalho e, de quebra, contribuindo para melhorar a saúde. Não demorou muito até ela perceber que o Muay Thai reunia todas essas possibilidades. Já são cinco meses praticando - e curtindo a própria evolução.
“Sou praticamente uma viciada (risos). Se eu faltar, já fico triste. O muay thai me permite trabalhar o corpo todo, reforçando a resistência e a parte aeróbica. Está muito longe daquela coisa monótona que é às vezes a musculação.

Na luta, a atividade é coletiva, o que é muito mais interessante. Não costumo me pesar, mas pelas roupas percebo que já perdi algumas medidas”, afirma.
A estudante Alcione Ribeiro tem o mesmo tempo de treino de Luana e, assim como a militar, está descobrindo os benefícios da luta. “O preconceito de que esse é um esporte masculino já ficou para trás. Hoje, estamos mostrando que o muay thai também é para meninas”, conta Alcione.

Presidente da Federação fala de conquistas


Para Luciano Carvalho, presidente da Federação Piauiense de Artes Marciais Mistas, o momento é de enaltecer a mudança de ares - mas também de aproveitar para buscar o crescimento da profissionalização do esporte no estado.

“A prática aumentou bastante depois de a grande mídia dar respaldo. O esporte de luta deixou de ser ‘marginalizado’ e passou a ser uma alternativa para a prática da atividade física. A capacitação dos professores e a profissionalização dos eventos contribuem para esse novo cenário. Hoje temos a federação de artes marciais mistas, que regulariza os eventos profissionais”, conta Luciano.

Carvalho aponta que, localmente, o trabalho de base está sendo bem feito, mas quando passa-se para a fase do profissional, falta a visão empresarial do esporte. “Aqui o patrocínio ainda é visto como ajuda. Enquanto o esporte não for tratado como investimento em publicidade, vamos continuar com vários talentos nas categorias de base e sem tornarem-se realidade pela falta de recursos. Não vejo essa questão como obrigação de estado, e sim como visão empresarial de tratar o apoio ao esporte como investimento na área de publicidade”.

Luciano tem mais um desafio pela frente: acompanhar os atletas piauienses na Copa Brasil de Muay Thai, competição que será realizada em 1º de novembro, em Guarabira, na Paraíba. Na ocasião, Rafael França (até 75 kg), Stéfano Nunes (até 90 kg) e Iran Fialho (até 115 kg) vão representar o esporte piauiense.

Fonte: Dowglas Lima