Estudo do professor e economista Sebastião Carlos (UFPI) mostra que será de apenas R$ 14,19 o ganho real de trabalhadores e aposentados teresinenses com o novo salário mínimo de R$ 465. É menos do que a média do Brasil, com ganho real de R$ 22,90. Trocando em miúdos – e bota miúdos nisso – a inflação para quem ganha salário mínimo em Teresina é maior que a medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do IBGE.
Carlos observa que o valor do novo salário mínimo representa uma variação nominal de 12%. Nominalmente também é 6,6 vezes maior que o pago em 1994, quando do início do plano Real, quando valia R$ 70.
Informa o professor que no Brasil, "serão mais de 45 milhões de trabalhadores beneficiados, gerando um valor de R$ 20 bilhões no mercado consumidor. O montante pago somente aos aposentados e pensionistas do INSS em Teresina, mensalmente, será de R$ 42 milhões. No Piauí, R$ 200 milhões". Em um ano, o INSS despeja em terras piauienses R$ 2,6 bilhões. É mais da metade do orçamento do Estado para este ano.
Informa ainda o professor Carlos que "o aumento nominal em relação ao salário de 2008, que era de R$ 415, é de R$ 50. Contudo, não é isso que acontece, pois temos que descontar o efeito da variação no custo de vida medido pela inflação. O INPC no Brasil (índice inflacionário usado para correção de salários) foi de 6,48%. Neste sentido, o impacto real será de apenas 5,5%, o que significa que o aumento não é de R$ 50 e sim de R$ 22,90. Segundo último dado publicado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo deveria ser de R$ 2.014,73, para atender o dito na Constituição Brasileira".
Sebatião Carlos diz que "como a inflação na capital foi de 8,58%, o impacto real será de 3,42% o que significa que na realidade o aumento será de apenas R$ 14,19. Sim, é este o verdadeiro valor que o teresinense irá contar como aumento do salário mínimo a partir de hoje, 1º de fevereiro. A inflação na capital chegou a este percentual por conta da variação nos preços dos alimentos. A cesta básica para alimentar uma pessoa durante um mês fechou o ano em R$ 188,72. Considerando o tamanho médio de uma família na capital, o valor necessário, apenas para custear a alimentação, seria de R$ 717,13. Para cumprir o que estabelece a Constituição, seria de R$ 2.151,00, em média, ou seja, maior que estimado pelo Dieese".