Neymar apoia protestos, mas protege jogadores: "Não somos do governo"

Neymar apoia protestos, mas protege jogadores: "Não somos do governo"

Craque da Seleção diz que reivindicações por melhorias no país são legítimas, mas condena ataques aos atletas: “Sou do povo. Não vim de berço de ouro"

Por trás dos vidros escuros do ônibus da seleção brasileira, Neymar está acostumado a acompanhar as manifestações de carinho dos fãs. Mas, desde a Copa das Confederações do ano passado, passou também a contemplar protestos, na onda que tomou conta do país no ano passado e ensaia voltar durante a Copa do Mundo. Após a vitória da seleção brasileira sobre o Panamá por 4 a 0, no Serra Dourada, o jogador voltou a se posicionar sobre o assunto, como havia feito em 2013. Ratificou o apoio aos manifestantes, mas condenou os que criticam os jogadores.

- Sou totalmente a favor de o povo se manifestar, buscar o direito. Sou do povo. Não vim de berço de ouro, de família rica. Batalhei muito com minha família para chegar até aqui. Só não concordo quando o povo se manifesta e critica os jogadores. Não somos do governo, também buscamos um Brasil melhor.

O técnico Luiz Felipe Scolari também já comentou a onda de protestos e mantém a postura de 2013. Os jogadores têm "total liberdade" para se posicionarem.

Ao longo da campanha da Copa das Confederações, Neymar se posicionou e deixou claro seu apoio às manifestações que tomavam as ruas das principais capitais do país. Na época, antes do jogo contra o México, em Fortaleza, pela primeira fase da competição, postou um longo texto em seu perfil numa rede social junto com uma foto da bandeira do Brasil. Outros atletas também marcaram posição.

- A única forma que tenho de representar e defender o Brasil é dentro de campo, jogando bola... E a partir deste jogo, contra o México, entro em campo inspirado por essa mobilização - escreveu o camisa 10.

Quase um ano depois, Neymar novamente acompanha protestos em várias partes do país. Agora, às vésperas da Copa do Mundo. No dia 26 de maio, por exemplo, viu de perto as manifestações de profissionais da educação em frente ao hotel do aeroporto Galeão, no Rio. O local foi o ponto de encontro dos jogadores convocados por Luiz Felipe Scolari antes da viagem a Teresópolis para o início dos treinos na Granja Comary. Na chegada à Região Serrana, mais cartazes, faixas e palavras de ordem.

Não foi diferente em Goiânia, local do jogo contra o Panamá, nesta terça-feira. Desde as primeiras horas do dia, manifestantes se concentraram na frente do hotel da Seleção. Astro da equipe, Neymar foi o principal alvo daqueles que condenam a realização da Copa no Brasil. Os manifestantes pediam a atenção do craque. E o camisa 10 mostrou que está atento a o que acontece fora de campo também.

Fonte: Globo Esporte