Na semana passada, o signatário de Frente Ampla avistou no frontispício do prédio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, em Teresina, uma faixa que anunciava os 100 anos da autarquia. Pode até ser uma efeméride que traga orgulho para quem a celebra, mas um século de uma instituição deveria cujo fito é combater uma praga deveria ser suficiente para ser suficiente para sua extinção. O fim do Dnocs, com efeito, determinaria seu êxito absoluto. Sua existência secular, ao contrário, sinaliza para uma elevada taxa de fiasco.
Mas nem o Dnocs nem qualquer outro organismo público brasileiro com objetivo de combater problemas sociais vão chegar à extinção. O Brasil é um país de oportunidades perdidas, menos para os que fazem dos problemas uma fonte inexgotável de solução para os seus próprios problemas – financeiros, principalmente.
Há robustas provas de que a administração pública brasileira se move com sua gigantesca indolência autárquica para não sair do lugar quando o objeto de sua ação é, definitivamente, resolver problemas. Frente Ampla está cansada de saber disso e, por esta razão, resolveu nesta semana não apenas olhar o frontispício do prédio do Dnocs em Teresina. Deu uma espiada mais atrás, em edições não muito antigas do jornal Meio Norte.
A coluna encontrou nas edições de 1º, 2, 7 e 8 de abril editoriais que trataram de um tema que ocupou o noticiário local nos últimos dois meses: eventos climáticos severos e a pouca ação da administração pública para solucionar os problemas decorrentes disso.
No texto de 1º de abril de 2008 (“O desperdício das águas de março”), está posto que “no Piauí estamos assistindo a mais um deplorável espetáculo de desperdício. As águas que atormentam pessoas poderiam ser armazenadas em barragens ao longo da gigantesca bacia hidrográfica do Parnaíba, sobretudo nos vales situados no semi-árido, para que nem provocassem enchentes nos tempos de chuva, nem sede e sofrimento durante o estio”.
Poderia ter sido escrito no mês passado e estaria atualíssimo.