José Fortes

OEA decide suspender Honduras

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05/07/2009 - 08h:50

A Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu no final da noite deste sábado (4) - início da madrugada de domingo, 5, em Brasília - suspender, com efeito imediato, a participação de Honduras no organismo interamericano. A decisão é resposta ao golpe de Estado ocorrido no domingo passado (28) e que afastou do poder o presidente do país, Manuel Zelaya.

A suspensão de Honduras foi aprovada por 33 dos 34 integrantes da OEA, com abstenção de Honduras, durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na sede do organismo, em Washington, nos Estados Unidos. Para aprovar a suspensão bastavam dois terços dos votos, ou seja, pelo menos 24. Foi a primeira vez que a OEA suspendeu um país por golpe desde 1990, quando o Haiti foi punido pelo golpe sobre o presidente Jean-Bertrand Aristide.

O secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, antecipou neste sábado que os chanceleres deveriam aplicar o artigo 21 da Carta Democrática Interamericana, e realizar a suspensão de Honduras.

Insulza disse que "é provável que se insista" em antecipar as eleições previstas para novembro, como medida para solucionar a profunda crise na qual Honduras submergiu.

A resolução encoraja também os Estados-membros e as organizações internacionais que revisem suas relações com Honduras durante o período de gestões diplomáticas para a restauração da democracia e do estado de direito em Honduras e a restituição do presidente Zelaya. Esse ponto poderia implicar em sanções de diferentes níveis e formas, econômicas, políticas e diplomáticas, por parte dos países-membros da OEA.

O novo governo de Roberto Micheletti já havia denunciado a Carta da OEA e deixado claro que não quer ter relações com o organismo.

Zelaya
Zelaya assegurou que mantém seus planos de retornar neste domingo (5) a Tegucigalpa, acompanhado por vários presidentes da região. Ele pediu a seus apoiadores no país que compareçam ao aeroporto para lhe receber.

O arcebispado da Igreja Católica no país pediu que Zelaya não volte, pois isso poderia dar início a confrontos sangrentos. No sábado (4), quase 10 mil pessoas protestaram em frente ao palácio presidencial.

Zelaya postou uma mensagem de vídeo na internet pedindo que os apoiadores compareçam ao aeroporto de Tegucigalpa. "Eu peço a todos os trabalhadores do campo, das cidades, índios, jovens, amigos, que me acompanhem em meu retorno a Honduras. Não tragam armas. Pratiquem o que eu sempre preguei: a não-violência."

Ele afirmou que voltará acompanhado pela presidente argentina, Cristina Kirchner, o presidente do Equador, Rafael Correa, 300 jornalistas e ministros do exterior.

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