Na Assembléia Legislativa do Estado do Piauí, o megaempresário, médico e acadêmico Paulo Henrique dos Santos Ferreira e o seu amigo deputado Themístocles Filho, presidente do Poder Legislativo, conversma tendo como plano de fundo o saudoso deputado estadual Prado Júnior, tragado no fulgor de sua juventude e ideais que planejara para o Piauí.
Veja o relato de Vera Mascarenhas sobre Prado Júnior:
"A primeira atitude pelo desenvolvimento do Piauí que pude observar do Elias, foi quando ele buscava recursos para a reforma do Porto das Barcas em Parnaíba, junto ao então ministro, Reis Veloso, quando ele e Roberto Silva conseguiram os primeiros recursos que serviram para a indenização e desapropriação do local. Elias Junior passou a morar em Teresina em 1981, já formado e trabalhando com seu pai, Elias Prado, então deputado estadual do Piauí. Seu pai era seu guru, companheiro e, sobretudo, amigo. Tudo que ele ia fazer consultava o pai querido. Passou a ser assessor econômico da Assembléia Legislativa. Mas isso era muito pouco para ele, que queria atingir mais diretamente as pessoas, ter seu espaço para falar, dizer o que pensava e se tornar conhecido, o que seria primordial para poder chegar a ter um mandato político. Outro fator preponderante foi a visão do Elias Junior de construir um espaço para os potencias artistas Piauienses. Ele acreditava no valor dos mesmos e se indignava por observar que eles não eram reconhecidos e nem tratados como profissionais pelos donos de estabelecimentos onde cantavam e tocavam nas noites de Teresina, um bar onde os artistas pudessem ser lançados e se projetar, e os freqüentadores terem a oportunidade de conhecer e apreciar uma boa musica. Nos e Elis, foi a solução encontrada pelo Elias para contemplar os seus interesses.
O Bar foi inaugurado em 1984 e o nome “Nós e Elis” se deve ao fato de que o Elias era um grande admirador de Elias Regina. Ele gostava da cantora e de sua irreverência. A música predileta dele era O bêbado e o Equilibrista; sempre que tocava ele se emocionava. Na época fui contra a esse nome, mas ele insistiu e ficou assim mesmo. Depois compreendi o porquê: além cantora o nome homenageava todos os músicos, cantores e freqüentadores que admiravam a musica popular brasileira. Foi lá que muita gente começou sua carreira, onde os cantores se sentiam a vontade, e tornou-se ponto de encontro de artistas e intelectuais da sociedade Teresinense. De todos os cantores e músicos que se apresentaram, não posso deixar de citar Geraldo Brito que, em nome dos demais, presto homenagem. Citar todos seria humanamente impossível, mas posso afirmar que muitos iniciaram sua carreira lá. Havia uma cumplicidade entre os cantores que freqüentavam o Nós e Elis. Eram comuns as canjas e. se alguém estava se apresentando pela primeira vez, Elias avaliava o potencial daquela pessoa, e se fosse o caso, logo convidava para uma apresentação fazendo seu lançamento, daí iniciavam suas carreiras profissionais. De segunda a segunda, tinha atração no bar, independente da época, as vezes chovia muito, mesmo assim Elias fazia questão de cumprir o compromisso do contrato firmado com os artistas contratados".
Ela acresecnta na matéria publivada pela Fundação Nogueira Tapety:
O Nós e Elis era um espaço Cultural, pois além da musica, havia uma diversidade de eventos culturais. Nas quartas-feiras era a quarta poética, muito concorrida e era minha xará Vera Leite quem recitava as poesias. De vez em quando se faziam exposições de artes plásticas nas paredes do palco. Funcionava lá uma livraria de autores piauienses, que ficava aberta para quem quisesse consultar os exemplares que nela havia. Lembro de algumas apresentações teatrais como as Peças Raimunda Pinto Sim Senhor, 15 anos depois, etc. também alguns humoristas tiveram seu espaço no Nos e Elias. Sempre o Elias estava inovando e abrindo espaço para quem precisasse de uma oportunidade para dar inicio à carreira artística. Uma das novidades a que aconteceu foi a Hora da Graça, era salvo engano, de 18 às 20h. Funcionava assim, tudo o que você pedisse, naquele horário, vinha em dobro. Foi uma loucura, as aulas da Universidade Federal praticamente pararam neste horário e o bar ficava lotado. Recordo que uma das noites mais emocionantes do Nos e Elias foi quando faleceu o Presidente Tancredo Neves, foi feito uma homenagem a ele, e muitos cantores e artistas se apresentaram. Foi muito bonito. Pena que não fotografávamos! Não tínhamos essa preocupação naquela época.
A estrutura do Bar era simples, típica e de bom gosto. A parte interna era composta de cozinha e o deposito de bebidas. Tinha os banheiros separados masculino e feminino, novidade em Teresina, que o Elias se orgulhava muito, pois os bares daquela época não se preocupavam com estas questão. O palco ficava entre os banheiros e a parte interna do bar. Do lado que ficava a pracinha era conhecido como o cantinho da cachaça, onde tinha um pequeno barril de cachaça Mangueira, onde foi colocado alguns bancos altos para as pessoas sentarem. Um diferencial do bar era a facilidade que as mulheres sentiam para chegar sozinhas, já que nesta lateral elas não ficavam muito visíveis. A cozinha servia alguns pratos que eram bastante solicitados como a Patinha de caranguejo, o caranguejo ensopado, moela ao molho, Carne de sol com fritas, caldinho de feijão etc. Eram pratos fartos e relativamente baratos.
Havia algo pitoresco no Bar que era um laginho que limitava pelo lado direito de quem olhasse de frente, foi feito para que as pessoas não passassem por ai, tendo que dar a volta para evitar os calotes, mas servia mesmo para fazer rir, pois ai costumavam cair alguns bêbados, e passou a ser chamado de bebodromo pelos freqüentadores. Depois o Elias mandou tirar, pois as pessoas podiam se machucar numa queda dessas. O bar era todo aberto não tinha paredes laterais, era cobertura de telhas e pilares de sustentação de tronco de carnaúbas, as cadeiras eram de estilo comun, havia bancos para duas ou até três pessoas, as mesas retangulares, era tudo de madeira muito simples. Quando chovia molhava tudo, mas as pessoas pareciam não ligar, muitas vezes ouvi dizer que gostavam disso pois ficávamos todos juntinhas no centro do bar e era a oportunidade de muita gente se conhecer. Outra inovação que lembro foi de um quadro de giz, onde se podia se escrever o que quisesse, saia de tudo desde poesias, declarações, cantadas, reclamações, etc. Existia um microfone aberto onde nos intervalos musicais as pessoas podiam falar o que quisesse, as pessoas aproveitavam para fazer reclamações e os políticos para se promoverem ou provocar o Elias. Foi por causa desse microfone que o bar fechou, pois um freqüentador insultou o Elias falando mal de políticos de seu partido PDT. Partido do Brizola, que ele tinha uma verdadeira adoração. O Elias mandou o cidadão se retirar, mas como ele alegou que o bar era um local publico e o Elias não poderia impedir sua permanência lá, ele simplesmente fechou as portas de ferro que isolava a parte de dentro do bar e disse que a partir daquele dia estaria fechado. Lembro que muita gente tentou convencer Elias a reabrir o Bar, saiu nos principais jornais de Teresina a noticia, mas ele não voltou atrás. Algumas pessoas disseram que ele não podia fazer aquilo pois o Bar já era um patrimônio do povo piauiense. Há muitas historias de vida que aconteceram no Nos...,muitas pessoas começaram ou terminaram seus relacionamentos lá. Havia pessoas que iam todos os dias para lá, como se fora bater o ponto. Outras tinham o bar como se fosse uma extensão de suas casas. A função maior do Elias era recepcionar os clientes com seu copo na mão. O Elias fazia companhia aos freqüentadores e ficava de mesa em mesa conversando com todo mundo,
Fora O Nós e Elis, o Elias Junior teve muitas outras criações. Quando então presidente da ASALPI , associação dos servidores da assembléia legislativa, construiu uma escola modelo para os filhos dos funcionários, que é a escola Cidadão Cidadã, até hoje funciona e é uma referência de qualidade de ensino. Construiu também a Associação Recreativa Da ASALPI, um clube muito bonito que tem uma piscina semi-olimpica, Quando diretor da COHAB, fez mais casas e apartamentos populares para os necessitados, ganho o titulo do melhor administrador de COHAB do Brasil. Foi por muitos anos presidente do PDT.Foi candidato a Deputado Federal e por três vezes a deputado Estadual sendo eleito deputado estadual no ultimo pleito Morreu no exercício do mandato de Deputado Estadual.Teve um dos enterros mais emocionantes do Piauí. Seu corpo chegou de avião de são Paulo, já passava da meia noite, mesmo assim formou-se um grande cortejo de correligionários, e admiradores, que acompanhou o féretro ate a assembléia Legislativa, Foi enterrado no cemitério são Judas Tadeu. O Elias nasceu em 30 de junho de 1953 e faleceu em 8 de maio de 2002. ia fazer 50 anos. Ele tinha muitos projetos e muitos sonhos para o Piauí O ultimo era fazer um Porto em Luiz Correia-PI, que certamente traria um grande crescimento e desenvolvimento para Parnaíba sua terra Natal, e conseqüentemente para o Piauí. Com sua obra iniciada, ele estava tentando conseguir verbas para dar continuidade a construção mas infelizmente não pode ver seu sonho realizado".