Frente Ampla

Menos jovens e mulheres no mercado de trabalho do Piauí

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25/05/2009 - 06h:55

Seria bastante instrutivo para políticos, economistas e gestores públicos um passeio pelas planilhas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, cujos dados relativos a 2007 deram o ar da graça na mídia local na semana passada. Eles perceberiam que falta trabalho para os mais jovens e que as mulheres tiveram reduzida a sua participação nos empregos formais no setor privado.
Certamente, uma das observações mais fundamentais é a de que o Estado está gerando menos empregos que os necessários para absorver a demanda por trabalho entre os cidadãos mais jovens. Em 2002, jovens com idade entre 20 e 24 anos ocupavam 22,6 mil empregos com carteira assinada. Na Pnad 2007, esse estrato etário detinha 26 mil empregos, o que significa, entre um período e outro, ter havido crescimento ínfimo, meramente nominal. Entre rapazes e moças de 18 e 19 anos empregados com carteira assinada no Piauí, em 2002 o número era de apenas 1.500 almas. Em 2007, eles somavam 6 mil criaturas. O número de vagas ocupadas por esses jovens quatriplicou. Parece muito. Não é. Em 2007 havia 312 mil piauienses com idade entre 15 e 19 anos. São duas Parnaíbas de jovens sem perspectivas.
Para o IBGE, a População Economicamente Ativa (PEA) dos jovens com idade entre 18 e 24 anos é de 118 mil pessoas. Como em 2007 registraram-se 31 mil pessoas nessa faixa etária com empregos formais, pode-se dizer que existe um excedente de 87 mil rapaz e moças sem empregos formais no setor privado. Há 2 mil deles no serviço público e 85 mil num limbo estatístico que o IBGE chama de “outros”, para classificar um sem número de atividades empregatícias.
A PEA no estrato etário de 20 a 24 anos soma 85 mil pessoas. Mas o total de residentes no Piauí nessa faixa de idade é de 276,5 mil pessoas. Significa que a maioria dessas pessoas simplesmente não busca empregos, por isso as estatísticas do IBGE não as abrangem. Mas todos certamente merecem e querem um lugar ao sol.
A diferença entre PEA na faixa de 15 a 24 anos e o conjunto dessa população aponta para a necessidade de se identificar razões para tanta gente estar distante do mercado de trabalho.
Se entre os jovens o emprego é escasso, no público feminino a Pnad demonstrou uma queda bem grande da participação no mercado de trabalho privado. Em 2002, 66.341 dos empregos no setor privado eram ocupados por homens, correspondendo a 57,73% das vagas. As mulheres ficavam com 56.527 ou 45,27%. Na Pnad 2007, elas perderam espaço. Os homens ocuparam 64,6% dos postos de travalho – 126 mil vagas. As mulheres reduziram sua participação para 35,4% ou apenas 70 mil postos ocupações.
A boa notícia para as mulheres é que parte do contingente que deixou ou não foi para o setor privado pode ter ido buscar abrigo na estabilidade dos empregos públicos. Em 2002, as mulheres representavam 56,9% das vagas na administração pública, com 40.080 vagas. Os homens detinham 43,1% das vagas ou 30.315. Cinco anos depois, em 2007, elas ocupavam 66,6% dos empregos públicos e eles tinham reduzido sua participação a 33,4%. Em números absolutos, 66 mil servidoras contra 33 mil servidores. No total, em 2007, o Piauí tinha 99 mil servidores públicos ativos, ou seja, 28,6 mil a mais que em 2002.

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