Nem morte de cavalo tira esperança do hipismo nas Olimpíadas

O cavalo de Gabriel Cury bateu com a pata em um obstáculo

Ao longo dos anos, o hipismo CCE brasileiro viveu em um meio termo que parecia não levá-lo a lugar algum. Puxados pela deficiência técnica no adestramento, os resultados nunca se aproximavam das grandes conquistas obtidas por Rodrigo Pessoa e companhia nos saltos. Sem alarde, o Conjunto Completo de Equitação (adestramento, saltos e cross country) mudou de status. Tanto é que chega aos Jogos Olímpicos do Rio acreditando em uma medalha.

"A aposta é muito grande no CCE. A gente sempre ficava muito, muito distantes dos primeiros. No Pan, já demos um calor nos americanos. A gente se preparou muito, principalmente no adestramento. Subimos muito em pontuação no adestramento. A aposta é por medalha por equipes e chegar muito perto dos primeiros no individual", diz Luiz Roberto Giugni, presidente da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH).

Grass Valley era o cavalo de Gabriel Cury
Grass Valley era o cavalo de Gabriel Cury

Um dos sintomas da evolução no CCE eram os resultados de Gabriel Cury, de 22 anos, que no ano passado foi o melhor "jovem cavaleiro" do Badminton Horse Trials, na Inglaterra, principal evento do mundo na modalidade. Em abril, entretanto, o cavalo de Gabriel bateu com a pata em um obstáculo, sofreu uma lesão grave e precisou ser sacrificado.

Em outros tempos, seria uma perda que poria fim à qualquer perspectiva de bons resultados. Agora, não mais. "Perdemos esse cavalo, mas temos outros. A gente sempre quis ter a quantidade e a qualidade aumentados. A gente não tinha descarte de resultados. Hoje a gente tem", comemora Giugni.

A evolução no CCE está diretamente relacionada à contratação de treinadores. Especificamente na prova, do técnico neozelandês Mark Todd, bicampeão olímpico como atleta. Mas também da belga Mariette Whitages, que comanda a equipe brasileira de adestramento e ajudou no desenvolvimento do país nesta etapa do CCE.

No Rio, o time será formado por Ruy Fonseca (43 anos, bronze no Pan de Toronto e 11.º no Mundial de 2014), Márcio Jorge (41, quinto colocado em Barbury, na Inglaterra, no último grande torneio antes do Rio-2016), Carlos Paro (37) e Marcio Appel (37).

No Pan de Toronto, o Brasil perdeu nos detalhes para os EUA, que por sua vez foi bronze no último Mundial. Na comparação com o time que foi ao Canadá, só uma mudança: sai Henrique Pinheiro, cujo cavalo também se lesionou, e entra Marcio Appel. Sergei Fofanoff (olímpico em 1992, 1996, 2000 e 2012) e Marcelo Tosi (em 2008 e 2012) também perderam suas montarias por lesões e ficaram fora dos Jogos.

Fonte: iG