O servidor aposentado Antônio Bento da Silva, que foi preso em flagrante na manhã da quinta-feira, em Brasília, com uma quantia em dinheiro que seria usada para subornar uma testemunha do mensalão do DEM, entrou com pedido de liberdade provisória nesta sexta-feira no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a assessoria do Tribunal, o ministro relator, Fernando Gonçalves, que preside o inquérito da Operação Caixa de Pandora, está viajando e, por isso, ainda não foi distribuído para nenhum magistrado.
Amigo do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), Silva foi preso em um restaurante do bairro Sudoeste, de Brasília, após entregar uma sacola com R$ 200 mil para o jornalista Edson Sombra, que ajudou a montar o flagrante. O suborno seria oferecido para que Sombra - amigo do principal delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa - favorecesse Arruda em depoimento à PF.
A estratégia montada pela PF foi motivada por um bilhete supostamente redigido por Arruda. O recado foi apresentado por Sombra para comprovar a pressão sofrida para alterar seu depoimento e afirmar que os vídeos gravados por Durval Barbosa, durante as investigações do suposto esquema, haviam sido alterados.
Sombra foi o responsável por convencer Durval a delatar o suposto esquema de propinas à polícia.
Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.