Thiago Silva admite estar ansioso com a Copa e acha protestos exagerados

Ansioso, Thiago Silva admite usar a máscara na Copa e revela que prêmio pelo hexa está quase fechado: ‘90% certo’

Thiago Silva, dono da braçadeira de capitão da seleção brasileira, vai chegar ?mascarado? à Granja Comary. Curado de lesão na face, ele trará a proteção na bagagem. Uma insegurança que para aí. Aos 29 anos, o zagueiro é convicto de sua liderança: já discute a premiação pelo hexa, vê exageros nos protestos, admite que conhece pouco a Croácia e sente o peso da Copa de 1950:

? Até parece que vivi isso!

Está ansioso?

Faz tempo que sinto o frio na barriga. O sono vai no Brasil e volta. Está complicada a ansiedade. Mas tenho que controlar. Isso vai até o primeiro jogo. Porque se trata do primeiro jogo, né? Depois, tende a ficar mais tranquilo, se Deus quiser com uma vitória. Isso dá mais confiança. A partir de quando começar a treinar, diminui também.

Na insônia, já pensou em levantar a taça? E no que dizer para ser imortalizado?

Sinceramente, eu não pensei nisso. Mas é claro que a gente pensa em chegar à final, sonho levantar a taça. Não pensei o que falar, o gesto. Isso é de momento. Não adianta. Você pensa uma coisa e faz outra. O Cafu é lembrado até hoje, assim como os outros, pela reação do momento. Não programo nada.

A Copa no Brasil e com a possibilidade de jogar no Maracanã é mais especial?

Poucos têm essa relação com o Maracanã. O próprio Julio Cesar, o Marcelo, o Jefferson, o Fred. Mas não são tantos que têm esse privilégio. Por ser no Maracanã, se torna ainda mais especial levantar o título. Qualquer um tem vontade de jogar no Maracanã. Sou um privilegiado. Fui de arquibancada assistir ao Fluminense, depois como jogador. Tenho grande orgulho de pisar os pés lá com a seleção.

O que sabe da Croácia, rival da estreia?

Se falar que conheço 100% vou estar mentindo. Quando tem algum jogo, me informo na internet sobre como jogam. Vi nas Eliminatórias. E sabemos dos jogadores quando os confrontamos. Caso do Mandzukic (Bayern de Munique, suspenso) e do Modric (Real Madrid). O restante nós precisamos estudar mesmo.

Logo após o Felipão anunciar a lista, os jogadores convocaram o povo para a Copa. É o dedo do treinador?

É por aí. O Mundial é no Brasil. Depois da Copa das Confederações, resgatamos a confiança da torcida. Resgatamos o orgulho que andava perdido. O Felipão tem essa característica. Não é forçação de barra dele, não é boleiro. Ele é assim mesmo. É o perfil. E o Felipão já disse para a gente: ?Eu não tenho nada a falar da minha relação com vocês?. A vaidade está de lado na seleção.

Falando em união, premiação em Copa é sempre assunto delicado. Como está isso?

Uma coisa leva à outra (valorização). O título leva ao reconhecimento, à História. Mas primeiro temos de lutar pelo título. O restante vem ao natural. (O prêmio) Já foi abordado com a comissão técnica, com o presidente Marín (da CBF, José Maria). Estamos num caminho bem legal no que pode dar. A gente colocou um valor. E está dentro do esperado. O acerto está perto, 90% certo. Vou falar com os demais jogadores (na Granja Comary). Antes de iniciar a competição tem de estar certo, o quanto antes. E que não se fale mais nisso.

Como está vendo a onda de protestos no Brasil?

Está um pouco exagerado. Não é normal o que está acontecendo. Estava aqui na fisioterapia do PSG e acompanhei pela TV. Vi pessoas caminhando para a Arena Corinthians, outras pensando em barrá-las. Se tiver que protestar, na boa, que faça sem vandalismo. Como um cara vai para a rua por um Brasil melhor e quebra tudo? Sou brasileiro, tenho orgulho do meu país.

Como lidar com a rede social num período de concentração de seleção?

Eu já conversei com o Felipão sobre isso. E ele disse: não pode haver exposição do momento da concentração. Teremos palestras na Granja com ex-campeões mundiais e com outros temas também. Um deles deve ser rede social. Tem que ficar ligado nisso. Em 2010, o Dunga achou que era certo dar um tempo, para não falar nada. Deu certo. Isso funcionou. O grupo, apesar da pouca idade, tem a cabeça no lugar. Eu não me envolvo: só tenho Instagram. De vez em quando, posto foto lá e mais nada.

E como está a lesão na face?

Os médicos me deram seis semanas para me recuperar. Contra o Rennes, já poderia jogar sem máscara. O Felipão me ligou e pediu para usar. A máscara vai comigo na mala. Não estou inseguro. Mas quando a bola vier no alto eu não posso pensar duas vezes, não posso ficar preocupado com o braço do adversário. De repente, se nos treinos na Granja eu me sentir inseguro, vou usar na Copa.

Como capitão, qual sua visão sobre o Julio Cesar, que atua no Toronto?

Vejo ele motivado. Eu vi o Julio Cesar no último Mundial no jantar, depois do jogo contra a Holanda. Ele chorava muito e dizia que ia dar a volta por cima. Está aí. Está na seleção. Está bem fisicamente. Agora é com ele. A oportunidade está dada. O Felipão confia nele, assim como todos nós.

Foi noticiado que você se desentendeu com o Ibrahimovic por causa do Lucas...

Foi um desentendimento normal. Teve um lance de jogo em que o Lucas não passou a bola para o Ibra e um outro companheiro. Eu cheguei no vestiário. Havia uma confusão. O Lucas mal fala inglês. Vínhamos de tantas vitórias e por que discutir depois de um empate? Entrei no meio. Pedi para o Ibra parar. E ponto final. Aí disseram que briguei com ele, que não falo mais com ele. Eu o conheço desde o tempo do Milan. Se você não sabe, eu sento do lado dele no ônibus. Naquele dia mesmo, eu sentei e conversamos. Ele pediu desculpas e eu também.

No jogo PSG x Chelsea, pela Liga dos Campeões, você fez cara feia para o Oscar no lance do pênalti.

O meu pé de apoio escorregou. Joguei o corpo para trás e lancei a perna. O Oscar, malandro, se atirou. Só olhei para ele e joguei a mão para o alto na hora. Fiquei puto com ele. Fizeram uma matéria dizendo que eu não gostava dele.. Enfim... Mandei mensagem para ele desmentindo dizendo que não era aquilo, mas que não havia sido pênalti. E ele respondeu: riu e disse ?foi sim".

O David Luiz vai para o PSG?

Estão surgindo essas informações. E quando acontece isso é porque tem chance. Ele está na mira de outros grandes também (Barcelona), mas tomara que pare em Paris. O mais importante para o David é que saiba tomar a decisão certa, o que não é fácil.

O que falar do nível do futebol brasileiro atualmente?

Não pode comparar o futebol brasileiro com o europeu. O futebol brasileiro não pode parar de evoluir. A questão é que está mais lento. Pode ser o calor, o campo seco. Na Europa, a bola corre mais. Sei lá. O certo é que vi jogos daí, do Brasileiro, e tem muitos passes errados. Isso é coisa de treinamento. Não é porque tem 25 anos, que já sabe tudo de futebol. O que o jogador tem de deficiência é preciso aprimorar. Tem de evoluir.

Fonte: Extra