Por um centímetro, brasileira Maurren leva o ouro no salto em distância em Pequim

O feito da atleta, 32 anos, quebra mais tabus para o esporte brasileiro em Pequim

Sem a portuguesa Naide Gomes nem a russa Lyudmila Kolchanova na concorr?ncia, a brasileira Maurren Maggi cumpriu o seu papel de grande favorita nos Jogos Ol?mpicos de Pequim. Na final do salto em dist?ncia, nesta sexta-feira, a atleta atingiu a marca de 7,04 metros, a melhor dela na temporada, logo no primeiro salto e conquistou a medalha de ouro por um centr?metro de vantagem sobre a russa Tatyana Lebedeva.

O feito da atleta, 32 anos, quebra mais tabus para o esporte brasileiro em Pequim. ? a primeira medalha de ouro de uma mulher em esporte individual, al?m do Pa?s voltar a ocupar o lugar mais alto do p?dio no atletismo desde a conquista dos 800 m por Joaquim Cruz em Los Angeles 1984.

? a primeira medalha do atletismo em Pequim, defendendo a honra da tradicional modalidade que esteve perto de passar em branco em Atenas. Na Gr?cia, foi o bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima no ?ltimo dia de disputas que impediu um retorno completo de m?os abanando da delega??o.

F? de cozinha chinesa e dona de "Le?o", ursinho de pel?cia que a acompanha em todas as competi?es, a saltadora brasileira confirmou as pr?prias expectativas. Com 14 medalhas ol?mpicas conquistadas (terceira modalidade em n?mero de p?dios no pa?s), o atletismo s? tinha homens medalhistas at? hoje.

Determinada e confiante para a final, principalmente pela elimina??o precoce das principais concorrentes, Maurren brilhou no Ninho de P?ssaro. Foi uma das poucas a bater palmas e pedir apoio ao p?blico. E ainda conseguiu melhorar sua vantagem para as rivais, j? que entrou na disputa com a melhor marca do ano entre as finalistas (6,99 m), na etapa de S?o Paulo do Grande Pr?mio Brasil de atletismo. As duas melhores marcas ? frente eram, justamente, das eliminadas: 7,12 m para Gomes e 7,04 m para Kolchanova.

Experiente e de volta ?s competi?es, Maurren v? a volta por cima com o ouro, j? que a aus?ncia em Atenas 2004 foi uma das dist?ncias mais dif?ceis de serem superadas por ela. Com doping positivo constatado em 2003, ?s v?speras dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, a brasileira acabou suspensa por dois anos e cogitou a possibilidade de encerrar a carreira.

"H? males que v?m para bem", adiantara a brasileira, em entrevista ao Terra antes do in?cio dos Jogos. A consci?ncia de que poderia brigar por um lugar no p?dio partiu de uma boa pr?-temporada, realizada em Madri, na Espanha, e de um primeiro contato com a capital chinesa em 2001, quando ainda disputava os Jogos Mundiais Universit?rios.

Suspensa pela Associa??o Internacional de Federa?es de Atletismo (Iaaf) ap?s ser flagrada em exame antidoping, em 2003, Maurren foi casada com o piloto Ant?nio Pizzonia, com quem teve uma filha, Sophia. Mais madura e experiente, um ano depois de retornar ao esporte, em 2007, ela levou a medalha de ouro no Pan do Rio de Janeiro e foi segunda colocada no Mundial Indoor de Val?ncia, na Espanha.

Para a decis?o desta sexta, Maurren teria que superar Lebedeva para ficar com o ouro. Isso porque enquanto a brasileira tem como melhor marca na carreira um 7,26 m, a rival cravara 7,33 m em 2004.

Lebedeva, contundo, havia alcan?ado at? ent?o a dist?ncia m?xima de 6,97 m na primeira tentativa. A disputa foi at? o ?ltimo salto, quando a rival da brasileira causou nervosismo e saltou 7,03 m para ficar com o segundo lugar.

O bronze vai para a nigeriana Blessing Okagbare, que conquistou a vaga na decis?o em cima da hora, era uma das candidatas mais fracas da disputa, mas fez sua melhor marca particular, com 6,91 m.

Outra brasileira na disputa, Keila Costa alcan?ou 6,43 m, mas pecou pelo nervosismo na prova. A atleta queimou as duas primeiras tentativas, tamb?m pediu palmas ao p?blico como Maurren, mas fecha sua participa??o em Pequim como a pen?ltima colocada, eliminada antes mesmo das rodadas finais.

Fonte: Terra, www.terra.com.br