Por José Maria Vasconcelos *
Geisy, jovem universitária envolvida em rebu, vaias e protestos, por exibir vestido nada pudoroso ao ambiente escolar. Televisões exploraram o episódio exaustivamente. Geisy ganhou fama, num estalo de dedos, não pelo talento escolar ou notável pesquisa científica, ou voz maviosa como a de Susan Boyle, escocesa, apesar de horrorosa. Ou por virtudes humanitárias, como Zilda Arns, morta no terremoto do Haiti, celebridades femininas nos útimos meses. Geisy afamou-se por baixo, coxas e nádegas roliças, hoje fonte da inteligência, dinheiro e bumbologia.
Esteticistas e cabeleleiros ofereceram gratuitamente serviços à moça por instantes de exposição na mídia. Logo mais, desbundará em revistas sensuais. Domingo à tarde, desfilou completamente despida na tevê do bispo Macedo, que não vê nada de pecado explorar cenas eróticas, inclusive nas novelas, se forem benéficas ao caixa dos dizimistas. A dócil e esperta Geisy “cobria-se” apenas de tinta. “Tive enorme vergonha, durante oito horas, principalmente na hora do tapa-sexo.”Os adolescentes, vendo edênica Eva no palco, crepitavam de desejos.
País maravilhoso! Geração feliz! Musiquinha insossa, temperada com trejeitos e evocações eróticas, rápido sucesso e shows garantidos, invade imagiário mágico dos jovens, vira modelo e filosofia de vida. Rádios comunitárias e alguns programas televisivos de meio-dia exaltam a cloaca cultural em que se afundam muitos jovens. Nunca se viu neste país tanta mediocridade travestida de cultura, de bom-gosto, de boa-fé. Geisy retrata o perfil das muitas propostas, inclusive governamentais, de se chegar ao sucesso pela mediocridade, cotas raciais, frágil escolaridade pública, em vez do talento e da sublimação de valores. Desse jeito, não há instinto que resista a tapa-sexo.
LEITORES: Recebi vários emails de leitores opinando sobre as últimas crônicas. O ex-secretário da Fazenda Antônio Neto: “Caríssimo Prof. José Maria Vasconcelos, como um leitor assíduo de suas colunas, fiquei muito feliz e reconhecido por sua análise a respeito de minha saída da secretaria da fazenda. Somente as pessoas com elevado nível de inteligência e conhecimento como você são capazes de vislumbrar um outro olhar para os fatos do cotidiano que nós outros não temos olhos para tal. Isso é muito próprio dos filósofos e dos poetas, a propósito me recordo do velho e sempre bom Drummond, com o seu inesquecível Cota Zero. “Stop. A vida parou ou foi o autómovel?” Que o bem continue a fazer mais história. Um grande abraço.”
“ Lí sua crônica, sou contra a Lei de Talião, mas em caso de assalto à mão armada, sendo possível e havendo segurança, sem a menor dúvida: que se almoce o bandido, antes que ele nos jante. Um Abraço. Loureiro” ( Picos), sobre Abençoado Bandido Morto. O espaço não cabe outras tantas manifestações, a maioria de aplausos: Paulo Roberto de Jesus, Olga Portela ( Secretaria de Educação de Brejo-MA), Augusto Castro ( Rotary Rio Poti),Cel.Valdinar, Marcos Oliveira( publicidade),Maria Dinorá Oliveira ( Justiça Federal), Prof. Geovane Fernandes, médico Gisleno Feitosa. Meus agradecimentos.
José Maria Vasconcelos é professor e cronista do cotidiano–
www.josemaria001@hotmail.com