Quinze anos após mortede Ayrton Senna, Brasil ainda busca campeão na Fórmula 1

Senna, campeão nas temporadas de 1988, 1990 e 1991, todas com a equipe McLaren, foi o terceiro brasileiro a conseguir um título mundial na F-1

A morte de Ayrton Senna, que completa 15 anos nesta sexta-feira, abriu uma lacuna no automobilismo brasileiro que até hoje não foi preenchida. Desde o dia 1º de maio de 1994, quando o tricampeão mundial de F-1 bateu sua Williams no GP de San Marino, o país tenta, sem sucesso, fazer um campeão na F-1 --no período, o Brasil conseguiu três vice-campeonatos.

Senna, campeão nas temporadas de 1988, 1990 e 1991, todas com a equipe McLaren, foi o terceiro brasileiro a conseguir um título mundial na F-1. Antes dele, Emerson Fittipaldi foi bicampeão (1972 e 1974) e Nelson Piquet foi tricampeão (1981, 1983 e 1987).

Os feitos de Fittipaldi e Piquet criaram expectativa no público brasileiro, que passou a acompanhar a F-1 com cada vez mais interesse. A transição da "era Piquet" para a "era Senna", aliás, contribuiu para que os fãs ficassem "mal-acostumados".

O último título de Piquet aconteceu um ano antes do primeiro de Senna. E Nelson se aposentou justamente no ano do último título de Ayrton.

Com a morte de Senna, os olhos se voltaram para Rubens Barrichello, então uma promessa brasileira. Apesar de ter tido uma carreira expressiva, inclusive com dois vice-campeonatos pela Ferrari (2002 e 2004), ele não obteve um título até hoje.

"Houve o peso. E não foi culpa do Ayrton ou do povo brasileiro. Eu tenho que assumir o erro de ter me comprometido... Nunca tinha ido a um velório, foi algo que me marcou. E eu, Rubens Barrichello, saí de lá comprometido. Não queria tomar o lugar de ninguém. Só queria dar ao público aquilo que eu sentia quando era torcedor. Mas soou a promessa. E soando a promessa, virou uma pressão", disse Barrichello à Folha em 2004, falando sobre a morte do ídolo.

Curiosamente, Barrichello, apontado há 15 anos como possível "sucessor" de Senna, aparece hoje, aos 36 anos, em sua 17ª temporada, mais uma vez como principal candidato nacional a conseguir um título mundial. Sua atual equipe, a Brawn GP, desponta como a melhor da temporada, e o brasileiro está em segundo lugar no Mundial, atrás apenas de seu companheiro de equipe, Jenson Button, que o superou nas quatro primeiras corridas do ano.

VICE DRAMÁTICO

Apesar da longevidade de Barrichello na F-1 --é o recordista de GPs disputados--, foi Felipe Massa, 28, quem mais chegou perto de recuperar um título para o Brasil. No ano passado, o piloto venceu seis corridas pela Ferrari e perdeu o campeonato por apenas um ponto para Lewis Hamilton, da McLaren.

O fim da temporada, marcado justamente para o GP Brasil, foi dramático. Massa, que precisava vencer para levar o título, cumpriu o seu papel e cruzou a linha de chegada quase como campeão. Mas Hamilton ultrapassou nos últimos metros o alemão Timo Glock, da Toyota, e conquistou a quinta posição, que lhe garantiu a taça.

Apesar do vice, Massa viu seu conceito crescer na F-1 por conta de uma temporada eficiente, em que sofreu com problemas mecânicos e de estratégia da sua Ferrari. O brasileiro também teve um desempenho bem superior ao do finlandês Kimi Raikkonen, seu parceiro de equipe, campeão em 2007.

O início em 2009, no entanto, foi bem diferente. Após diversas mudanças técnicas no regulamento, a Ferrari ficou para trás, e Massa não conseguiu pontuar em nenhuma das quatro corridas. Sem chegar nem perto dos primeiros colocados, o piloto ficou mais distante do título do que o próprio Barrichello.

HOMENAGENS

Em comum, Barrichello e Massa têm Ayrton Senna como ídolos. O primeiro, que surgiu como grande esperança brasileira logo após a morte do tricampeão, admitiu ter assumido o papel de sucessor de Senna.

Já Felipe Massa conseguiu, no ano passado, o feito de ser o primeiro brasileiro a assumir a liderança de um Mundial de F-1 desde Senna, em 1993. Na época, após vencer o GP da França, evitou as comparações com o ídolo.

"O Senna é o Senna. Um grande piloto e um exemplo para todos, mas não quero me comparar a ele. Claro que gostaria de conquistar coisas que ele conquistou, mas são épocas diferentes. O Senna fez coisas que hoje seriam impossíveis de se conseguir", disse.

Perto da decisão da temporada, Massa voltou a falar sobre Senna, em entrevista à Folha. "Sempre vai ter essa imagem de deus do automobilismo. É importante pra um país que tem tradição, mas você sempre vai estar abaixo do Senna. O Brasil é um país que cobra muito, mas sou brasileiro, corro pelo meu país", comentou.

SOBRINHO

Entre os sucessores de Senna, o mais simbólico é o seu próprio sobrinho, Bruno, filho de sua irmã, Viviane. O piloto de 26 anos, que quase estreou na F-1 no Mundial-2009, busca ingressar na categoria após ter sido vice-campeão da GP2 no ano passado.

"Toda a carreira do Ayrton teve uma influência muito grande na minha carreira, desde quando eu comecei a pensar em correr. O Ayrton sempre foi minha referência e acho que ele se tornar campeão mundial fez uma grande diferença em querer ser piloto", disse Bruno à Folha Online, em 2008.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br