Na 1° Copa, Neymar diz que sente falta de "ser normal" e afirma que já pensou em usar peruca

Na 1° Copa, Neymar diz que sente falta de "ser normal" e afirma que já pensou em usar peruca

Atacante brasileiro utiliza uma metáfora do pai para superar insinuações de “cai-cai” da imprensa europeia e afirma que quanto mais apanha mais gosta

- Às vezes, nós achamos que somos normais. Sentimos falta de sair. Já pensei até em usar peruca.

Mas não. Neymar não é uma pessoa normal. É a referência da seleção brasileira de Luiz Felipe Scolari que vai disputar a Copa do Mundo no Brasil. Concentrado com o grupo em Goiânia, para o amistoso desta terça-feira, às 16h (de Brasília), contra o Panamá, no Serra Dourada, também é o jogador mais assediado da equipe. Seja para uma foto ou um autógrafo. Mas não foi fácil. Até vestir a 10 canarinha, passou por muita coisa. Foi chamado de "cai-cai" pela imprensa europeia, um autêntico cavador de faltas. Situação que tem explicação metafórica.

- O meu pai sempre disse que um graveto apoiado se quebra facilmente. Se você jogar o graveto pro alto e dar um tapa com muita força vai ser mais difícil de quebrar. Tem tudo a ver com o jogador de futebol. Se você estiver apoiado e o adversário te der uma pancada, é mais fácil de você se machucar gravemente. Se você estiver um pouco levantado, é mais difícil de machucar.

E as pancadas o motivam ainda mais. Incentivam-no a ser simplesmente "Neymar Júnior".

- Não tem segredo para isso ou coisa específica. Sou um cara protegido, graças a Deus. Esse é o meu futebol. É o que eu faço. Não tenho medo de jogar, de me machucar. Eles começam a bater e me dá mais vontade de jogar bola.

E foi assim que chegou ao Barcelona. Que chamou a atenção dos catalães, que investiram mais de R$ 150 milhões em sua contratação. A ida para a equipe espanhola era um sonho, e Neymar nunca escondeu de ninguém. Nem os valores mais altos oferecidos pelo Real Madrid o fizeram mudar de opinião.

- Claro que eu pensava (nos valores oferecidos pelo Real), mas não conseguia me ver com outra camisa que não fosse a do Barcelona. Era um sonho jogar lá. O coração falou mais alto. É a magia dos jogadores, desse lugar, de jogar com os jogadores que estão aqui hoje. Foram essas coisas boas que foram encaixando.

Em Barcelona, a fama extrapolou a fronteira. Saiu do Brasil e invadiu o mundo. A febre Neymar virou mania. E o jogador até gosta do que vê pelas ruas.

- Ao ser ídolo, você atrai as pessoas, e elas querem se vestir como você. Olho o guarda-roupa e escolho. Já fui pro treino todo colorido para brincar. O jeito de me vestir é espontâneo. Sou extrovertido, feliz, amigo, gente boa...

E foi com todo esse bom humor que Neymar conversou com a TV Globo e o GloboEsporte.com ainda em Barcelona. Além de falar de seu estilo em campo e suas preferências, o camisa 10 da seleção brasileira ainda contou detalhes do relacionamento com o pai, seu Neymar, de sua atitude nas redes sociais e de como a Seleção está focada para buscar o hexacampeonato.

Confira abaixo os principais trechos de entrevista do craque da Seleção:

REDES SOCIAIS

- Costumo brincar com os meus amigos e digo: hoje em dia, a tecnologia trouxe para perto quem está longe e para longe quem está perto. Você fica o tempo todo no telefone, toda hora mandando mensagem e esquece quem está ao seu lado. Costumo falar com os amigos, com a família, com quem está longe e tento aproximar todo mundo. Quando posto fotos, tento ser eu, colocando algo sobre a minha característica.

"TÓIS"

- Foi um amigo que criou. Nós viajávamos e sempre falávamos "Tóis" em vez de nós. Meus amigos gostaram e acabou se tornando um sucesso. Trocamos apenas o "N" pelo "T".

O QUE SIGNIFICA A FAMÍLIA?

- Tudo. Muita coisa eu devo ao meu pai. Ele está sempre mostrando o caminho das pedras. Passou por muita coisa. Ele é mais amigo do que meu próprio pai.

APOSTAS E METAS

- No sub-20, eu queria um carro. Queria trocar de carro e falei com ele. No último jogo, se eu fizesse dois gols, ele me daria o carro. Fiz o segundo gol e saí fazendo o movimento (simulou como se estivesse dirigindo). (NR: no triunfo por 6 a 0 sobre o Uruguai, ele marcou duas vezes, e o Brasil se sagrou campeão do torneio).

CLIMA NA SELEÇÃO

- O grupo está confiante e todos estão focados, querem a mesma coisa. Um corre pelo outro. São todos amigos e, quando se está assim, um luta pelo outro. Essa união que nós temos dentro e fora de campo é que está nos levando a essa situação.

GOL NA ESTREIA DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES

- Foi fundamental aquele gol (contra o Japão). Não só para a Seleção, mas para mim mesmo. Estava num momento de desconfiança total, todo mundo perguntando: "Será que vai? Será que não vai? Será que vai jogar". Estava feliz com o time, comigo mesmo e sabia que, no momento certo, a qualidade técnica de cada jogador iria surgir.

DESEMPENHO DO GRUPO DA SELEÇÃO

- Nossa equipe está crescendo. Mudam os jogadores, mas a qualidade continua a mesma. Estamos encontrando um grupo. Encontramos uma identidade. A Seleção está bem, jogando, marcando. As trocas de jogadores são naturais e a equipe que iniciar sabe que dentro de campo vai ser assim.

DAVI LUCCA

- Meu filho é tudo para mim. Foi totalmente difícil para aceitar essa situação. E hoje ele é praticamente tudo. Mesmo longe dele, é tudo.

CAMISA 10

- Deve ter alguma coisa nessa camisa 10. Não sei. Acho que calhou de dar tudo certo. Tinha que dar certo. Qualquer camisa que fosse, 7, 8, 10... Já que é a 10...

COMO FOI A ESCOLHA DA CAMISA 10

Nas Confederações, o Felipão perguntou para os jogadores e, se não me engano, o Julio César escolheu a 12. Comigo, ele falou a 10 ou a 11. Eu pensei: "Me dá a 10 que eu quero mudar". Não foi nada planejado. Meu pai me ligou e disse: "Você é doido". Mas era para mudar um pouco. Esse número passou por craques e tenho a honra de vesti-la.

















Fonte: GloboEsporte